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Cena de "Amelia Toledo: Lembrar de Não Esquecer"- DIvulgação Bretz Filmes
Cinema e StreamingCrítica

Crítica – ‘Amelia Toledo: Lembrar de Não Esquecer’ é 1 espetáculo para os amantes da arte

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 18 de agosto de 2026
6 Min Leitura
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Cena de "Amelia Toledo: Lembrar de Não Esquecer"- DIvulgação Bretz Filmes
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Dirigido por Helio Goldsztejn, Amelia Toledo: Lembrar de Não Esquecer apresenta as principais obras e movimentos da artista brasileira, mas deixa de lado informações para compreender quem foi ela além de sua produção artística

Rodeado por belas imagens que evidenciam as obras de Amelia Toledo e a força de um espaço tão marcante quanto o Museu da Imagem e do Som (MIS), onde será realizada uma pré-estreia especial do filme no dia 18 de agosto, Amelia Toledo: Lembrar de Não Esquecer apresenta ao público o nome e a obra de uma grande artista brasileira ainda pouco conhecida. Porém, assim como acontece em Honestino (2026, Aurélio Michiles), o documentário acaba fortalecendo o mito e deixando a pessoa em segundo plano.

A sensação de sairmos da sessão sem saber exatamente quem foi Amelia Toledo, apesar de acompanharmos 80 minutos de um documentário sobre sua vida, é nítida. Temos diversos closes de suas obras nas rochas e compartilhamos de um sentimento de beleza diante delas, repleto de simbolismos. Entretanto, quando o filme se volta para a própria trajetória de Amelia, sua vida em Portugal durante a ditadura militar, sua atuação como professora, sua relação com Darcy Ribeiro e outros momentos importantes, faltam informações que poderiam dar mais substância à personagem.

Cena de "Amelia Toledo: Lembrar de Não Esquecer"- DIvulgação Bretz Filmes

Cena de “Amelia Toledo: Lembrar de Não Esquecer”- DIvulgação Bretz Filmes

Enquanto Honestino se concentrava na dimensão política e deixava de lado aspectos familiares, Amelia Toledo: Lembrar de Não Esquecer apresenta depoimentos da neta, do filho, de colegas e de outros artistas, que explicam de maneira extremamente didática diferentes momentos de sua trajetória. Ainda assim, esses relatos parecem funcionar mais como complementos para a obra artística do que como ferramentas para compreender Amelia enquanto pessoa.

Para os amantes da arte e da geologia, o filme é um espetáculo. Para o público que não possui familiaridade com sua trajetória, porém, a produção se perde em uma experiência marcada por substância estética e sensorial, principalmente em algumas sequências nas quais fotografias em preto e branco recebem um tratamento brilhante, surreal e onírico. São imagens bonitas, mas que nem sempre acrescentam algo à compreensão de quem Amelia Toledo realmente foi.

Se me pararem na rua e perguntarem: “Quem é Amelia Toledo?”, as chances de eu responder “uma grande artista brasileira que trabalhou com pedras e estudou na UnB durante a ditadura militar” são altas. Mas o que ela era além disso?

O documentário diz que Amelia era uma pessoa brava. Mas em quais momentos? Como essa característica afetava suas relações? Como era sua convivência com a neta? O que havia por trás de seus gestos, escolhas e comportamentos? Essas são algumas das perguntas que permanecem sem resposta. Em seu lugar, acompanhamos relações políticas e artísticas que rapidamente dão espaço a um estudo minucioso de suas obras, em uma experiência sensorial que, por mais que o filme tente reproduzir, não consegue transmitir integralmente para a tela aquilo que existe diante de uma obra física.

Amelia Toledo: Lembrar de Não Esquecer

Cena de “Amelia Toledo: Lembrar de Não Esquecer”- DIvulgação Bretz Filmes

Para uma mulher que foi aluna de Anita Malfatti, conviveu com intelectuais e artistas como Hélio Oiticica, Lygia Pape e Waldemar da Costa, além de ter trabalhado com o arquiteto Vilanova Artigas, Amelia Toledo: Lembrar de Não Esquecer merecia uma exploração muito mais rica de sua trajetória. Não apenas como persona artística, mas também como pessoa privada, permitindo que compreendêssemos seus tiques, vontades, relações e contradições.

Nos créditos finais, quando Amelia dança alegremente, o sentimento é de felicidade. Afinal, ela parece estar genuinamente feliz, e é fácil imaginar que ficaria orgulhosa de ver suas obras apresentadas de maneira tão cuidadosa e bonita. Ao mesmo tempo, permanece a sensação de que uma continuação, dedicada a tudo aquilo que girava ao redor dela enquanto produzia essas obras, seria mais do que necessária para que realmente não nos esquecêssemos de quem Amelia Toledo foi.

Distribuído pela Bretz Filmes, Amelia Toledo: Lembrar de Não Esquecer estreia no dia 20 de agosto em salas de Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP). Antes, a capital paulista recebe na terça (18), às 19h15min, sessão de pré-estreia, no Museu da Imagem e do Som (MIS), seguida de debate com o diretor e equipe.

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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.

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