No último sábado, 13 de junho, fui convidado e estive no Píer Mauá para conhecer a Casa CazéTV durante a estreia do Brasil na Copa do Mundo. Confesso que cheguei sem saber muito bem o que esperar.
Nos últimos anos, proliferaram pelo Brasil experiências que prometem ser “imersivas”, “inesquecíveis” e “revolucionárias”. Muitas vezes, acabam se resumindo a um telão, algumas ativações com brindes bobos de patrocinadores e filas desnecessárias. Por isso, fui mais curioso do que empolgado.
A proposta da Casa CazéTV é simples: transportar para o espaço físico o universo criado pela plataforma que se consolidou como um dos principais fenômenos do entretenimento esportivo brasileiro. No Armazém 3 do Píer Mauá, o público encontra transmissões ao vivo, cenários inspirados nos programas do canal, brincadeiras, espaços para fotos e ações promovidas pelas marcas parceiras.
A sensação, no entanto, é menos a de estar em uma fan fest tradicional e mais a de visitar uma convenção voltada para quem acompanha esse novo jeito de consumir futebol.
Isso fica evidente no perfil do público. Havia muitas famílias, grupos de amigos e jovens que cresceram acompanhando criadores de conteúdo comentando partidas com uma linguagem mais espontânea do que a adotada pelas transmissões convencionais. Para eles, a Copa também passa pelo YouTube, pelos cortes nas redes sociais e pelas figuras que ajudaram a popularizar esse formato.
São poucas ativações, sendo a mais legal a de atuar como narrador de algum lance de Copa, o “Autoriza o árbitro”. Ao entrar, um boné da Coca-Cola é dado de presente para casa pessoa. Há algumas opções de lanches. Vários painéis para fotos.
As arquibancadas e a torcida são o melhor. O ambiente consegue preservar algo que faz da Copa um acontecimento diferente de qualquer outro: a experiência coletiva. Os shows buscam animar e agitar o público.
Pouco antes da bola rolar, percebi que as pessoas começavam a deixar de lado os celulares e voltavam a atenção para o que realmente importava. As conversas sobre escalações aumentavam, desconhecidos trocavam opiniões sobre o jogo e aquele sentimento típico de Mundial tomava conta do galpão.
Talvez seja justamente esse o mérito da Casa CazéTV.
O evento não reinventa a forma de torcer, como alguns discursos promocionais sugerem. Mas entende que os hábitos mudaram e tenta dialogar com uma geração que vive o futebol de maneira diferente.
A Copa da minha infância tinha ruas pintadas, bandeiras nas janelas e televisões ligadas na casa dos vizinhos. A Copa de 2026 tem telões em galpões revitalizados, creators dividindo espaço com jornalistas e torcedores produzindo conteúdo enquanto acompanham a partida na Casa CazéTV.
No fundo, porém, a lógica permanece parecida. Continuamos procurando lugares para compartilhar a expectativa antes do jogo, a tensão durante os noventa minutos e as histórias que surgem em torno do futebol.
Ao deixar o Píer Mauá naquela noite, fiquei com a impressão de que a Casa CazéTV talvez não seja exatamente sobre inovação, mas sobre uma tentativa de adaptação.
Sobre entender que as formas de torcer mudam com o tempo, mas a vontade de viver a Copa ao lado de outras pessoas continua sendo a mesma.
E, no Rio de Janeiro, entre a Baía de Guanabara e o Museu do Amanhã, a vista já vale o ingresso.
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