Dirigido por Jean-François Richet, Código: Vingança entrega mais um filme de ação de Jason Statham, jogando seguro com os mesmos ganchos e emoções que aprendemos a gostar nessas produções
Se pegarmos isoladamente uma foto de Código: Vingança, com Jason Statham apontando uma arma, existem poucas coisas que realmente a tornam diferente de outras imagens de ação do ator. Afinal, o astro, que se aproxima dos 60 anos, construiu uma carreira sólida e orgulhosa dentro do gênero e, aparentemente, não demonstra qualquer intenção de parar. Suas produções revolucionam o cinema de ação? Não. Porém, continuam aparecendo entre os títulos mais assistidos dos streamings por um motivo bastante específico: Statham sabe exatamente qual público quer atingir.
Código: Vingança acompanha Cole Reed, mais um personagem estoico que o ator sabe interpretar tão bem. Sempre de bom coração, mas dono de uma personalidade séria e profissional que raramente deixa transparecer seus sentimentos. Quando seu empregador e figura paterna é assassinado de forma cruel, Reed se infiltra em um barco em busca de vingança, descobrindo um esquema de contrabando humano e sendo forçado a lutar não apenas pela própria sobrevivência, mas pela de todas aquelas pessoas.

Jason Statham em cena de “Código: Vingança”- Divulgação Paris Filmes
O roteiro é genérico e a atuação de Statham, que também produz o filme, é essencialmente a mesma de sempre, quase como se estivéssemos diante do mesmo personagem brucutu em todas as suas produções. E isso é curioso porque o ator possui potencial para muito mais. Depois de tantos filmes estruturalmente semelhantes, tudo começa a se transformar em uma enorme maçaroca, na qual já não sabemos diferenciar uma produção da outra. Resta aproveitar os momentos de violência gratuita e o estímulo rápido e eficiente que o filme proporciona, mas nada muito além disso.
A narrativa no estilo Duro de Matar (1988, John McTiernan), em que um homem de fora se infiltra em um universo tomado por terroristas e inimigos, já se encontra bastante desgastada. Quando um roteiro como o de Código: Vingança se torna conveniente a ponto de praticamente tudo funcionar de maneira “perfeita demais”, a suspensão de descrença do espectador começa a ser colocada à prova.
Clichês básicos, como Cole Reed assumir a identidade de um marinheiro que, coincidentemente, é praticamente sua cara, ou os tiros dos capangas que raramente conseguem acertá-lo, caminham lado a lado com questões menos óbvias, como a ausência de um romance entre Statham e a única personagem feminina que realmente possui alguma função dentro da trama. Ainda assim, o sentimento de déjà-vu se torna cada vez mais constante.
Desta vez, o ator se utiliza de armas como ganchos e arpões, além da clássica arma de fogo, sempre disponível quando mais precisa, e cujas balas parecem nunca acabar. Talvez seja justamente essa falta de realismo que atraia o público a um filme de Statham em vez de uma produção da franquia John Wick, por exemplo. Aqui, a física e a lógica existem apenas até onde são convenientes para a próxima sequência de ação.

Jason Statham em cena de “Código: Vingança”- Divulgação Paris Filmes
O Baba Yaga de Keanu Reeves se leva muito mais a sério do que Cole Reed, que nunca abandona a carranca, mesmo nos momentos mais ternos. Ela parece existir principalmente para que o protagonista não atravesse sua jornada completamente sozinho, enquanto o roteiro tenta construir, de maneira pouco convincente, um arco dramático envolvendo família e maternidade. No fim, porém, dentro de uma produção como Código: Vingança, o que realmente importa são as mortes, as lutas e o carisma de Statham.
A fotografia pode ser plástica demais em determinados momentos, utilizando uma paleta que chega a fazer o próprio personagem desaparecer dentro do cenário. A trilha sonora, por sua vez, tenta conferir uma dimensão épica à produção, enquanto sequências como a luta na plataforma demonstram que ainda existe algum vigor nas cenas de ação.
O problema é que essas qualidades não são suficientes para transformar Código: Vingança em algo maior do que um filme de streaming que provavelmente chegará ao Top 10 com facilidade, e permanecerá por lá até que o próximo filme de Jason Statham assuma seu lugar.
Distribuído pela Paris Filmes, Código: Vingança chega aos cinemas no dia 10 de setembro.
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