O legado de um dos maiores nomes da luta antirracista no Brasil volta aos palcos carioca. O espetáculo Abdias do Nascimento está em cartaz no Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), no Centro do Rio de Janeiro, até 24 de maio de 2026, propondo um mergulho na trajetória política, artística e humana do intelectual que revolucionou a presença negra no teatro brasileiro.
Mais do que uma biografia encenada, a peça transforma os bastidores de um ensaio teatral em um espaço de memória, debate e reconstrução histórica. Em cena, dois homens negros conduzem o público por reflexões sobre identidade, representatividade, racismo estrutural e resistência cultural, enquanto revisitam a vida de Abdias do Nascimento, fundador do Teatro Experimental do Negro (TEN), criado em 1944.
O espetáculo parte de uma ideia simples, mas potente: um ator e um diretor ensaiam uma montagem sobre Abdias. Aos poucos, porém, o processo deixa de ser apenas artístico e se torna também pessoal. As experiências dos personagens atravessam a própria história do homenageado, criando paralelos entre passado e presente.
Lincoln Oliveira, que também idealizou o projeto, interpreta Abdias do Nascimento e conduz a narrativa como alguém que não apenas representa uma figura histórica, mas revive simbolicamente sua luta. Já Fernando Porto e Paulo Guidelly se alternam no papel do diretor, personagem que conduz os ensaios enquanto compartilha suas próprias vivências enquanto homem negro no Brasil contemporâneo.
Com texto assinado por Ivan Jaf e Diego Ferreira, e direção de Johayne Hildefonso e Iléa Ferraz, a montagem mistura memória, metalinguagem e reflexão política para discutir o papel do teatro como ferramenta de transformação social.
Ao revisitar a trajetória de Abdias, a peça também relembra a importância histórica do Teatro Experimental do Negro, movimento criado em meio a um cenário cultural profundamente marcado pela exclusão racial. O TEN abriu espaço para artistas negros nos palcos brasileiros e ajudou a consolidar discussões sobre identidade racial, cultura afro-brasileira e direitos civis no país.
A montagem aposta justamente nessa herança para construir um espetáculo que dialoga diretamente com o presente. Durante os ensaios encenados, os personagens discutem invisibilidade, pertencimento e os desafios enfrentados pela população negra dentro e fora do meio artístico.
A atmosfera intimista da peça reforça esse caráter reflexivo. Em um palco pequeno e cercado por bastidores aparentes, o público acompanha não apenas a preparação de uma obra teatral, mas o processo emocional e político de reconstrução de uma memória coletiva.
A trilha sonora original é assinada por André Abujamra, enquanto o figurino e o cenário ficam por conta de Mar Resenello e Mônica Carvalho Klauss Schneider. A iluminação é de Dani Sanchez.
Com apoio institucional do Ipeafro e do CCJF, o espetáculo reforça a importância de manter viva a obra de Abdias do Nascimento em um momento em que debates sobre representatividade, memória e reparação histórica seguem centrais na sociedade brasileira.
Serviço – espetáculo Abdias do Nascimento
Temporada: Até 24 de maio de 2026
Dias: quinta a sábado, às 19h | domingo, às 18h
Local: Teatro do CCJF
Endereço: Avenida Rio Branco, 241 – Centro, Rio de Janeiro
Classificação: 12 anos
Duração: 70 minutos
Ingressos:
R$ 50 (inteira)
R$ 25 (meia-entrada)
Lista Amiga: R$ 20 para alunos de universidades e escolas públicas
Ficha técnica
Idealização: Lincoln Oliveira
Texto: Ivan Jaf e Diego Ferreira
Direção: Johayne Hildefonso e Iléa Ferraz
Elenco:
Lincoln Oliveira – Abdias do Nascimento
Fernando Porto e Paulo Guidelly – diretor
Figurino e cenário: Mar Resenello e Mônica Carvalho Klauss Schneider
Trilha sonora: André Abujamra
Iluminação: Dani Sanchez
Produção executiva: Beto Bruno e Dora Maria Lima
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