Dirigido por Bart Layton, Caminhos do Crime entrega thriller de ação com forte DNA dos anos 90, sustentado por seus protagonistas, mas excessivamente longo e preso demais a fórmulas já exploradas pelo gênero.
Logo no início de Caminhos do Crime somos apresentados a três personagens cansados, interpretados por nomes reconhecidos do cinema hollywoodiano: Chris Hemsworth vive Mike; Mark Ruffalo, o detetive Lubeniski; e Halle Berry, Sharon. Ao longo de duas horas e 20 minutos, acompanhamos essas três figuras unidas pelo acaso após um golpe malsucedido que desencadeia um efeito dominó de perseguições, tiros e reflexões sobre códigos de honra, e caminhos para o futuro, construindo narrativas espelhadas entre seus protagonistas, que nunca se encontram no mesmo lugar ao longo de toda a produção.
A estrutura remete direta ou indiretamente a Fogo Contra Fogo (1995, Michael Mann). A clássica dinâmica de gato e rato entre um bandido carismático com princípios próprios e um detetive em crise de meia-idade reaparece aqui. No entanto, ao tentar adicionar camadas e subversões, Caminhos do Crime perde parte do charme e da contundência moral que tornaram o clássico tão memorável.

Halle Berry em cena de “Caminhos do Crime”- Divulgação Amazon MGM
É interessante observar Hemsworth como um criminoso introspectivo e socialmente deslocado, enquanto Ruffalo constrói um detetive que ecoa personagens anteriores de sua carreira, representando o desgaste que lentamente encontra nova motivação. Ambos são reflexos imperfeitos das figuras imortalizadas por De Niro e Pacino nos anos 90. Nesse contexto, Sharon, surge como um dos acertos da produção, trazendo frescor e maior densidade emocional, ainda mais quando interpretada por uma persona como Halle Berry, capaz de tornar até a mais simples das jornadas, em algo a se considerar.
A triangulação desses personagens exaustos cria uma jornada quase fabular: ao final, todos parecem melhorar de vida, enquanto o único punido é o vilão interpretado por Barry Keoghan. A mensagem implícita é controversa: se você cometer crimes, mas preservar um código ético pessoal, tudo vai dar certo. Falta coragem para que o filme abrace as consequências reais das escolhas de seus protagonistas.
Tecnicamente, a abertura impressiona com uma sequência grandiosa e quase em tempo real, estabelecendo apostas e ritmo. Porém, após esse início promissor, a narrativa desacelera em excesso. Momentos interessantes, como a relação entre Mike e Maya, dividem espaço com discussões prolongadas, paranoia investigativa, e sequências rápidas de ação e golpes, que raramente alcançam a intensidade prometida. Se torna nítido que Caminhos do Crime se alonga onde deveria concentrar tensão e conexão dramática.

Chris Hemsworth e Monica Barbaro em cena de “Caminhos do Crime”- Divulgação Amazon MGM
A montagem insere humor pontual por meio de cortes rápidos, enquanto a fotografia aposta em enquadramentos invertidos para sugerir uma Los Angeles moralmente deslocada. Ainda assim, a estética excessivamente limpa enfraquece o peso dramático, e o clima de obscuridade e perigo, que a história parece querer transmitir.
Apesar do fator entretenimento estar presente, especialmente no terceiro ato, quando a ironia dramática funciona com eficiência, a produção demora para chegar lá. A sensação final é de que várias sequências poderiam ser comprimidas. A imersão existe, e acompanhar a ascensão desses personagens é envolvente, mas tudo se resolve de forma confortável demais.
Caminhos do Crime é thriller eficiente, com boas ideias na construção paralela de seus protagonistas. No entanto, ao evitar a dureza moral que marcou grandes filmes do gênero ambientados em Los Angeles, opta pelo conforto e pelo lúdico, tirando a força que uma história com maiores consequências poderia ter. Funciona no momento, mas dificilmente permanece na memória quando as luzes do cinema se acendem.
Distribuído pela Sony Pictures, Caminhos do Crime estreia nos cinemas brasileiros em 12 de fevereiro.
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