Dirigido por Cutter Hodierne, Crypto- A Aposta Final luta para se manter significante
Existem produções que ficam marcadas para a eternidade por conta de sua ousadia e trato corajoso de situações, inovando e permitindo que outros filmes façam o mesmo, Seven: Os 7 Pecados Capitais (1995, David Fincher), é um exemplo dentro de produções de detetive. Muitas vezes, a ideia de um filme pode aparentar ser excelente, porém, a falta de uma estrutura concreta de narrativa, faz com que ela seja esquecida dentro de um oceano de produções genéricas, como é o caso de Crypto- A Aposta Final.
Contando a história de 3 vítimas que perderam tudo em um esquema de crypto moedas, Crypto- A Aposta Final, os coloca como Robin Hoods da atualidade, na medida que decidem sequestrar e extorquir um rico influenciador responsável por toda a questão, almejando devolver o dinheiro aos donos respectivos, porém, na medida que as circunstâncias se escalonam, todos lidam com as próprias questões internas, gerando desconfiança aonde antes havia união.
A produção se inicia com Billy, Raul Castillo, aproveitando a vida estável que o investimento em criptomoedas o proporcionou, tendo incentivado demais amigos a fazer o mesmo, porém, na cena seguinte percebemos as dificuldades financeiras que está incluso, e por consequência não consegue ver a própria filha, ocasionando um contraponto com a primeira introdução de seu personagem.

Cena de Crypto- A Aposta Final– Divulgação Oficial
Após perder todo o dinheiro investido, Billy segue nesta missão sempre com a filha em mente, até aí algo bem verossímil e impactante para o espectador, porém, ao longo do filme percebemos que suas ações não segue este código inicialmente apresentado, gerando uma contradição que não atrai ninguém, ate mesmo nos distanciando de seus protagonistas.
Na medida que Billy perde o interesse para o espectador, voltamos nosso olhar a outros personagens da produção, porém, eles são somente cascas bidimensionais de arquétipos clássicos: o amigo religioso, a hacker inteligente e o jovem milionário que se acha dono de tudo, não gerando empatia e nem interesse da parte da audiência, e fazendo refletir quão mais rico a produção poderia ser se o milionário fosse um idoso estoico e inteligente, com um arquétipo de Anthony Hopkins, ao invés de um jovem mimado.
Crypto- A Aposta Final caminha de acontecimento atrás de acontecimento, sem saber direito seu objetivo, construindo cenas que não apresentam a recompensa que inicialmente se pretendia, falhando em construir uma curva dramática progressiva, gerando um morno segundo ato no qual não acontece nada além de conversa entre seus personagens, e dúvidas como a confiança entre seus personagens, o que faria com o dinheiro, entre outras questões, porém, que são pouco exploradas dentro da produção que falta tensão e harmonia.
Vendido como um thriller, Crypto- A Aposta Final apresenta flutuações de tom, com momentos cômicos como no momento que seus personagens compram armas, porém, sem ser comédia, com momentos de suspense, porém, sem ser thriller, com momentos dramáticos, porém, sem ser um drama, querendo ser transgressor, porém, sendo vazio.
Com um roteiro abordando desde as dificuldades financeiras do sistema capitalista, até o desespero que o ser humano chega em situações de crise, optando por fazer justiça com as próprias mãos, Crypto-A Aposta Final apresentava as peças para ser um filme interessante e memorável, porém, a falta de uma narrativa sólida e uma crença que o espectador não ligaria para situações fáceis e falta de coerência, falha em atrair o nosso interesse, ocasionando um distanciamento da audiência para o filme como um todo.
Crypto-A Aposta Final estará disponível exclusivamente no Filmelier+, a partir de 7 de julho
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