Filme arrecada mais de US$ 120 milhões na estreia nos Estados Unidos, registra a maior abertura da carreira de Matt Damon e conquista novos marcos para Universal e Nolan
A Odisseia (The Odyssey), novo épico dirigido por Christopher Nolan, é bom mesmo? Sim, é. O longa consegue superar as expectativas e começou sua trajetória nos cinemas em ritmo histórico. Em seu primeiro fim de semana de exibição nos Estados Unidos, o longa deve arrecadar US$ 120,5 milhões, conquistando a liderança absoluta das bilheterias e estabelecendo cinco importantes recordes logo na estreia.
Inspirado no poema clássico de Homero, o filme acompanha o retorno de Odisseu após a Guerra de Troia e reúne um elenco estrelado formado por Matt Damon, Anne Hathaway, Tom Holland, Zendaya, Charlize Theron, Lupita Nyong’o, Samantha Morton e Elliot Page.
O excelente desempenho comercial chega após uma campanha marcada por enorme expectativa, incluindo sessões em IMAX 70 mm esgotadas com quase um ano de antecedência e uma recepção bastante positiva da crítica, que garantiu ao filme 95% de aprovação no Rotten Tomatoes.
Entre os recordes alcançados, A Odisseia registrou a maior abertura da carreira de Matt Damon como protagonista.
O resultado supera o antigo recordista O Ultimato Bourne (The Bourne Ultimatum), lançado em 2007, que havia estreado com US$ 69,2 milhões nos Estados Unidos. Mesmo considerando a correção pela inflação, a nova produção ultrapassa o desempenho do thriller de espionagem.
O longa também representa a maior estreia doméstica da carreira de Christopher Nolan entre todos os seus filmes que não pertencem à trilogia do Batman.
Com US$ 120,5 milhões projetados, A Odisseia supera com folga os US$ 82,4 milhões registrados por Oppenheimer em seu lançamento.
Na filmografia do diretor, apenas Batman: O Cavaleiro das Trevas e Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge tiveram estreias superiores.
Outro marco importante foi a conquista da maior abertura de um filme live-action lançada em 2026 no mercado norte-americano.
Considerando todas as produções do ano, incluindo animações, A Odisseia ocupa a terceira posição geral, ficando atrás apenas de Toy Story 5 e The Super Mario Galaxy Movie.
A produção também alcançou a melhor estreia de um filme com classificação indicativa para maiores de 18 anos em 2026.
O desempenho supera o fenômeno de terror Backrooms, produção da A24 que havia estreado com US$ 81,4 milhões e posteriormente tornou-se a maior bilheteria da história do estúdio.
Fechando a lista de recordes, A Odisseia tornou-se a maior estreia de um filme com classificação R da história da Universal Pictures.
O longa ultrapassou Cinquenta Tons de Cinza, que havia arrecadado US$ 85,1 milhões em seu lançamento.
Mesmo antes do encerramento do primeiro fim de semana, A Odisseia já arrecadou mais nos Estados Unidos do que a bilheteria total de diversos lançamentos importantes de 2026.
Entre eles estão Disclosure Day, O Morro dos Ventos Uivantes, Mortal Kombat II, The Sheep Detectives, Send Help, Reminders of Him, The Drama e a nova versão de A Múmia, dirigida por Lee Cronin.
Apesar da estreia histórica, o filme ainda tem um longo caminho para recuperar seu investimento.
Segundo estimativas divulgadas pela imprensa especializada, A Odisseia teve um orçamento de aproximadamente US$ 250 milhões, o que pode elevar seu ponto de equilíbrio para algo próximo de US$ 625 milhões em arrecadação mundial.
Ainda assim, os primeiros indicadores são bastante positivos.
Além do excelente desempenho comercial, o público concedeu 97% de aprovação no Popcornmeter do Rotten Tomatoes, a maior avaliação de audiência já recebida por um filme de Christopher Nolan na plataforma.
Impulsionado pelo sucesso de Oppenheimer, que arrecadou quase US$ 1 bilhão mundialmente em 2023, analistas já apontam que A Odisseia tem potencial para repetir — ou até superar — esse desempenho, tornando-se um dos maiores sucessos da carreira do diretor.
Os deuses e monstros da mitologia grega ganham nova leitura em A Odisseia de Christopher Nolan
Um dos aspectos mais comentados de A Odisseia é a forma como Christopher Nolan reinterpretou a mitologia grega. Em vez de adaptar literalmente o poema atribuído a Homero, o cineasta opta por uma abordagem mais psicológica e simbólica, transformando algumas divindades em manifestações da consciência de Odisseu e condensando diversos episódios para tornar a narrativa mais direta.
Ainda assim, o longa preserva boa parte das figuras mais importantes da epopeia, apresentando deuses, criaturas e personagens mitológicos que marcaram a literatura ocidental há quase três mil anos.
Atena se torna a consciência de Odisseu
A mudança mais radical da adaptação envolve Atena, interpretada por Zendaya.

