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Animais Perigosos
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Animais Perigosos’ é muito melhor do que só um filme de tubarão

Por
André Quental Sanchez
Última Atualização 11 de setembro de 2025
5 Min Leitura
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Jai Courtney em cena de Animais Perigosos- Divulgação Animal Holdings Pty Ltd.
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Dirigido por Sean Byrne, Animais Perigosos é thriller constante que apesar de conveniências de roteiro, entrega um entretenimento muito bem recebido

Carol J. Clover, em Men, Women, and Chain Saws: Gender in the Modern Horror Film (1992), cunhou o termo Final Girl para designar a última sobrevivente dos filmes de terror, aquela que encara o assassino no confronto final. De Laurie Strode à Sidney Prescott, o cinema de gênero nos presenteou com inúmeras encarnações desse arquétipo. No entanto, no cenário recente, poucas protagonistas se destacaram tanto quanto Zephyr, Hassie Harrison, em Animais Perigosos.

Surfista solitária, feminina e resiliente, Zephyr encarna a heroína perfeita para enfrentar Bruce Tucker, Jai Courtney, antagonista que funciona como seu reflexo distorcido: igualmente solitário, guerreiro e obstinado, mas dotado de uma brutalidade que o torna ameaça constante, auxiliado por uma das melhores interpretações de Jai Courtney. Esse embate, em um espaço restrito que é um barco de pesca cercado por tubarões, é o que sustenta a tensão da narrativa e prende o espectador desde a primeira cena.

Embora os tubarões estejam no título e na campanha de marketing, o verdadeiro perigo é Tucker. O plural de Animais Perigosos se justifica mais pela presença deste serial killer implacável do que pelas criaturas marinhas, que apenas seguem sua natureza. O roteiro de Nick Lepard é eficiente ao apresentar seus personagens de forma clara e orgânica, sem recorrer a longos backstories, que podem ser facilmente compreendidos pela audiência, somente com um simples uso de show, not tell. O passado de Zephyr, por exemplo, emerge em pequenos detalhes, como sua habilidade em abrir algemas, fruto de uma infância conturbada em lares adotivos, enquanto os traumas de Tucker são insinuados em diálogos curtos e reações visuais.

Animais Perigosos

Hassie Harrison em cena de Animais Perigosos- Divulgação Animal Holdings Pty Ltd.

Semelhante à filmes como Herege (2024), que exploram filosofia e religião como motores de tensão, a produção de Grant S. Johnson aposta na biologia, nos ciclos naturais e no instinto animal para criar paralelos não ditos. Histórias aparentemente secundárias, como a lembrança de Tucker sobre um ataque de tubarão, retornam de forma catártica no clímax. Até mesmo uma canção esquecida do Creedence Clearwater Revival ganha peso emocional, aproximando público de seus personagens.

A jornada de Zephyr é simples, quase banal: uma mulher que evita vínculos por medo de abandono encontra em Moses, a possibilidade de conexão. Quando a sobrevivência entra em jogo, percebe que abrir-se ao outro não é fraqueza, mas força. Moses, não ocupa o papel tradicional do herói-protetor, funciona como apoio e, em alguns momentos, como um conveniente deus ex machina, atuando como um verdadeiro policial investigativo, porém, aceitamos como natural, ele nunca é rebaixado a inferior ou somente apetrecho narrativo, no entanto, Animais Perigosos não é o filme dele: Moses é a “princesa” a ser resgatada, enquanto Zephyr assume o protagonismo pleno, à maneira de outras inversões recentes como Carter Davis em A Morte te Dá Parabéns (2017).

O que diferencia Zephyr de tantas “strong female characters” atuais, é justamente sua vulnerabilidade. Algemada, atordoada, ferida, ela segue lutando, e continua feminina, com falhas e fragilidades que a tornam mais humana. Não é indestrutível, sendo derrotada diversas vezes inclusive, mas é incansável, e isso a torna uma das Final Girls mais interessantes do cinema recente.

Animais Perigosos

Cena de Animais Perigosos- Divulgação Animal Holdings Pty Ltd.

Animais Perigosos entrega um “arroz com feijão” muito bem preparado: uma história sólida, imagens marcantes, antagonista memorável e tensão constante. Ao invés de apostar no espetáculo dos tubarões, foca no duelo entre duas feras humanas, e é justamente nessa escolha que reside sua força.

Mais do que um thriller de sobrevivência, o filme é também uma narrativa de amor e resistência, ainda que em alguns momentos apresenta uma narrativa um tanto forçada, porém, não tira a imersão do espectador que sente uma intensidade constante do começo ao fim.

Com distribuição da Diamond Pictures, Animais Perigosos estreia no dia 18 de Setembro em cinemas de todo o Brasil.

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Tags:Animais PerigososCinemacríticaCrítica Animais PerigososSean ByrneTubarão
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