Histórias de 28 mulheres que enfrentaram o câncer serão transformadas em arte durante o Outubro Rosa no Rio de Janeiro. A exposição ARTE EM MET.AMOR.FASES — Cortes & Cores ed. 2026 abre ao público em 8 de outubro, na Galeria De Portas Abertas, no Via Parque Shopping.
Com direção artística de Marcos Lopes e Mayco Soares, a mostra parte de experiências e características reais das participantes para criar obras inéditas. O projeto utiliza body painting, fotografia, pintura e inteligência artificial em diferentes etapas do processo.
A abertura acontece às 18h e a exposição permanece em cartaz até 31 de outubro. A entrada é gratuita, com ingressos disponibilizados pelo Sympla.
Realizada pelo Instituto APPA e pela MS Consultoria, com patrocínio do Instituto ABIHPEC, a iniciativa coloca o corpo feminino no centro de uma narrativa sobre identidade, autoestima e transformação.
O processo começa com as histórias e os corpos das 28 participantes. A maquiagem corporal e a fotografia incorporam elementos relacionados às experiências de cada mulher, incluindo cicatrizes, mamas e outras marcas deixadas pelo tratamento.
Os registros foram realizados pelo fotógrafo Alexandre Neves. A caracterização e a pós-produção ficaram sob responsabilidade de Mayco Soares.
Na etapa seguinte, as fotografias passaram por processos de inteligência artificial. A tecnologia ajudou a desenvolver protótipos digitais que combinam as histórias das participantes com o universo visual do artista plástico Marcos Lopes.
A partir desses estudos, Lopes produziu 28 telas físicas e inéditas. O resultado permanece em segredo até a abertura da exposição, quando será apresentado ao público e às próprias mulheres que participaram do projeto durante o Outubro Rosa.
A curadoria organiza as obras em cinco atos: Arte Sacra, Ancestralidade, Metamorfose, Presença em Cena — O Teatro dos Gatos e Inteligência Artificial Contra o Padrão.
A divisão acompanha diferentes possibilidades de olhar para as histórias e experiências reunidas durante o projeto.
A tecnologia ocupa um papel específico na construção das obras. Segundo a proposta da exposição, a inteligência artificial serviu como ferramenta de apoio ao processo criativo, sem substituir as fotografias ou as participantes.
O trabalho também buscou evitar um dos problemas recorrentes das representações produzidas por inteligência artificial: a padronização dos corpos.
Foram produzidas, em média, 40 imagens por participante até chegar às texturas e narrativas desejadas. Imagens que rejuvenescem artificialmente as mulheres, modificam seus corpos ou eliminam características individuais foram descartadas.
A preocupação dialoga diretamente com a proposta da exposição. Em vez de criar um padrão visual para representar as mulheres, o projeto procura preservar suas diferenças.
A exposição está ligada ao De Bem Com Você – Beleza, Cuidado e Autoestima, programa do Instituto ABIHPEC voltado a pacientes em tratamento oncológico.
A iniciativa utiliza o autocuidado e a beleza como instrumentos de acolhimento e fortalecimento da autoestima. A exposição amplia essa abordagem ao levar as histórias das participantes para o campo das artes visuais.
“Essa exposição amplia um propósito que já faz parte do De Bem Com Você: acolher cada mulher em sua individualidade, reconhecendo em sua história expressões de força, identidade e beleza. A arte nos permite ressignificar essas vivências e construir novas possibilidades de olhar, expressão e conexão”, afirma Cláudio, diretor voluntário do Instituto ABIHPEC.
O projeto foi idealizado por Angelina Seixas, gerente executiva, a partir de uma iniciativa que surgiu nos corredores do Instituto ABIHPEC, em São Paulo.
A ideia inicial consistia em fotografar mulheres maquiadas. O conceito mudou quando a caracterização passou a incorporar as marcas corporais relacionadas ao tratamento e as participantes começaram a compartilhar suas histórias diante das câmeras.
A escuta dessas experiências também exigiu uma abordagem cuidadosa. Uma mesa-redonda com acompanhamento da psicóloga Luciana Pontes contribuiu para a concepção do projeto.
Foi nesse processo que o conceito de “FASES” ganhou importância. A ideia considera que cada mulher possui seu próprio tempo para lidar com as diferentes etapas do câncer e do tratamento.
A relação entre arte e acolhimento também aparece no trabalho do Instituto APPA (Amigas do Peito Por Aí), criado por Jô Monteiro.
O instituto atualmente reúne 5 mil mulheres cadastradas e desenvolve atividades culturais desde 2009. Entre elas estão coral, teatro, fotografia, formação de plateia e visitas culturais.
A experiência pessoal de Jô com o tratamento oncológico teve papel importante na criação do projeto. Atriz de formação, ela encontrou na arte e na cultura ferramentas para atravessar um período de mudanças e decidiu ampliar essa experiência para outras mulheres.
“Acreditamos que a arte cura! O contato com o fazer artístico melhora a autoestima agregando leveza e fôlego em uma fase desafiadora na vida dessas mulheres”, afirma Jô Monteiro.
Essa relação também aparece nas oficinas de acolhimento “Proibidonas”, conduzidas pelo codiretor artístico e educador voluntário Mayco Soares.
“Não só acolho como voluntário; também sou acolhido. Elas também se tornaram minha rede de apoio”, destaca Mayco.
Com a exposição, essas experiências ganham uma dimensão pública. As histórias das participantes deixam os espaços de atendimento e convivência e chegam a uma galeria de arte, onde passam a ser observadas por diferentes públicos.
Serviço
Exposição: ARTE EM MET.AMOR.FASES — Cortes & Cores ed. 2026
Abertura: 8 de outubro de 2026, às 18h
Período: 8 a 31 de outubro de 2026
Local: Galeria De Portas Abertas — Via Parque Shopping
Endereço: Avenida Ayrton Senna, 3000, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro
Horário: segunda a sábado, das 10h às 22h; domingos e feriados, das 13h às 21h
Entrada: gratuita
Ingressos: disponibilizados pelo Sympla
Siga-nos e confira outras notícias @viventeandante e no nosso canal de whatsapp!



