O terceiro episódio de Lanterna Verde, sem dúvidas, é um dos mais interessantes da temporada, e posso dizer isso mesmo sem ter visto episódios futuros, pois esse trabalha quem é John Stewart.
A essência de John Stewart é uma mescla de um militar eficientemente treinado desde criança, um fuzileiro naval, franco-atirador de excelência, com a de um artista, um desenhista nato. E isso é deveras interessante porque traz diversas camadas para o herói, inclusive passando por diversos traumas familiares para que cresça como uma pessoa sem medo.
Entretanto, um dos momentos raros desse episódio em que vemos John sorrir é quando ele está desenhando, e isso é muito lindo e significativo.
Por que não vemos isso quando ele está trabalhando? Quando ele está seguindo ordens, quando ele está obedecendo seus pais ou seus superiores?
Mas vemos John sorrir quando ele está desenhando. Ali vemos seus olhos brilhando, ali vemos suas feições totalmente diferentes.
Um outro momento em que talvez isso pudesse acontecer é quando ele vai dar a grande notícia que espera desde criança, tanto ele quanto seus pais. E ali ele está orgulhoso, porém Hal Jordan acontece, propositadamente inconveniente.
O episódio 3 de Lanternas é o mais importante com relação ao racismo também, mostrando um pouco como as coisas são diferentes para uma família negra, para um pai de família negro e uma mãe negra, Bernadette, vivida com dureza e beleza por Jasmine Cephas Jones.
É totalmente representativo quando ela diz que todo menino irá querer ser como ele, esse é o tamanho da responsabilidade dele, ser um herói não é nada fácil, mas ser um super-herói negro é outro nível.
E isso nos leva justamente à questão dos pais de John. O episódio mostra um treinamento que, para alguns espectadores, pode ser bastante incômodo, porque existe uma cobrança muito grande e pesada para que ele seja escolhido pelos Guardiões.

Uma questão complexa é como os pais estão muito mais preocupados com a possibilidade de John ser escolhido do que com aquilo que ele realmente quer ou com o que ele vai sentir. Há uma toxicidade.
E isso torna tudo ainda mais interessante, porque estamos falando de um personagem que passou a vida inteira sendo preparado para ser alguém que talvez ele nem quisesse ser. Com 5 anos ele não queria uma arma. Queria lápis de cera.
O episódio consegue mostrar que John não nasceu simplesmente como aquele militar extremamente disciplinado. Ele foi moldado por sua família, pelas expectativas e pelos traumas que carregou.
As cenas de John ainda criança, aprendendo a não ter medo, são muito importantes porque ajudam a entender o homem que estamos acompanhando agora.
E existe uma atenção aos detalhes. As aves, por exemplo, e principalmente os buracos de bala na porta da garagem, que vão ficando cada vez mais altos conforme John cresce.

É um detalhe aparentemente pequeno, mas que conta uma história inteira sem precisar explicar nada.
Você vê John crescendo e, ao mesmo tempo, vê aquele treinamento acompanhando o crescimento dele. É quase como se aquela porta registrasse fisicamente a infância e a transformação do personagem.
E aí entra também a entrevista, mostrando como tudo aquilo que aconteceu na vida de John foi impactando quem ele se tornoua.
Aaron Pierre está muito bem nesse episódio. Para mim, fica cada vez mais claro que ele é a grande estrela dessa série, pois consegue transmitir muita coisa sem precisar falar. Pequenas expressões, contidas.
Algo interessante é que todas essas informações não servem apenas para tornar o terceiro episódio bom. Elas fazem os dois episódios anteriores ficarem melhores.
Depois que você entende determinadas coisas sobre John, algumas cenas que pareciam apenas pequenas ou estranhas ganham outro significado. Como quando encontra o uniforme de Hal Jordan.
Mas volto aqui a ressaltar como os desenhos dele importam. Porque, quando John desenha, não estamos vendo o soldado. Não estamos vendo o homem que precisa obedecer ordens e jamais sentir medo.
Estamos vendo a alma de John Stewart. Artística, criativa, imaginativa, feliz, pura.
E essa é uma das coisas mais interessantes que esse episódio consegue fazer: mostrar que, por trás de toda aquela disciplina, existe uma pessoa que ainda está tentando descobrir quem realmente é.
E é isso que espero de uma série como Lanternas, com potencial para ser muito maior do que simplesmente uma série sobre dois homens investigando um crime.
Nessa direção, a série, o DCU, pode entregar muito mais do que muita gente esperava.
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