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Com A Princesa Lavínia, a Savana Filmes projeta um período de intensa atividade e reforça seu compromisso com um cinema brasileiro mais plural e conectado às urgências sociais do presente.
Cinema e Streaming

A Princesa Lavínia: Filme transforma racismo infantil em debate sobre autoestima e representatividade

Por Caroline Teixeira
Última Atualização 13 de maio de 2026
5 Min Leitura
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Foto: Cafofo do Mamute Espaço de Criação (Paris)
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O cinema brasileiro ganha em breve uma nova obra centrada na infância negra, autoestima e pertencimento. Em desenvolvimento pela Savana Filmes, o longa-metragem A Princesa Lavínia, dirigido e roteirizado por Vandré Ventura, aborda os impactos do racismo infantil a partir da história de uma menina negra que passa a questionar sua própria identidade após ser ridicularizada na escola por imaginar-se uma princesa.

A produção, contemplada pela Lei Paulo Gustavo, marca um novo momento na trajetória de Vandré Ventura, que se consolida agora como realizador autoral após anos atuando nos bastidores do audiovisual brasileiro. O projeto também reforça a proposta da Savana Filmes de ampliar espaços para narrativas negras e periféricas dentro do cinema nacional.

A trama de A Princesa Lavínia parte de uma situação cotidiana marcada por violência simbólica.

Após sofrer racismo na escola por se imaginar como uma princesa, a pequena Lavínia enfrenta o impacto da exclusão e da falta de representatividade nos imaginários infantis.

Diante da situação, sua mãe decide transformar a festa de aniversário da filha em um gesto de afirmação e acolhimento. Mas, ao buscar referências de “rainhas negras” para inspirar a celebração, ela percebe a escassez de imagens, histórias e personagens negros ocupando espaços tradicionalmente associados à beleza, fantasia e protagonismo.

A partir dessa busca, A Princesa Lavínia mergulha em temas como ancestralidade, afetos familiares, racismo estrutural e construção da autoestima negra, propondo uma reflexão sobre como crianças negras são impactadas pela ausência de representatividade desde cedo.

Reconhecido por sua atuação no audiovisual gaúcho, Vandré Ventura construiu trajetória trabalhando em cinema e publicidade antes de assumir a direção e o roteiro de seu primeiro longa autoral.

Segundo o realizador, A Princesa Lavínia representa não apenas um projeto artístico, mas também um gesto político e simbólico dentro de uma indústria historicamente excludente.

“Arte é movimento, evitar o desafio é evitar a si mesmo”, afirma Vandré ao comentar o processo de criação do filme.

O cineasta também destaca a importância da Lei Paulo Gustavo no desenvolvimento da obra, entendendo o financiamento público como ferramenta fundamental para democratizar o acesso à produção audiovisual e fortalecer vozes negras no cinema brasileiro.

Ao abordar a ideia de princesas e referências de beleza na infância, A Princesa Lavínia toca em discussões cada vez mais presentes no audiovisual contemporâneo: quem pode ocupar espaços de fantasia, protagonismo e encantamento dentro da cultura popular.

A proposta do longa é justamente tensionar esse imaginário e apresentar novas possibilidades de representação para crianças negras, especialmente meninas, historicamente afastadas de determinados símbolos culturais.

O projeto também busca ampliar o debate sobre os impactos emocionais do racismo infantil e a importância da construção da autoestima desde os primeiros anos de vida.

Além da temática abordada em A Princesa Lavínia, Vandré Ventura afirma que seu trabalho no audiovisual é atravessado pelo compromisso com práticas inclusivas dentro e fora das telas.

Entre as iniciativas defendidas pelo realizador estão ações afirmativas em sets de filmagem, valorização de profissionais negros e construção de ambientes mais diversos na cadeia audiovisual.

Para ele, cada conquista individual também representa avanço coletivo para grupos historicamente marginalizados dentro da indústria cultural brasileira.

Contemplado pela Lei Paulo Gustavo, o longa inicia agora uma nova etapa de desenvolvimento. O financiamento permitiu que a equipe avançasse na estruturação do projeto e na consolidação da proposta artística da obra.

Segundo o diretor, o reconhecimento institucional simboliza pertencimento e legitimação de trajetórias periféricas e negras em um setor que ainda enfrenta desigualdades estruturais.

Com A Princesa Lavínia, a Savana Filmes projeta um período de intensa atividade e reforça seu compromisso com um cinema brasileiro mais plural e conectado às urgências sociais do presente.

Crítica: ‘Alma Negra – Do Quilombo ao Baile’ – uma potente homenagem à cultura negra

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Caroline Teixeira é estudante de Serviços Jurídicos e Notarial, Psicologia e Psicanálise, apaixonada por palavras, cultura e boas relações, acredita que a arte pode ser uma ótima ferramenta para a evolução da psique humana.

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