Depois de cinco anos fora do calendário cultural carioca, o Arte Core está de volta. O festival dedicado à arte urbana e contemporânea retoma sua história no Rio de Janeiro nos dias 29 e 30 de agosto, ocupando o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, o MAM Rio, e seus arredores com uma programação gratuita que reúne artes visuais, skate, música, moda, oficinas e encontros entre artistas e público.
A nona edição marca o reencontro do evento com a cidade onde construiu parte importante de sua trajetória. Criado em 2013, o Arte Core realizou oito edições até 2021 e ajudou a projetar nomes como Maxwell Alexandre, Zéh Palito, Derlon, Speto, Bruno Big, Larissa de Souza e Miguel Afa. Agora, o festival retorna propondo uma reflexão sobre o próprio ato de criar.
Em 2026, o tempo aparece como fio condutor da programação. A proposta é olhar para aquilo que costuma desaparecer na velocidade da produção contemporânea: o processo, a tentativa, o erro, o ensaio, a conversa e a convivência.
A programação começa antes mesmo da abertura oficial. Na sexta-feira, dia 28, a Varanda do MAM recebe a estreia da Arte Craft, uma feira dedicada à circulação da arte e da produção independente. A iniciativa reúne artistas, coletivos, galerias, editoras e projetos ligados especialmente à arte impressa.
Entre os participantes estão Kenner, Lithos Edição de Arte, Ponte Cultural, Bruno Big & Lev, Filipe Grimaldi & Suvinil, RJ Vandal & Casa Noz, Secretaria Municipal de Cultura do Rio, Tu Tá no RJ e Café Preto Tattoo. O espaço também contará com mesas de nomes e projetos como Pavilhão Maxwell Alexandre, Felipe Guga, Futuro Suburbano, RL Escritório de Arte, Rodrigo Rosm, Marujo, Thulio Monteiro, Parceria Visual, Lambe das Minas e Into the Mirror.
Nas artes visuais, o Arte Core reúne artistas de diferentes regiões do Brasil. Participam Amanda Nunes e Gugie Cavalcanti, do Distrito Federal; Charles Lessa, do Ceará; Conativo, Dolores Essos, Matheus Abu, Thaís Iroko e Alberto Pereira, do Rio de Janeiro; Robinho Santana, de São Paulo; Luna Bastos, do Piauí; Maria de Lourdes Santiago, do Rio Grande do Norte; Mariê Balbinot, de Erechim, no Rio Grande do Sul; e Gustavo Magalhães, de Curitiba.
A curadoria propõe justamente uma discussão sobre as diferentes formas de enxergar o Brasil.
Segundo PH, responsável pela curadoria das artes visuais, a seleção busca descentralizar ideias prontas sobre a brasilidade e construir uma visão multicultural, diversa e distante de estereótipos.
A proposta também se estende ao público. Em vez de manter a arte apenas como algo para ser observado, o festival promove oficinas conduzidas por Marcelo Macedo, Bruno Big, Antonio Ton, Thais D’Oliveira, Igor Izy, João Lelo, Talita Persi e Alberto Pereira.
Entre as atividades estão pintura de painel coletivo, desenho, colagem, grafite, montagem de lenços e experiências de pintura com giz oleoso.
Arte Core abre espaço para artistas suburbanos e periféricos
Uma das novidades desta edição é o projeto Portas Abertas. A iniciativa nasce da parceria entre o festival, a Kenner e o coletivo Futuro Suburbano.
A ocupação reúne 36 artistas suburbanos, periféricos e integrantes de grupos historicamente minorizados. Os trabalhos formam uma galeria dedicada a diferentes narrativas, territórios e linguagens da arte contemporânea.
A Kenner também promove uma ativação durante os dois dias do festival. O público poderá participar diretamente da criação de um espaço de grafite no estande da marca.
A presença do projeto reforça uma das características históricas do Arte Core: aproximar a produção institucional dos movimentos que surgem fora dos circuitos tradicionais da arte.
A música também ocupa lugar central no retorno do festival.
Com curadoria de Daniel Tamenpi, a programação reúne DJs que montam seus sets exclusivamente a partir de discos de vinil. O line-up ainda inclui apresentações de BNegão e FBC.
O rapper FBC participa de um pocket show gratuito no domingo, a partir das 21h, em uma apresentação promovida pela Kenner.
O encontro entre música, artes visuais e cultura urbana é uma das marcas do Arte Core desde suas primeiras edições. O festival não se limita a uma exposição ou a uma programação de shows. A proposta é transformar o espaço em um ponto de encontro entre diferentes formas de criação.
Apresentado pela Pool Jeans, marca da Riachuelo, o Arte Core terá ainda um espaço dedicado à relação entre moda, criatividade e impacto social.
O público poderá levar peças para doação, que serão encaminhadas a instituições parceiras. Também haverá uma ação de customização durante o evento, além da distribuição de itens em jeans.
A proposta dialoga com a ideia de circularidade na moda e amplia o conceito de reutilização através da intervenção artística.
Depois de cinco anos de ausência, portanto, o Arte Core retorna ao Rio em um momento em que a discussão sobre cidade, território e cultura periférica ganha cada vez mais espaço. Ao ocupar o MAM Rio, o festival aproxima um dos principais museus da cidade de linguagens que nasceram e cresceram nas ruas, nos subúrbios, nas comunidades e nos espaços independentes.
O resultado é uma programação que mistura artistas de diferentes estados, nomes já reconhecidos e novos criadores, sem separar rigidamente o que é arte contemporânea, arte urbana, música ou cultura popular.
Serviço – Arte Core 2026
Data: 29 e 30 de agosto de 2026
Local: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro — MAM Rio
Endereço: Avenida Infante Dom Henrique, 85, Flamengo, Rio de Janeiro/RJ
Entrada: Gratuita
Classificação: Livre
Ingressos: Retirada pela Sympla a partir das 11h do dia 25 de agosto
Arte Craft
Data: 28 de agosto
Horário: A partir das 12h
Local: Varanda do MAM Rio
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