Há séries que crescem aos poucos até encontrarem sua identidade. A Canção do Samurai, produção da HBO Max baseada no mangá Chiruran: Shinsengumi Requiem, parece ter chegado a esse momento em seu quinto episódio. Intitulado “O Pilar da Morte”, o capítulo reúne tudo aquilo que tornou a série tão envolvente até agora: estratégia militar, personagens carismáticos, tensão dramática e sequências de ação de tirar o fôlego.
A premissa já nasce poderosa. Em desvantagem numérica de 150 contra apenas 10 homens, os integrantes do Shinsengumi precisam usar inteligência, coragem e confiança mútua para sobreviver. É nesse cenário desesperador que o episódio encontra sua força, no estilo 300 de Esparta.
Se até aqui A Canção do Samurai vinha construindo cuidadosamente as relações entre os membros do grupo, “O Pilar da Morte” colhe os frutos desse trabalho. O episódio destaca o lado estratégico de Yamanami Keisuke, que prova ser muito mais do que uma figura de apoio. Seu raciocínio rápido e sua capacidade de manter a calma diante do caos transformam a batalha em um jogo de sobrevivência, mostrando que nem toda vitória nasce da força bruta.
Ao mesmo tempo, quem rouba a cena é Harada Sanosuke. Interpretado por Shuntarô Yanagi, o personagem ganha profundidade ao assumir uma postura quase suicida para garantir que seus companheiros tenham uma chance de reagir. É o tipo de heroísmo que define o espírito do Shinsengumi: homens imperfeitos, mas dispostos a sacrificar tudo pelos seus irmãos de armas. Sua sequência de destaque é incrível, digna dos melhores animes. O Ceifador Sinistro mostra o real motivo por trás de seu apelido.

Outro grande acerto do episódio 5 de A Canção do Samurai é mostrar, finalmente, o Shinsengumi de Kondo Isami em plena ação como equipe.
A série A Canção do Samurai sempre tratou o grupo como uma família construída em meio ao caos político do fim do xogunato, mas é aqui que entendemos por que esses homens entraram para a história japonesa. A coordenação, a confiança entre eles e a complementaridade de suas habilidades transformam a luta em algo muito maior do que um simples confronto de espadas.
E que lutas.
A direção de Kazutaka Watanabe entrega algumas das melhores sequências de ação vistas na televisão recente. Os combates são brutais, rápidos e emocionalmente carregados. Não há glamour excessivo. Cada golpe parece ter peso. A câmera acompanha os movimentos com energia, mas sem sacrificar a clareza, permitindo que o espectador compreenda a estratégia por trás de cada decisão tomada no campo de batalha e vendo finalmente toda a equipe em ação e o estilo de luta diferente de cada um. É muito legal.
Esse talvez seja o maior mérito de A Canção do Samurai: utilizar a ação como ferramenta narrativa. As lutas não existem apenas para impressionar visualmente. Elas revelam caráter, expõem medos e consolidam vínculos. Cada espada desembainhada carrega as convicções e os conflitos internos daqueles homens que tentam encontrar um propósito em meio a um Japão à beira da transformação.
Até aqui, a série já havia demonstrado qualidades importantes. O cuidado com a reconstrução histórica, os figurinos discretos e realistas, o excelente trabalho de Yuki Yamada como Hijikata Toshizo e a sensibilidade em retratar a irmandade entre os membros do Shieikan ajudaram a transformar a produção em uma das grandes surpresas do ano.
Mas é em “O Pilar da Morte” que tudo parece se encaixar de maneira definitiva.
O episódio combina espetáculo e emoção em doses equilibradas, reforçando que o verdadeiro coração da história não está apenas nas batalhas travadas contra inimigos externos, mas nos laços criados entre homens que escolheram caminhar juntos até o fim.
Se os primeiros capítulos de A Canção do Samurai apresentaram os personagens e estabeleceram os conflitos, o quinto episódio mostra o potencial máximo da série. É possível imaginar que a temporada ainda irá oferecer algo mais intenso, mais emocionante ou mais cinematográfico do que o que foi visto aqui.
Até agora, “O Pilar da Morte” não é apenas o melhor episódio de A Canção do Samurai. É também um dos melhores episódios de televisão de 2026.
Nota: 5/5
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