O cinema documental brasileiro ganha destaque no Rio de Janeiro com a sexta edição da Sinédoque – Festival Nacional de Documentários Curtos. Entre 4 e 8 de novembro, o evento apresenta 23 produções nacionais no Estação Claro Rio, em Botafogo. Todas as sessões têm entrada gratuita.
A programação reúne filmes das cinco regiões do país, distribuídos em seis sessões temáticas. Os encontros incluem debates com o público, duas masterclasses gratuitas e uma cerimônia de premiação. Ao todo, cinco produções receberão troféus nesta edição.
Criada em 2021, durante a pandemia, a Sinédoque começou no ambiente digital. Desde então, o festival se consolidou como espaço de difusão do documentário brasileiro em curta-metragem.
A proposta é valorizar o curta como formato cinematográfico independente, com espaço próprio nas salas de exibição. “Acreditamos no curta como uma forma de expressão cinematográfica com valor próprio, e não apenas como um caminho para chegar ao longa-metragem”, destaca Lucas Vasconcellos, diretor do festival.
Filmes abordam memória, política, cultura e direitos humanos
A seleção deste ano percorre temas como racismo, violência urbana, migração, ancestralidade, meio ambiente e manifestações artísticas. Os documentários apresentam diferentes perspectivas sobre o Brasil contemporâneo, combinando histórias individuais e coletivas.
Entre os destaques está Helena! Cinema!, de Cavi Borges e Christian Caselli. O filme celebra a trajetória de Helena Ignez, atriz e cineasta fundamental para o cinema brasileiro.
Outro título é Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique. A produção pernambucana revisita o embate entre a cidade de Olinda e a chegada de uma unidade do McDonald’s. O curta também está elegível e na corrida por uma indicação ao Oscar 2027, na categoria de Melhor Documentário em Curta-Metragem.
Já Réquiem para Moïse, de Susanna Lira e Caio Barretto Briso, aborda o assassinato do jovem imigrante congolês Moïse Kabagambe. O documentário expõe questões relacionadas ao racismo e à violência contra refugiados africanos no Brasil.
Seis sessões temáticas apresentam diferentes olhares
As produções estão organizadas em seis sessões competitivas. A programação começa em 5 de novembro, com Ordem Mundial, que reúne filmes sobre disputas ideológicas, memória e transformações políticas.
Na mesma noite, Mulheres em Perfil apresenta histórias de mulheres ligadas à resistência, à criação artística e aos saberes ancestrais.
No dia 6, a sessão Arquivo e Memória utiliza imagens históricas e documentos para revisitar acontecimentos e recuperar narrativas esquecidas. Mais tarde, Cultura de Rua destaca manifestações como hip-hop, poesia falada, dança e arte urbana.
Três produções cariocas integram Cultura de Rua: Versos da Rua, sobre batalhas de poesia e rodas culturais; Filme em Cartaz, que dá voz a um cartaz de rua; e Luis do Charme, que recupera a trajetória de um homem dedicado à dança.
No sábado, 7 de novembro, a sessão Violência Carioca reúne documentários sobre racismo, desigualdade e violência nas favelas do Rio. A programação termina com Queridinhos, que aposta no humor, na música e na poesia presentes em situações cotidianas.
Festival oferece masterclasses gratuitas
A Sinédoque também promove duas masterclasses presenciais, ambas com três horas de duração e vagas limitadas. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo site oficial do festival.
No dia 5 de novembro, das 15h às 18h, a roteirista Rita Toledo ministra Roteiro para Documentário: argumento, pesquisa, montagem e linguagem híbrida.
A atividade acontece em parceria com o Projeto Paradiso, por meio do programa Paradiso Multiplica. A partir do filme Morro Grande, escrito e dirigido por Rita Toledo e Isabel Joffily, a roteirista discute pesquisa, construção narrativa e os desafios da escrita documental.
No dia 6, também das 15h às 18h, o artista visual e pesquisador Rafael Cosme apresenta Fabular o Brasil: arquivos, fotografia e memória.
O encontro parte do projeto O Passado é Um Ponto de Luz, acervo de fotografias amadoras do Rio de Janeiro reunidas ao longo de mais de uma década. A atividade inclui a exibição do curta-metragem homônimo, dirigido por Tadeu Bijos.
Júri e premiação
O júri reúne profissionais com diferentes experiências no audiovisual e na crítica cultural. Entre os nomes confirmados estão Ana Bovino, diretora e produtora selecionada para a Sundance Institute Latin Scholarship; Flavia Candida, cineasta e curadora; e Gabriel Trigueiro, escritor, crítico literário e doutor em História Comparada pela UFRJ.
A organização concederá cinco prêmios. O público escolherá três produções, enquanto o júri oficial definirá o Prêmio do Júri e uma Menção Honrosa.
Os vencedores serão anunciados em 8 de novembro, durante a sessão de encerramento, às 18h. A cerimônia terá entrega de troféus e exibição dos filmes premiados.
Serviço
6ª Sinédoque – Festival Nacional de Documentários Curtos
- Data: 4 a 8 de novembro de 2026
- Local: Estação Claro Rio – Sala 1
- Endereço: Rua Voluntários da Pátria, 35, Botafogo, Rio de Janeiro
- Entrada: gratuita
- Inscrições para as masterclasses: www.sinedoque.com.br
- Programação e informações: www.sinedoque.com.br
Destaques da programação
- 4 de novembro, às 20h: abertura
- 5 de novembro, às 15h: masterclass com Rita Toledo
- 5 de novembro, às 18h: sessão Ordem Mundial
- 5 de novembro, às 20h: sessão Mulheres em Perfil
- 6 de novembro, às 15h: masterclass com Rafael Cosme
- 6 de novembro, às 18h: sessão Arquivo e Memória
- 6 de novembro, às 20h: sessão Cultura de Rua
- 7 de novembro, às 18h: sessão Violência Carioca
- 7 de novembro, às 20h: sessão Queridinhos
- 8 de novembro, às 18h: encerramento e premiação
Todas as exibições são gratuitas. As masterclasses têm vagas limitadas.
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