Tuesday, December 1, 2020

Luísa Mota sobe a construção como máquina de arte no Porto

Luísa Mota está com a exposição de obras inéditas “Subiu a Construção Como Se Fosse Máquina” na Fundação Manuel António da Mota, no Porto, em Portugal. Nesses trabalhos, a obra de Luísa pega emprestada a poesia de Chico Buarque e busca descrever seu avô Manuel António da Mota, como figura principal da série que compõe a exposição. As composições antropomórficas possuem complexidade e sensibilidade, possibilitando interpretações que vão além do que a própria artista propõe. Uma mescla de paisagens naturais e humanas, corpos contorcidos e troncos retorcidos em construção. Caminhos para o coração pulsante de um ser indefinido.

Cérebro

Logo no início, em uma redoma de vidro, como que emoldurado e protegido, como a obra de arte que é, vemos o vinil de “Construção”, um dos maiores e mais profundos clássicos de Chico Buarque. É nessa linha que segue a exposição, com um gosto de poesia. Na obra chamada “Cérebro” (goiva sobre madeira), vi o cogumelo formado após a explosão de uma bomba, rodeado por insetos (aviões), e, ao mesmo tempo, uma árvore; esperança e medo voando enraizados em conjunto.

Luísa Mota e o clássico vinil de Chico Buarque: "Construção"
O disco clássico

Inclusive, em “Estudo” (papel, gesso, fotografias, palitos, tinta acrílica, lã, areia, jornal), obra que é a foto de capa desse texto, vemos uma mistura de técnicas formando um corpo cuja alma são as estradas que ninguém sabe onde começam ou porque terminam. Entretanto, “Árvore Músculo” (papel vegetal, lápis de cor) traz formas, cores, uma cara de continente, brincadeiras com a mente, sem mentira aparente, sem verdade existente.

Arte de Luísa Mota no Porto
“Árvore Músculo” tem a força da natureza construtiva
Artista Visual

A saber, Luísa Mota nasceu no Porto, em 1984. Atualmente, vive em Londres, é artista visual e busca abranger várias mídias com seu trabalho, em especial performance, vídeo, fotografia e escultura. Em 2013, integrou a 9ª edição da mostra de performance Verbo em São Paulo, com “I believe in good things coming” onde a artista e um grupo de voluntários fazem uma procissão pelas ruas da cidade utilizando máscaras das personagens épicas do seu trabalho, os “Homens Invisíveis”. Inclusive, em 2014, integrou a 3ª Bienal da Bahia com a apresentação de uma performance-cortejo com mais de 80 participantes na abertura do evento.

Serviço:

Exposição: “Subiu a Construção Como Se Fosse Máquina”

Local: Praça do Bom Sucesso, 74, 90 – piso 1, 4150-146 Porto

Data: 19/12/2019 a 29/02/2020

Horário: Aberta de Segunda a Sábado das 10:00 às 13:00 e das 14:00 às 18:00.

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