Evento gratuito ocupa a Região Portuária e diferentes espaços da cidade entre 17 e 26 de setembro, com exposições, debates, música, novos murais e ações comunitárias
O Rio de Janeiro tem uma relação histórica com a arte que ocupa as ruas. Muros, fachadas, praças e espaços públicos funcionam há décadas como telas para artistas que encontram na cidade não apenas um cenário, mas também matéria-prima para suas criações.
É justamente essa relação que o ARUA Summit 2026 pretende ampliar. Entre 17 e 26 de setembro, o projeto ocupará o Centro e a Região Portuária com uma programação gratuita que aproxima arte pública, tecnologia, sustentabilidade, cultura e urbanismo.
A iniciativa reúne exposições, galerias, instalações, debates, música, gastronomia e intervenções urbanas em diferentes pontos da região, incluindo o Centro Cultural ARUA, o Museu de Arte do Rio (MAR), o Largo da Prainha, a Praça Tiradentes, o Cais do Valongo e o Morro da Providência.
Integrado à primeira Semana de Arte do Rio, o Summit parte de uma ideia interessante: pensar a cidade a partir da própria arte que já ocupa seus espaços.
Apresentado pela Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro e idealizado pela Visionartz, o ARUA Summit funciona como um grande guarda-chuva para diferentes iniciativas.
Entre elas estão a exposição Fenômeno Solar, o circuito de galerias e coletivos no Centro Cultural ARUA, o ARUA Fala, no MAR, a Galeria Providência, a Prainha Musical e três novos murais.
A direção criativa é de Rafaela Pinah e do Coolhunter Favela.
A proposta vai além da realização de um festival de arte urbana. O projeto procura discutir o papel da arte na construção de cidades mais criativas, inclusivas e conectadas às suas próprias histórias.
Essa abordagem ganha ainda mais força quando observamos a escolha dos territórios.
A Região Portuária, por exemplo, concentra uma das áreas mais importantes da memória afro-brasileira do Rio. O Cais do Valongo, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco, está justamente entre os locais que receberão novas intervenções.
A arte pública, nesse contexto, também pode funcionar como ferramenta de memória.
Um dos destaques da programação acontece entre 17 e 20 de setembro, no Centro Cultural ARUA.
A exposição coletiva Fenômeno Solar propõe uma aproximação pouco convencional entre arte contemporânea e sustentabilidade.
Os artistas convidados desenvolverão intervenções sobre painéis solares reaproveitados. Materiais originalmente criados para transformar luz em energia passam a funcionar como suporte artístico.
A ideia é particularmente interessante porque a sustentabilidade não aparece apenas como tema representado pelas obras. Ela está presente no próprio material utilizado na criação.
Com curadoria de Jean Carlos Azuos, a exposição reúne Allan Weber, Bea Machado, Fava da Silva, Gabriel D’Ketu, Guilherme Kid, Guilhermina Augusti, Iahra, Lucas Ururahy, Michell Gasca (MEX), OMEP, Osa Seven (NGA), Priscila Rooxo, Rafael Baron, Raphael Brunet/Cansado da Internet, Renata Leoa, Roberta Holiday, Tainan Cabral, Thaís Iroko, Thiago Haule e Zé Angel (CUB).
A abertura está prevista para 17 de setembro.
O Centro Cultural ARUA também receberá galerias, coletivos e outras experiências artísticas, igualmente com curadoria de Azuos.
O circuito Eclipse reunirá artistas como Affonso Dalua, Ana V. Lopes, Blecaute, Cool Hunter Favela, Daiane Lucio, Independente Estúdio, Mayra Carvalho, Rainha F, Simba e o Coletivo 2050.
Arte, tecnologia e futuro entram em debate no MAR
Se o Centro Cultural ARUA apresenta a arte em sua dimensão material e urbana, o Museu de Arte do Rio será espaço para discutir as ideias por trás dessas transformações.
Entre 18 e 20 de setembro, o MAR recebe o ARUA Fala, série de palestras e conversas estruturada em três grandes eixos: arte, tecnologia e cidade.
Os encontros reunirão artistas, pesquisadores, criadores e especialistas, com mediação da jornalista e disseminadora de arte Lilian Farrish.
A programação amplia o debate sobre as relações entre produção artística, novas tecnologias e transformação urbana.
O MAR também recebe a exposição Quem me ensinou sabia, de Guilherme Kid.
Nascido e criado em Realengo, o artista leva para sua produção cenas do cotidiano suburbano, como camelôs, botequins, crianças jogando bola, pipas, samba e encontros nas ruas.
Essas imagens servem como ponto de partida para reflexões sobre identidade, memória, ancestralidade negra, desigualdade e cultura popular.
A exposição abre no sábado, 18 de setembro, às 13h, com curadoria da equipe do MAR formada por Amanda Bonan, Marcelo Campos, Amanda Rezende, Jean Carlos Azuos e Thayná Trindade.
Talvez uma das características mais interessantes do ARUA Summit seja o fato de algumas de suas obras permanecerem na cidade depois que o evento terminar.
Nesta edição, serão criados três novos murais.
