Ao usar este site, você concorda com a Política de Privacidade e termos de uso.
Aceito
Vivente AndanteVivente AndanteVivente Andante
  • Cinema e Streaming
  • Música
  • Literatura
  • Cultura
  • Turismo
Font ResizerAa
Vivente AndanteVivente Andante
Font ResizerAa
Buscar
  • Cinema e Streaming
  • Música
  • Literatura
  • Cultura
  • Turismo
Jessie Buckley em cena de "A Noiva!"- Divulgação Warner Bros Pictures
CríticaCinema e Streaming

Crítica: ‘A Noiva!’ – primeiro uma ruptura e bem lá trás um remake

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 3 de março de 2026
6 Min Leitura
Share
Jessie Buckley em cena de "A Noiva!"- Divulgação Warner Bros Pictures
SHARE

Dirigido por Maggie Gyllenhaal, A Noiva! é uma história de amor monstruosa regada a LSD, que flerta com o bizarro e o absurdo enquanto constrói uma ode ao feminismo.

Foram apenas quatro minutos em tela. Esse foi o tempo suficiente para que Elsa Lanchester surgisse como a personagem-título de A Noiva de Frankenstein (1935, James Whale), emitisse um dos gritos mais icônicos da história do cinema e desaparecesse, eternizando-se no imaginário popular. O penteado, a expressão, o contexto da época e seu trágico fim ao lado do criador e da criatura consolidaram uma personagem que sequer existia no romance original de Mary Shelley, mas que hoje é inseparável do mito de Frankenstein.

Se a criatura é o Prometeu Moderno, sua noiva poderia ser uma espécie de Galateia contemporânea? Esculpida para amar, criada como símbolo de perfeição, mas sem que ninguém perguntasse o que ela desejava para si. Em 1935, essa discussão sobre permissão, posse e vontade foi condensada em um grito de agonia. Agora, quase um século depois, ela retorna sob outra forma.

Quando Gyllenhaal anunciou sua reimaginação ambientada na década de 1930, confesso que fiquei receoso. O painel do filme na CCXP25 foi morno, e o aparente desinteresse do público só aumentou minha dúvida. O primeiro trailer, com uma energia que remetia a Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas (1967, Arthur Penn), reforçou a sensação de estranhamento. A dúvida persistiu nos minutos iniciais do filme e, curiosamente, foi acompanhada de um sorriso.

Jessie Buckley em cena de "A Noiva!"- Divulgação Warner Bros Pictures

Jessie Buckley em cena de “A Noiva!”- Divulgação Warner Bros Pictures

Logo na primeira cena, vemos uma perturbada e falecida Mary Shelley possuindo o corpo de uma mulher chamada Ida, da mesma forma que Lanchester, ambas interpretadas por Jessie Buckley. A partir daí, fica claro: não se trata de um simples remake, mas de uma ruptura.

Gyllenhaal não demonstra qualquer preocupação em ser fiel à obra original ou ao clássico da Universal. Esta versão é inteiramente sua, tanto de sua noiva quanto do conhecido Prometeu Moderno. Sua criatura, aqui chamada diretamente de Frankenstein, é humanizada de maneira surpreendente. Interpretado por Christian Bale, ele frequenta o cinema, pede desculpas, deseja afeto e intimidade, mas também carrega violência quando necessário. É uma das versões mais singulares do personagem.

Enquanto a noiva de 1935 reagia com horror, a de 2026 ri. Essa mudança diz muito. Ida, também chamada de Penny , é errática, impulsiva, quase cartunesca. Oscila entre o delírio e o drama, conduzida por uma Mary Shelley amarga que parece manipular os acontecimentos como uma mestra de marionetes. Buckley entrega uma performance elétrica, exagerada e hipnótica, que remeteu em momentos aos maiores e melhores surtos de personagens de Robin Williams.

Ambientar a história na Chicago dos anos 1930 amplia o discurso. Em meio a mafiosos brutais, policiais corruptos e estruturas profundamente machistas, a noiva torna-se símbolo de ruptura. O arco da dupla de policiais interpretada por Peter Sarsgaard e Penélope Cruz evidencia isso: ela é a verdadeira investigadora, mas ele recebe o crédito. Myrna Mallow, Cruz, representa o apagamento feminino; a Noiva, a explosão contra ele.

Jessie Buckley e Christian Bale em cena de "A Noiva!"- Divulgação Warner Bros Pictures

essie Buckley e Christian Bale em cena de “A Noiva!”- Divulgação Warner Bros Pictures

O filme é esteticamente corajoso. Alterna luzes agressivas, trilha que transita entre o techno e o clássico, movimentos de câmera ousados e sequências que beiram o delírio, incluindo uma performance inesperada de Puttin’ on the Ritz que para quem conhece O Jovem Frankenstein (1974, Mel Brooks), é muito mais do que um simples aceno. Entre simbolismos, referências e excessos, a narrativa flui, embora o acúmulo de estímulos possa desgastar parte do público ao longo das mais de duas horas de duração.

Definitivamente, não é um filme para todos. Exige disposição para lidar com desconforto, sexualidade, subversão de personagens tão tradicionais na literatura e no cinema, violência de diversos tipos e uma abordagem estética que desafia expectativas. Ao final da sessão, a pergunta inevitável que fiz com um colega era se a produção daria lucro. Querendo muito estar errado, minha aposta é que não. Com orçamento de 80 milhões de dólares, ela com certeza se pagará, porém trata-se de uma obra que provoca mais do que acomoda.

Ainda assim, é inegável sua força. Assim como os melhores filmes de monstros, A Noiva! nos obriga a encarar aquilo que preferimos evitar. E talvez seja justamente aí que reside seu maior mérito: na coragem de transformar um ícone do horror em um manifesto caótico sobre identidade, desejo e liberdade, deixando sua marca para futuras gerações.

Distribuído pela Warner Bros Pictures, A Noiva! estreia nos cinemas no dia 05 de Março de 2026.

Siga-nos e confira outras notícias @viventeandante e no nosso canal de whatsapp!

Leia mais

  • Crítica: ‘Queens of The Dead’ traz glitter, glamour e zumbis, mas esquece algo muito importante
  • Crítica: Entre caos e afeto, ‘Cara de Um, Focinho de Outro’ prova que a Pixar ainda é bem forte
  • Crítica: ‘A História do Som’ acerta na estética, mas falha no conflito
Tags:A Noiva de FrankensteinA Noiva!Christian BaleCinemacríticaCrítica A NoivaDestaque no ViventeElsa LanchesterMaggie GyllenhaalMonstros
Compartilhe este artigo
Facebook Copie o Link Print
André Quental Sanchez's avatar
PorAndré Quental Sanchez
Me Siga!
André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.
Nenhum comentário

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Gravatar profile

Vem Conhecer o Vivente!

1.7KSeguidoresMe Siga!

Leia Também no Vivente

nolan a odisseia tudo sobre o filme
Cinema e Streaming

A Odisseia: Épico de Christopher Nolan pode superar Oppenheimer; entenda

Redação
4 Min Leitura
CulturaSéries

Game of Thrones: Spin-off ganha novidades e data de estreia

Redação
2 Min Leitura
napoli-new york
Cinema e StreamingCríticaNotícias

Crítica: ‘Napoli – New York’, de Gabriele Salvatores, é nostalgia sensível

Alvaro Tallarico
2 Min Leitura
logo
Todos os Direitos Reservados a Vivente Andante.
  • Política de Privacidade
Welcome Back!

Sign in to your account

Username or Email Address
Password

Lost your password?