Dirigido por Claudia Castro, Trago Seu Amor utiliza a fantasia para discutir o amor na contemporaneidade e como devemos nos entregar sem medo caso queiramos viver o extraordinário.
Enquanto o cinema nacional vem conquistando cada vez mais reconhecimento internacional graças a grandes produções como O Agente Secreto (2025, Kleber Mendonça Filho), o que realmente movimenta a indústria audiovisual brasileira não são os dramas potentes e políticos, mas sim as comédias.
Por meio de filmes como Minha Mãe é uma Peça 3 (2019, Susana Garcia), ocorre um processo de financiamento cruzado que, indiretamente, gera o lucro necessário para viabilizar documentários de prestígio e produções dramáticas que, apesar de sua relevância artística, não são voltadas ao grande público.
Muito mais do que apenas um retorno financeiro rápido e direto, as comédias nacionais cumprem um papel importante na formação de público, aproximando-se da audiência por meio de abordagens leves, sem abrir mão de sua potência. É justamente o caso de Trago Seu Amor.

Giovanna Grigio e Jê Soares em cena de “Trago Seu Amor”- Divulgação H2O Films
Utilizando uma paleta repleta de cores, uma fotografia simples e uma direção de arte que preenche os cenários com “magia”, o filme acompanha Mia, uma bruxa com o poder de enfeitiçar pessoas através de um beijo, fazendo com que se apaixonem por ela ou voltem a amar a última pessoa por quem tiveram sentimentos.
Aproveitando suas habilidades mágicas, Mia se une ao amigo Ariel para abrir um negócio esotérico voltado a clientes dispostos a tudo para reconquistar suas paixões. Durante esse processo, ela acaba se apaixonando pela ex-namorada de um cliente e experimenta, pela primeira vez, o amor verdadeiro, entrando em contato com as consequências do trabalho que exerceu de maneira negligente ao longo dos anos.
Trago Seu Amor reúne diversos temas em uma narrativa ágil: responsabilidade pelos próprios atos, o primeiro amor tardio, responsabilidade afetiva e a força transformadora do amor. Mais do que isso, o filme constrói um universo rico em magia e mistério, que poderia ser explorado em futuras produções. Ainda assim, nunca perde o foco de sua proposta principal: a tomada de consciência de Mia sobre suas próprias ações.

Giovanna Grigio e Diego Martins em cena de “Trago Seu Amor”- Divulgação H2O Films
Leve e repleto de cenas marcantes e apaixonantes, como o jantar às cegas, o longa não deixa de apresentar alguns problemas. Sua história não é tão original quanto aparenta, o misticismo poderia ser mais explorado e o romance entre Mia e René merecia mais tempo de desenvolvimento. Embora seja possível supor que o relacionamento se aprofunda durante as elipses temporais entre as cenas, essa evolução nem sempre é plenamente transmitida ao espectador. Ainda assim, a narrativa permanece eficaz como ferramenta de identificação com o público.
O Agente Secreto nos conduz por uma jornada ambientada na ditadura, mas, se perguntarmos quem é o “agente secreto” do título, poucos espectadores saberão responder com precisão. Nesse sentido, Trago Seu Amor oferece uma experiência mais acessível e identificável para o público comum. Seu humor não busca sofisticação, recorrendo ocasionalmente a piadas dispensáveis, mas sua jornada é tão clara e agradável que embarcamos junto com os personagens. Entre momentos ridículos, clichês e divertidos, o filme abraça sem vergonha o romantismo que, em maior ou menor grau, todos carregamos.
Seguindo as convenções clássicas da comédia romântica sem abrir mão do charme brasileiro, Trago Seu Amor entrega exatamente o que sua premissa promete: um entretenimento leve, capaz de proporcionar boas risadas e algumas reflexões. Nada excessivamente profundo ou político; nem mesmo o relacionamento entre Mia e René é tratado como um “problema social”, mas sim como parte de uma história que aposta na diversão em sua forma mais genuína.
Distribuído pela H2O Filmes em parceria com a RioFilme, Trago Seu Amor estreia nos cinemas em 11 de junho, uma data estratégica por coincidir tanto com o Dia dos Namorados e com o Mês do Orgulho LGBTQIA+.
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