Dirigido por Walter de Assis, The Fox Sisters explora o começo do movimento espírita por meio de sequências tão dramáticas e exageradas que acaba transmitindo justamente o efeito contrário ao que pretende
Em uma das maiores produções de Walter de Assis, The Fox Sisters continua o fascínio do diretor por representações e discussões sobre o movimento espírita. Desta vez, a produção volta aos primórdios da doutrina para acompanhar as irmãs Fox, figuras fundamentais para a popularização do espiritismo. O problema é que os mesmos equívocos presentes em outros trabalhos de Assis continuam aqui, impedindo que uma história com tanto potencial realmente levante voo.
As desventuras das irmãs são filmadas como se pertencessem a uma espécie de filme de terror. A paleta escura, a atmosfera amedrontadora e a presença dos “espíritos” que conversam com elas aproximam o longa de uma linguagem que remete diretamente às produções de James Wan. O curioso é que, em uma obra construída sob outra perspectiva, essas mesmas sequências poderiam adquirir uma temática completamente diferente. Aqui, porém, a encenação insiste tanto em um conforto, que tudo bem um espírito responder e falar em você em alto e bom som, que acaba dificultando a compreensão daquilo que o filme pretende discutir.
A principal mensagem surge por meio de uma Leah Fox envelhecida, arrependida de ter explorado os dons das próprias irmãs até os limites e, consequentemente, impedido que elas tivessem uma “vida normal”. Existe uma história naturalmente cinematográfica nesse percurso, repleta de reviravoltas e acontecimentos já conhecidos dentro do imaginário espírita. Ainda assim, Assis opta por estruturá-la a partir de exageros e conveniências narrativas.

Jamie Hughes, Sionne Elise e Marie Mchugh em cena de “The Fox Sisters”- Divulgação Cinética Filmes
Mesmo partindo de acontecimentos reais, The Fox Sisters não busca exatamente uma representação histórica, mas uma espécie de fábula fantástica que, por vezes, parece não encontrar fundamento dentro da própria proposta.
As atuações carregadas e os diálogos com estrutura de novela também não ajudam. Os beats estão todos ali, esperando apenas o intervalo comercial. A dramaticidade é tão elevada e, em determinados momentos, tão cartunesca, que a situação deixa de parecer trágica e passa a funcionar quase como uma paródia involuntária.
Isso se torna ainda mais evidente em momentos como a aparição de uma multidão raivosa, formada por poucas pessoas com tochas e forcados, ou quando um jornal anuncia que as irmãs Fox estão prestes a transformar o espiritismo para, na sequência, mostrar as personagens novamente sofrendo porque ninguém acredita nelas. São escolhas que poderiam funcionar dentro de uma fantasia deliberadamente exagerada, mas que aqui contribuem para afastar o público da própria história que o filme deseja contar.
The Fox Sisters poderia ganhar força justamente ao tratar o surgimento do espiritismo como algo a ser explorado em suas contradições, crenças e consequências. Em vez disso, a produção parece mais interessada no caos e em situações desnecessárias, incluindo brigas infantis entre as irmãs e manifestações espirituais que reforçam constantemente a sensação de que estamos diante de um filme de terror. O resultado é uma obra que parece indecisa sobre o próprio gênero e sobre o tom que deseja estabelecer.

Jamie Hughes, Sionne Elise e Marie Mchugh em cena de “The Fox Sisters”- Divulgação Cinética Filmes
Novamente, Walter de Assis tenta construir um filme voltado ao grande público, mas acaba entregando uma produção que sequer consegue apresentar com clareza os principais fundamentos do espiritismo. O resultado é um marasmo que se estende por mais de duas horas, marcado por momentos de evidente barriga e por interações que poderiam ser muito mais desenvolvidas. As atuações das atrizes iniciantes também não encontram a dramaticidade necessária para sustentar uma narrativa que exige muito de suas personagens.
Ao final, depois de muito desgaste e uma sucessão de situações exageradas, The Fox Sisters mergulha no universo do espiritismo com superficialidade e uma abordagem que poderia ter sido muito melhor cuidada. A história das irmãs Fox possui material suficiente para um grande filme, mas a produção acaba soterrada pelo próprio excesso, transformando uma narrativa potencialmente fascinante em uma experiência que, involuntariamente, se aproxima mais da caricatura do que da reflexão.
Distribuído pela Cinética Filmes, The Fox Sisters chega aos cinemas no dia 24 de setembro de 2026.
Siga-nos e confira outras notícias @viventeandante e no nosso canal de whatsapp!



