O trabalho de investigação desenvolvido por Ana Paula Araújo sobre a violência contra a mulher acaba de receber um dos principais reconhecimentos do jornalismo brasileiro. Agressão – A escalada da violência doméstica no Brasil, publicado pela Globo Livros, foi escolhido vencedor da categoria Livro-reportagem do 48º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.
O anúncio aconteceu durante a sessão pública de julgamento realizada nesta quarta-feira, 30 de setembro. A edição de 2026 recebeu 346 inscrições, com 21 trabalhos selecionados como finalistas em sete categorias.
O prêmio reconhece produções jornalísticas relacionadas à defesa dos direitos humanos e também preserva a memória de Vladimir Herzog, jornalista assassinado pela ditadura militar em 1975.
Em Agressão, Ana Paula Araújo investiga as diferentes formas de violência de gênero e os mecanismos que contribuem para a continuidade desse problema no país.
Para realizar a apuração, a jornalista percorreu todas as regiões brasileiras e ouviu pessoas diretamente envolvidas com os casos, além de profissionais e pesquisadores de diferentes áreas.
Entre as fontes consultadas estão vítimas, agressores, familiares, médicos, psicólogos, juristas, policiais e pesquisadores.
A investigação aborda manifestações diversas da violência contra a mulher, passando por agressões físicas, psicológicas e sexuais e chegando a formas de violência institucional e virtual.
O resultado é um livro-reportagem que combina investigação jornalística e relatos pessoais para construir um panorama sobre a violência de gênero no Brasil.
Jurados destacam investigação e experiência pessoal da autora
Durante o julgamento, os jurados ressaltaram justamente a dimensão investigativa do trabalho e a participação de Ana Paula na apuração.
Na avaliação divulgada pelo prêmio, Agressão foi descrito como uma obra que combina o embasamento dos fatos com sua relevância histórica.
Os jurados também destacaram que a investigação poderia ter se limitado a arquivos de veículos de comunicação ou órgãos públicos, mas contou com entrevistas de pessoas diretamente envolvidas nos casos e com o testemunho da própria autora.
Para o júri, essa combinação transforma o livro em uma obra investigativa relevante para o debate contemporâneo sobre violência contra a mulher.
Agressão também representa uma continuidade do trabalho desenvolvido por Ana Paula Araújo em Abuso – A cultura do estupro no Brasil, publicado anteriormente pela Globo Livros.
As duas obras partem de uma extensa apuração jornalística e utilizam relatos de vítimas para investigar diferentes manifestações da violência de gênero.
Enquanto Abuso se concentrou na cultura do estupro no Brasil, Agressão amplia o olhar para a escalada da violência doméstica e para diferentes mecanismos que permitem sua permanência na sociedade.

A jornalista utiliza a experiência acumulada em décadas de televisão e reportagem para aproximar a investigação de histórias concretas e das pessoas diretamente afetadas pelo problema.
Ana Paula Araújo tem trajetória no jornalismo
Nascida no Rio de Janeiro e criada em Juiz de Fora, Minas Gerais, Ana Paula Araújo é formada em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense.
Ela começou no jornalismo aos 18 anos, como estagiária da Rádio Globo, antes de migrar para a televisão. Ao longo da carreira, passou pelas bancadas do Bom Dia Rio e do RJTV.
Atualmente, apresenta o Bom Dia Brasil e participa do rodízio de apresentadores do Jornal Nacional.
Em 2011, integrou a equipe de Jornalismo da Globo que recebeu o Emmy Internacional pela cobertura da ocupação do Complexo do Alemão.
A jornalista também é autora de Abuso – A cultura do estupro no Brasil, publicado pela Globo Livros.
A cerimônia de entrega do 48º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos será realizada no dia 20 de outubro, no Tucarena, em São Paulo.
Antes da cerimônia, está prevista uma roda de conversa com os autores dos trabalhos vencedores.
Com o reconhecimento de Agressão, Ana Paula Araújo amplia a trajetória de seu trabalho dedicado à investigação da violência contra a mulher e leva novamente o tema para o centro do debate jornalístico.
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