Duas empenas ficam em um mesmo edifício na Praça Tiradentes. Uma delas estará voltada para o Real Gabinete Português de Leitura, enquanto a outra ficará direcionada para a Rua da Cerveja.
O terceiro mural será realizado na parede dos fundos do Hospital Federal dos Servidores do Estado, ao lado do Cais do Valongo.
A escolha desses espaços reforça a ideia de que a arte urbana não precisa ser apenas uma atração temporária.
Ela pode modificar a paisagem cotidiana e criar novas formas de relação entre moradores, visitantes e arquitetura.
Prainha Musical conecta arte, música e gastronomia
O Largo da Prainha também fará parte do circuito do ARUA Summit.
A Prainha Musical pretende aproximar música, arte, gastronomia e território, criando uma programação que dialogue diretamente com a atmosfera cultural da região.
A escolha do local é coerente com a própria proposta do projeto. A Prainha possui uma forte presença na vida cultural carioca e representa um dos espaços onde gastronomia, música, história e sociabilidade se encontram.
No dia 26 de setembro, o Summit ganha um novo capítulo no Morro da Providência, com uma ação do Festival Galeria Providência.
Criado dentro do próprio território, o projeto utiliza paredes da comunidade como espaços para memória, representação e valorização de personagens e histórias locais.
É uma dimensão importante da proposta do ARUA: levar a arte pública para além dos circuitos tradicionais de galerias e museus.
Nesse sentido, a ação na Providência amplia a discussão sobre quem produz a cidade, quem ocupa seus espaços e quais histórias merecem permanecer visíveis.
A programação se estende ainda ao Museu Nacional de Belas Artes.
Durante setembro, o hall de entrada do museu receberá dois murais de arte urbana, realizados pela artista baiana Isabela Seifarth e pelo projeto carioca Negro Muro.
A iniciativa é desenvolvida em colaboração com o MNBA e acontece em um momento simbólico para a instituição, que permaneceu fechada durante seis anos para obras e passa por uma nova etapa de reabertura.
A presença da arte urbana dentro de um museu de tradição histórica cria outro diálogo interessante: o encontro entre linguagens contemporâneas e um dos espaços mais importantes da memória artística brasileira.
Por trás do ARUA Summit está uma trajetória de 16 anos de atuação de André Bretas na articulação entre arte pública, cultura e transformação urbana.
Sua história começou em 2010 com o Bambas da Lapa, um dos primeiros grandes murais coletivos institucionalizados do Rio.
No ano seguinte, Bretas criou o ArtRua, projeto que ocupou galpões e ruas da Região Portuária e ajudou a aproximar artistas urbanos, galerias, curadores, colecionadores e novos públicos.
Desde então, sua atuação passou a incorporar cada vez mais questões ligadas ao território, à memória e ao uso dos espaços públicos.
Entre os projetos estão o RUA City Lab e o Passeio Ernesto Nazareth, no Santo Cristo; o RuaWalls; o MAUP – Museu de Arte Urbana do Porto; e o Cores da Brasil, que reuniu 131 artistas de mais de 26 bairros em um corredor de 26 quilômetros do BRT Transbrasil.
A trajetória também incorporou temas como mobilidade ativa, urbanismo tático, sustentabilidade, paisagismo e preservação da memória.
Em 2025, Bretas inaugurou o Centro Cultural ARUA, no Santo Cristo, criando uma base permanente para exposições, formação, produção e encontros.
O Summit surge, portanto, como consequência de uma trajetória que passou a enxergar o mural como apenas uma das possibilidades de transformação por meio da arte.
ARUA Summit integra a Semana de Arte do Rio
A programação faz parte da primeira Semana de Arte do Rio, realizada entre 16 e 27 de setembro de 2026.
A iniciativa reúne mais de dez festivais de diferentes linguagens, além de exposições, intervenções urbanas e atividades culturais em equipamentos públicos e privados da região central.
A proposta é integrar cultura, turismo, desenvolvimento econômico e urbanismo.
Durante 12 dias, museus, teatros, centros culturais, galerias e outros espaços recebem atividades que procuram ampliar a circulação de artistas e público e fortalecer a economia da cultura.
Dentro desse contexto, o ARUA Summit ocupa um papel particularmente interessante.
Ao espalhar suas ações por ruas, museus, praças, comunidades e centros culturais, o projeto ajuda a transformar o próprio território em parte da programação.
E essa talvez seja a melhor maneira de entender sua proposta.
O ARUA Summit não quer apenas levar pessoas para ver arte.
Quer fazer com que as pessoas enxerguem a cidade de outra maneira.
Serviço
ARUA Summit 2026
Quando: 17 a 26 de setembro de 2026
Locais: Centro Cultural ARUA, MAR – Museu de Arte do Rio, Praça Tiradentes, Cais do Valongo, Largo da Prainha e Morro da Providência
Entrada: gratuita
Inscrições/ingressos: informações serão divulgadas posteriormente
Programação detalhada: horários e atividades serão divulgados em breve
Siga-nos e confira outras notícias @viventeandante e no nosso canal de whatsapp!