Na obra original, ela é a deusa da sabedoria e principal protetora de Odisseu, intervindo diretamente junto aos demais deuses para ajudá-lo a retornar para Ítaca.
No filme, porém, Nolan elimina sua natureza divina. A personagem é revelada como uma sacerdotisa morta durante a destruição de Troia cuja imagem passa a perseguir Odisseu como uma manifestação de sua culpa.
Em entrevista à revista Vulture, Christopher Nolan explicou que queria explorar a maneira como os gregos enxergavam a presença do divino nas pessoas ao seu redor.
“O poema sugere constantemente que os deuses caminham disfarçados entre nós. Essa ideia de tratar qualquer estranho como se pudesse ser uma divindade foi a chave para nossa adaptação”, afirmou o diretor.
Matt Damon complementou dizendo que, para Odisseu, Atena representa sua própria consciência.
“Ela vive dentro da cabeça dele. É o peso daquilo que ele provocou.”
A revelação aproxima A Odisseia de outro trabalho recente do diretor, Oppenheimer, ao transformar a culpa nas consequências centrais da narrativa.
Circe mantém sua magia, mas ganha uma abordagem mais humana
Interpretada por Samantha Morton, Circe continua sendo uma poderosa feiticeira capaz de transformar homens em animais.
Como no poema de Homero, ela transforma parte da tripulação de Odisseu em porcos após sua chegada à ilha.
A diferença aparece no desfecho desse encontro.

Enquanto a obra clássica mostra Odisseu vivendo um ano ao lado da personagem e tendo filhos com ela, Nolan elimina esse relacionamento e faz com que o herói siga viagem logo após convencê-la a libertar seus companheiros.
Calipso prende Odisseu de uma maneira diferente
Outra personagem reinterpretada é Calipso, vivida por Charlize Theron.
Na mitologia, a ninfa mantém Odisseu preso durante sete anos, oferecendo-lhe inclusive a imortalidade caso aceite permanecer ao seu lado.
Já no filme, ela utiliza drogas capazes de apagar parcialmente suas memórias, fazendo com que ele permaneça voluntariamente na ilha sem recordar completamente sua vida anterior.
A mudança reforça o conflito psicológico explorado por Nolan e transforma a libertação de Odisseu em uma decisão da própria Calipso.
Os monstros clássicos continuam presentes na jornada
Embora reduza parte dos elementos fantásticos da obra original, o diretor preserva alguns dos encontros mais famosos da mitologia grega.
O primeiro deles é Polifemo, o ciclope filho de Poseidon.
Assim como no poema, Odisseu o derrota cegando seu único olho para escapar da caverna onde seus homens estavam sendo devorados.
A diferença é que, em vez de revelar seu nome durante a fuga, como acontece na versão clássica, Nolan faz Odisseu provocar o gigante disparando uma flecha, atitude que desperta a ira de Poseidon.
Também aparecem as Sereias, responsáveis por atrair marinheiros para a morte através de seu canto hipnótico.
Nolan reproduz a famosa sequência em que a tripulação tampa os ouvidos com cera enquanto Odisseu permanece amarrado ao mastro para ouvir o canto sem sucumbir à tentação. O diretor, porém, opta por não revelar ao público a melodia das criaturas, concentrando a cena apenas na reação do protagonista.
Outro momento marcante é o ataque dos Lestrigões, gigantes canibais que destroem quase toda a frota de Odisseu, deixando apenas uma embarcação sobrevivente.

A jornada também inclui Cila, um dos monstros marinhos mais temidos da mitologia grega.
Habitando um estreito entre rochedos, ela devora rapidamente seis marinheiros enquanto o restante da tripulação consegue escapar, reproduzindo um dos episódios mais dramáticos do poema.
Outros deuses permanecem apenas como referências
Embora não apareçam fisicamente, algumas das principais divindades do Olimpo continuam exercendo influência sobre a narrativa.
Zeus é constantemente citado como símbolo da hospitalidade e das leis sagradas que deveriam reger as relações entre os homens.
Poseidon permanece como o grande antagonista invisível da história, lançando sua maldição sobre Odisseu após o ataque contra seu filho Polifemo.
Já Hélio, deus do Sol, surge por meio da famosa passagem do gado sagrado, cuja morte desencadeia nova punição divina contra os sobreviventes da tripulação.
Outras figuras presentes no poema de Homero, como Hermes, Éolo, Ino e Héracles, foram retiradas da adaptação para manter a narrativa mais enxuta e concentrada no conflito moral vivido por Odisseu.
Ao reduzir parte do componente sobrenatural e transformar diversas intervenções divinas em manifestações psicológicas, Christopher Nolan constrói uma versão de A Odisseia menos voltada ao fantástico e mais interessada em discutir culpa, responsabilidade e as consequências da guerra — temas que aproximam o épico grego de obras anteriores do diretor, como Oppenheimer.
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