No dia 11 de setembro, o Palco Mundo do Rock in Rio colocou NEXZ, Hwasa, Alok e Stray Kids na mesma sequência. Alok era o único brasileiro entre as atrações daquele bloco.
A presença dele chamava atenção, mas não era exatamente uma novidade. A relação com o mercado coreano já vinha sendo construída antes do festival. Naquele dia, ela ganhou um palco como o Rock in Rio, uma plateia enorme e um contexto que fez essa aproximação ficar ainda mais evidente.
Alok já havia trabalhado com artistas sul-coreanos e participado de projetos na Coreia. Entre eles estão colaborações com KARD e outros nomes da música coreana. Em julho, durante uma apresentação no país, também mandou um recado ao Stray Kids dizendo que gostaria de fazer uma colaboração com o grupo.
No Rock in Rio, essa conversa aparece no próprio set.
Alok colocou “Gnarly”, do KATSEYE, em uma transição para “JUMP”, do BLACKPINK. Os lightsticks subiram e o público reconheceu as músicas imediatamente. O restante do show seguiu sendo Alok: música eletrônica, funk, bailarinos e a estrutura visual que faz parte de suas apresentações.
No mesmo dia, ele lançou uma colaboração com o TWICE, um dos grandes grupos femininos do K-pop. A parceria havia sido anunciada antes do festival, sem que o nome do grupo fosse revelado.
A música saiu naquele mesmo dia e levou aquela aproximação para fora do festival.
Mas a cena mais interessante estava na plateia.
Para quem estava na Cidade do Rock, não havia uma grande barreira entre assistir a Hwasa, dançar com Alok e esperar pelo Stray Kids. O público transitava entre essas referências sem precisar mudar de grupo, de identidade ou de lugar.
Isso ajuda a entender uma mudança que já aparece no comportamento de quem consome música.
Um fã de K-pop pode ouvir música eletrônica, funk, pop brasileiro ou qualquer outra coisa que faça sentido para ele. Da mesma forma, um público que chega por um artista pode descobrir outro no caminho.
Os artistas também circulam por esses espaços. Fazem colaborações, remixam músicas, participam de projetos internacionais e encontram novas audiências.
O Rock in Rio colocou parte dessa movimentação no mesmo palco.
Alok já vinha trabalhando nessa aproximação antes do festival.
O K-pop já tinha uma comunidade consolidada no Brasil. No dia 11, os dois movimentos se encontraram diante de uma plateia que parecia bastante confortável com essa mistura.
Durante muito tempo, a indústria organizou a música em gêneros, cenas e mercados. O público é que já não precisa escolher uma só.
O Rock in Rio tornou essa mudança visível. Não como uma novidade criada pelo festival, mas como algo que já estava acontecendo e encontrou ali um lugar para aparecer.
No fim, Alok e o K-pop dividiram o mesmo palco por algumas horas. A música seguiu para outros lugares depois dali, o público levou a experiência para as redes e a colaboração continuou circulando.
O festival passou.
A conexão ficou.
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Este artigo é uma collab da Genius Lab, núcleo de inteligência em cultura pop, fandoms e economia criativa, e o Korea in Rio, projeto dedicado à divulgação da cultura coreana e à análise das transformações da indústria do entretenimento e do consumo cultural.
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