Dirigido por Junji Shimizu, One Piece: O Filme entrega uma jornada rápida que agrada tanto aos fãs quanto aos passageiros de primeira viagem justamente por ser ágil, divertida e ter o coração no lugar certo.
Enquanto, com Resident Evil, eu não tinha nenhum contato anterior antes de assistir à produção de Zach Cregger, com One Piece eu apresentava pelo menos uma pequena introdução. Afinal, o live-action da Netflix proporcionou uma porta de entrada para muitos novos fãs que se intimidam quando descobrem que o anime já ultrapassou os 1120 episódios, e contando.
Por consequência, algumas questões básicas eu já conhecia: o universo é absurdo, o humor é ridículo e os personagens apresentam muita, mas muita alma. Monkey D. Luffy não é um protagonista qualquer. Ele é um farol de bondade, esperança e carisma. Ao mesmo tempo, toda a tripulação possui camadas, qualidades e defeitos que ajudam a explicar por que One Piece permanece tão querido depois de tantos anos. Existe um apreço genuíno por sua mitologia, mas principalmente pelas pessoas que habitam esse mundo.
Lançado originalmente nos anos 2000, ainda na época de ouro do anime, o lançamento oficial de One Piece: O Filme nos cinemas brasileiros traz uma dublagem inédita e marca a primeira vez que a produção recebe o tratamento de tela grande por aqui. E, nesse quesito, o filme não decepciona. A dublagem abraça regionalismos nordestinos e diálogos extremamente rápidos, encontrando humor não apenas no que é dito, mas na maneira como os personagens encaram situações completamente absurdas com a maior naturalidade.

Cena de “One Piece: O Filme”- Divulgação Paris Filmes
Em determinado momento, Luffy e Zoro estão acorrentados a uma âncora diante de Eldorado, um gigantesco pirata com aparência de leão. Luffy se apresenta da maneira mais tradicional possível: “Eu sou Monkey D. Luffy e eu serei o rei dos piratas”. Quando chega a vez de Zoro, porém, o espadachim simplesmente responde: “Vai encarar?”.
É justamente essa inteligência da dublagem que torna o filme tão divertido. Os risos surgem tanto das situações quanto da forma como certas interações são conduzidas de forma rápida e completamente imprevisível. Mas, muito além da comédia, One Piece: O Filme consegue construir, em pouco mais de 50 minutos, um arco dramático extremamente eficiente, algo que muitas produções com o dobro da duração e mais de quatro vezes o orçamento não conseguem fazer.
A ambição de Tobio, um jovem que deseja participar da tripulação do grande e misterioso pirata Woonan e não “perder tempo” cozinhando como seu avô Ganzo, funciona como o principal motor dramático da história. Assim como Luffy e os demais integrantes do Going Merry, Tobio é movido pela vontade de se tornar algo maior do que aquilo que já é. Quando Ganzo apresenta sua versão da história sobre o tesouro de Woonan, porém, o filme encontra uma maneira simples e eficiente de fazer o público parar e refletir sobre o verdadeiro significado de perseguir um sonho.
One Piece sempre teve cuidado com suas jornadas. Entre comédia, Akumas no Mi, batalhas grandiosas e muito bem orquestradas, e todo tipo de maluquice, a obra nunca esquece seu fundamento mais importante: a busca por sonhos que ultrapassam ouro e pedras preciosas. É justamente pela franqueza com que seus personagens perseguem aquilo em que acreditam que a franquia continua encontrando conexão com diferentes gerações.

Cena de “One Piece: O Filme”- Divulgação Paris Filmes
A exibição do curta-metragem Carnaval de Dança do Jango (2001) junto à produção também ressalta o tamanho do universo de One Piece e as diferentes possibilidades de experimentá-lo. Se a dimensão do anime pode assustar espectadores mais leigos, este lançamento funciona como uma porta de entrada acessível para esse mundo. Ao mesmo tempo, recheado de nostalgia, consegue cativar os fãs tradicionais que já conhecem e reconhecem cada detalhe.
Ao final, One Piece: O Filme é exagerado, carismático e feito com muito amor. Seja nas sequências caóticas de ação e comédia ou nos momentos mais dramáticos, apresentados em uma paleta de rosas e azuis que ressalta o olhar, a produção pode não alcançar os melhores momentos do anime, mas sabe exatamente o que quer ser, e principalmente, como chegar lá.
Distribuído pela Paris Filmes, One Piece: O Filme chega aos cinemas no dia 24 de setembro.
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