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Dia da Mulher Negra: obras de cinco cineastas mostram como mulheres negras estão transformando o cinema brasileiro

No 25 de julho, APAN destaca realizadoras que ampliam as narrativas sobre identidade, ancestralidade e resistência no audiovisual nacional

Por Caroline Teixeira
Última Atualização 23 de julho de 2026
7 Min Leitura
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Canal Brasil
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Celebrado em 25 de julho, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha vai além da homenagem à luta histórica contra o racismo e o sexismo. A data também convida à reflexão sobre a presença crescente de mulheres negras em espaços de criação artística e produção cultural. No cinema brasileiro, diretoras, roteiristas e produtoras têm desempenhado um papel fundamental na construção de novas narrativas, levando às telas histórias que por muito tempo permaneceram invisibilizadas.

Para marcar a ocasião, a Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro (APAN) selecionou cinco obras dirigidas por cineastas negras que ajudam a compreender a diversidade das experiências negras no Brasil. Em comum, os filmes abordam temas como ancestralidade, memória, identidade, afeto e resistência, ao mesmo tempo em que reafirmam o protagonismo feminino diante e atrás das câmeras.

Criada em 2016, a APAN atua no fortalecimento da participação da população negra no setor audiovisual e defende políticas voltadas à ampliação da diversidade no cinema brasileiro.

Joyce Prado e o legado de Luiz Gama

Entre os destaques está Joyce Prado, uma das principais referências do audiovisual negro contemporâneo. Em Chico Rei Entre Nós (2020), a diretora revisita a história do lendário rei congolês escravizado que conquistou a liberdade para estabelecer um diálogo entre passado e presente, refletindo sobre racismo estrutural, memória e resistência.

Falecida em 2025, Joyce deixou um legado importante para o cinema nacional, influenciando uma nova geração de realizadores comprometidos com narrativas negras.

A espiritualidade e o afeto em Eu, Negra

Com Eu, Negra (2022), Juh Almeida constrói uma narrativa marcada pela estética afrocentrada e pela valorização da espiritualidade feminina.

O filme encerra uma trilogia iniciada com Náufraga e Irun Orí e propõe uma reflexão sobre identidade, pertencimento e o reconhecimento da mulher negra a partir da ancestralidade.

Ruth de Souza revisitada por Juliana Vicente

Em Diálogos com Ruth de Souza (2022), Juliana Vicente presta homenagem à trajetória da atriz que abriu caminhos para gerações de artistas negros no Brasil.

O documentário reúne conversas gravadas ao longo de uma década com Ruth de Souza, resgatando sua contribuição para o teatro, o cinema e a televisão brasileiros, além de discutir memória, cultura afro-brasileira e representatividade.

O afeto como protagonista em Café com Canela

Premiado em diversos festivais nacionais e internacionais, Café com Canela (2017), dirigido por Glenda Nicácio, acompanha a relação entre duas mulheres negras marcadas pelo luto e pela reconstrução de suas vidas.

Ambientado na cidade histórica de Cachoeira, na Bahia, o longa aborda temas como cuidado, amizade e pertencimento, oferecendo personagens negras complexas e distantes dos estereótipos frequentemente presentes no audiovisual.

Mulheres negras na música em Diaspóricas

Fechando a seleção, a série documental Diaspóricas, dirigida por Ana Clara Gomes, acompanha artistas negras da música brasileira para discutir ancestralidade, criação artística e identidade.

A produção evidencia como a cultura funciona como instrumento de resistência e de preservação da memória, ao reunir experiências de mulheres de diferentes territórios e gerações.

Segundo a APAN, a presença crescente de mulheres negras na direção, no roteiro e na produção audiovisual tem contribuído para transformar o cinema brasileiro.

Ao ocupar espaços historicamente restritos, essas realizadoras ampliam as formas de representar a população negra nas telas, rompem estereótipos e fortalecem narrativas que dialogam com memória, território, afetividade e justiça social.

Canal Brasil revisita o legado das mulheres negras na música

As homenagens ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha também chegam à televisão. No dia 25 de julho, o Canal Brasil exibe a série Abre Alas, produção original dirigida por Maristela Mattos que propõe um diálogo entre diferentes gerações de artistas negras da música brasileira.

Dividida em seis episódios, a série acompanha a cantora Agnes Nunes em encontros com nomes que ajudaram a abrir caminhos na música nacional, como Elza Soares, Sandra Sá, Margareth Menezes, Preta Gil, Liniker e Tássia Reis.

Mais do que entrevistas, cada episódio combina conversas sobre carreira, racismo, ancestralidade e protagonismo feminino com apresentações musicais inéditas. Os duetos entre Agnes e suas convidadas evidenciam como diferentes gerações compartilham experiências de resistência e reafirmação da identidade negra por meio da arte.

Ao reunir artistas de estilos e trajetórias distintas, Abre Alas estabelece uma ponte entre passado e presente, mostrando como o legado das precursoras continua inspirando novas vozes da música brasileira.

Embora abordem linguagens diferentes, as iniciativas da APAN e do Canal Brasil convergem ao destacar o papel das mulheres negras na construção da cultura brasileira. Enquanto as cineastas selecionadas pela associação ampliam as possibilidades de representação no cinema, Abre Alas evidencia como cantoras de diferentes gerações abriram espaço para novas artistas e ajudaram a transformar a música popular brasileira.

No Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, essas produções reforçam que representatividade não se limita à presença nas telas, mas envolve também quem escreve, dirige, canta, produz e preserva histórias capazes de ampliar o repertório cultural do país.

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PorCaroline Teixeira
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Caroline Teixeira é estudante de Serviços Jurídicos e Notarial, Psicologia e Psicanálise, apaixonada por palavras, cultura e boas relações, acredita que a arte pode ser uma ótima ferramenta para a evolução da psique humana.

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