Dirigido por Thierry Klifa, A Mulher Mais Rica do Mundo se estende além do necessário em uma história relativamente básica, que teria se beneficiado de um ritmo mais ágil.
A estética da telenovela varia de país para país. Enquanto as produções mexicanas apostam em reviravoltas constantes, momentos de choque e melodrama que frequentemente se tornam memes, as brasileiras costumam abordar questões sociais. Já as francesas se aproximam mais da literatura, estruturando narrativas pautadas pelo realismo, característica mais do que presente em A Mulher Mais Rica do Mundo.
Com Isabelle Huppert no papel principal, o longa acompanha Marianne Farrère, uma mulher cuja condição já é anunciada pelo título: a mulher mais rica do mundo. Ao conhecer Pierre-Alain Fantin, um jovem escritor e fotógrafo francês ambicioso, Marianne desenvolve uma forte amizade com ele. A relação desperta sentimentos na milionária e desencadeia um escândalo de corrupção que abala a alta sociedade parisiense, obrigando-a a enfrentar um sistema que passa a tratá-la como vilã.
Apesar da premissa instigante, o filme se arrasta em reviravoltas que carecem de impacto e resoluções que não possuem o peso dramático esperado. Mesmo com o brilho de Isabelle Huppert, visivelmente à vontade em momentos como as cenas da festa, a narrativa permanece morna durante quase toda a duração. Nem mesmo recursos como a quebra da quarta parede, em que funcionários e amigos de Marianne compartilham suas versões dos acontecimentos, conseguem tornar a experiência mais dinâmica.

Isabelle Huppert, André Marcon e Raphaël Personnaz em cena de “A Mulher Mais Rica do Mundo”- Divulgação Filmelier
A direção de arte, marcada por cenários luxuosos, e a fotografia simples, porém eficiente, não conseguem compensar o fato de que essa trama de intrigas familiares, dinheiro e corrupção não se sustenta sozinha. É uma pena, já que o caso real que inspirou o filme é significativamente mais interessante do que sua adaptação para o cinema.
A produção é inspirada no famoso caso envolvendo Liliane Bettencourt e sua filha, Françoise Bettencourt Meyers, que levou o fotógrafo François-Marie Banier à Justiça, acusando-o de explorar a idosa para obter vantagens financeiras. Durante meses, o caso dominou os noticiários até a condenação de Banier e de seu companheiro.
No fim, A Mulher Mais Rica do Mundo funciona apenas como uma reconstituição ficcional desse episódio, sem encontrar uma identidade própria. O grande destaque acaba sendo Isabelle Huppert, que entrega mais uma atuação sólida dentro do tipo de personagem que se tornou recorrente em sua carreira recente.

Isabelle Huppert em cena de “A Mulher Mais Rica do Mundo”- Divulgação Filmelier
Para quem não tem interesse pelo caso Bettencourt, o longa oferece pouco além da dramatização dos acontecimentos. A relação entre Marianne e sua filha é subaproveitada, enquanto o processo de difamação enfrentado pela protagonista recebe um tratamento excessivamente brando, diminuindo o impacto emocional da história. Faltam conflitos mais contundentes e reviravoltas capazes de dar maior fluidez à narrativa, tornando-a menos dependente do contexto francês e mais universal.
Ao final, A Mulher Mais Rica do Mundo é uma produção de nicho que busca alcançar um público mais amplo, mas permanece presa a uma história que não encontra força suficiente para isso. O resultado é um filme satisfatório, porém morno e, acima de tudo, esquecível.
A Mulher Mais Rica do Mundo chega ao Brasil com exclusividade pelo Filmelier+ a partir de 2 de julho.
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