Monday, September 26, 2022

Crítica | ‘A Fera’ vai te prender na cadeira

Os filmes de humanos tendo que sobreviver diante de algum animal selvagem tem sempre algo que nos chama atenção. Pode ser a fantasia de superar um animal de grande porte, a agonia de ver os protagonistas sofrendo para fugir ou até mesmo a galhofa absoluta. A Fera de Baltasar Kormákur nos prende na cadeira pelo segundo motivo, e diria até que faz tão bem quanto o primeiro Jurassic Park. Só não tem o mesmo nível de encanto porque dinossauros são imbatíveis.

Em A Fera, Dr. Nate Samuels (Idris Elba) é um médico que decide retornar à África do Sul, onde conheceu sua falecida esposa, para passar férias com suas duas filhas, Meredith e Norah (Iyana Halley e Leah Jeffries). Ele se acomodam em uma reserva natural administrada pelo velho amigo da família Martin Battles (Sharlto Copley), um biólogo da vida selvagem. Mas esse descanso se transformará em um teste de sobrevivência quando um leão sedento de vingança, e único sobrevivente da caça sanguinária de caçadores, começa a atacar qualquer humano em seu caminho. Agora, o único jeito de escapar das garras da fera é lutando e sobrevivendo, ou matar o leão de uma vez por todas.

O leão aqui é uma força da natureza quase imbatível, é um ser digno de se tornar uma lenda de tão forte, grande e ainda assim esguio. É complicado fazer um animal realista ser um predador implacável, afinal ele precisa sofrer alguns ferimentos para os protagonistas terem seus respiros. Mas mesmo com sua dose de fantasia a fera é muito crível e não nos desconecta do filme, nem pelo seu “poder” e nem pelo CGI que é muito competente. Suas aparições sempre elevam e muito a tensão mas não saberia dizer se alguma cena será memorável para o público como em Tubarão ou Jurassic Park. Ainda assim a cena em que Idris Elba precisa se esconder de baixo do carro foi intensa.

Relações humanas

A Fera fala mostra caçadores ilegais e biólogos que cuidam da reserva ambiental mas pouco se aprofunda nesses temas. O personagem de Copley é carismático e já é algo mais que um biólogo normal, seria fácil ouvi-lo por alguns minutos extras. Talvez ir um pouco além faria o filme se destacar diante dos demais filmes de sobrevivência.

O longa ainda aborda o relacionamento do Dr Nate com as filhas, ele não era um pai muito atencioso e isso é uma questão grande para Meredith. Mas não existe uma redenção do pai, claro, ele salva as filhas de um leão enfurecido, mas isso é o mínimo que um pai deveria fazer. Então esse drama familiar acaba servindo apenas para gerar algum conflito entre eles mesmo enquanto tentam sobreviver. No máximo temos cenas onde ele precisa da ajuda delas para medicar os feridos e a confiança entre eles parece maior.

Porém isso não chega a ser um agravante, já que o que importa em um filme de sobrevivência é a tensão e a satisfação da superação que ele nos oferece. E nesses quesitos A Fera manda muito bem e garante um excelente entretenimento tendo muito do carisma de Jurassic Park, até mais que os Jurassic World.

O longa estreia dia 11 de agosto nos cinemas, assista o trailer: (1455) A Fera | Trailer Legendado – YouTube

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