Havia uma eletricidade diferente no ar da Lapa neste último sábado (14). O Circo Voador, palco de tantas noites antológicas, abriu suas portas para curar uma saudade coletiva que já durava quase uma década. O retorno do Móveis Coloniais de Acaju aos palcos cariocas entregou exatamente o que prometia: uma verdadeira máquina do tempo movida a sopros, indie rock e muito suor.
O “Reino da Alegria” recifense
O aviso do próprio Circo nas redes sociais durante a semana já dava a letra: “chega mais cedo!”. E quem atendeu ao chamado presenciou uma abertura de luxo com o Mombojó, que subiu ao palco celebrando seus 25 anos de estrada.
Os recifenses, referências do pós-manguebeat, trouxeram para a lona aquela mistura fina que os consagrou desde Nadadenovo (2004), transitando com facilidade entre o indie rock, a bossa nova e texturas eletrônicas. A banda — que vem de um ano estrelado após realizar o sonho de tocar com o Stereolab na gringa — fez o público cantar alto sucessos absolutos como Deixe-se Acreditar e Papapa.
Embalados pela maturidade de quem lançou recentemente o tributo Carne de Caju e já dando um gostinho do oitavo disco com o novo single É o Poder da Dança, Felipe S e companhia aqueceram a pista da Lapa com maestria, preparando o terreno perfeitamente para a atração principal.
Móveis Coloniais de Acaju, a banda mais feliz do Brasil
Quando a big band brasiliense assumiu seus postos sob as luzes clássicas do Circo, a catarse foi imediata. Comemorando 28 anos de estrada e quebrando um hiato doloroso para os fãs, o Móveis Coloniais de Acaju provou por que carrega a fama de “a banda mais feliz do Brasil”.
É verdade que o tempo passa para todos — com a banda e o público já “meio coroas”, o fôlego naturalmente não é mais exatamente o mesmo para sustentar do início ao fim um show tão pra cima. Mas isso em nada diminuiu a pulsação da noite. André Gonzales segue sendo um frontman excepcional, regendo uma equipe que transborda energia em cada arranjo do naipe de metais.
O setlist de 17 músicas foi um banquete. Iniciando os trabalhos de forma potente com Sede de Chuva, o repertório talvez tenha deixado um leve sentimento de “quero mais” em relação às faixas do primeiro disco, Idem (2005) — o mais consagrado —, mas foi impecável ao manter a pista inteira cantando absolutamente tudo.
A emoção tomou conta da lona nos momentos mais calmos, criando atmosferas arrepiantes em Não Chora e no coro absurdo, a plenos pulmões, de Vejo Em Teu Olhar. Foi lindo de ver, de cantar e de sentir a arquibancada vibrar junto.

A roda de Copacabana e o suor no bis
Se a emoção bateu forte, a energia explosiva não ficou para trás. O Circo Voador pulou incansavelmente com a sequência de Perca Peso, Cão Guia, Tempo e Aluga-se.
Mas o ápice incontestável, a imagem que resume e eterniza qualquer apresentação do Móveis Coloniais de Acaju há vinte anos, veio com Copacabana. A roda imensa aberta no meio da pista, com a banda no centro e todo o público em volta aguardando a explosão sonora dos metais, entregou o momento mais catártico e esperado do show.
O bis, que embalou o público com Seria o Rolex, Descomplica, Adeus e o encerramento grandioso com Indiferença, selou a noite de forma definitiva. E assim sendo, tivemos num só momento, num só local, numa só noite, emoção, suor, lágrimas e a saudade.
Fica a torcida para que eles não demorem a voltar. Mas, se por acaso um novo hiato se impuser, essa apresentação pulsante vai ficar cravada na memória e nos músculos de quem esteve ali por muito tempo. E seguirá.
Setlist: Móveis Coloniais de Acaju no Circo Voador (14/03/2026)
- Sede de Chuva
- Perca Peso
- Falso Retrato (Uhu)
- Lista de Casamento
- Vejo Em Teu Olhar
- Não Chora
- Campo de Batalha
- Bem Natural
- Esquilo Não Samba
- Cão Guia
- Tempo
- Copacabana
- Aluga-se
Bis:
- Seria o Rolex
- Descomplica
- Adeus
- Indiferença
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