Thursday, October 6, 2022

Crítica | ‘Curtas Jornadas Noite Adentro’ reflete sobre samba, opressão e união

“Curtas Jornadas Noite Adentro” é um filme feito por Thiago B. Mendonça conhecido por curtas como “Belos Carnavais”, o qual, aliás, tem exibição antes do longa, e por alguns outros longas como “Um Filme de Cinema”.  Nele, acompanharemos seis sambistas de São Paulo que tentam trilhar seu caminho nas noites em que tocam samba. Podemos observar a realidade de seus cotidianos e como ela afeta a cada um deles, seja individualmente ou em grupo; mostrando assim a realidade de vários brasileiros, principalmente a comunidade negra.

Uma pessoa mais acostumada com filmes cheios de ação, tensões e conflitos ocorrendo o tempo todo, pode, em um primeiro momento, estranhar seu ritmo mais devagar. Este filme nos mostra o cotidiano, o tempo todo nos é apresentado a um pouquinho de cada um dos personagens, para que possamos entender o mundo de cada um deles. Para a construção de sua narrativa essa cadência, de ritmo lento, não é algo ruim, pelo contrário, é ótima para sentir o que cada personagem sente, e, o principal, sentir a opressão que cada um compartilha conosco.

Identificação

Conforme conhecemos mais cada um deles, mais vamos nos identificando, sentindo como se eles fossem amigos nossos. Vemos que os personagens são pessoas reais, como eu ou você. Pessoas que, às vezes, tem um péssimo e precário emprego, condições ruins, famílias desestruturadas, pessoas que podem ter perdido sua fé; caso ela seja religiosa. Ou aquelas pessoas que, de modo geral, a cidade oprime. Pessoas que, como nós, por vezes se agarram à alguma coisa, qualquer coisa, que seja capaz de nos dar esperança – como, no caso do filme, o sonho de ascender como uma banda de Samba.

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Sinceramente, só terá alguma dificuldade em se identificar quem tem mais privilégios e vive sua vida sem olhar para os lados. Ou, principalmente, aqueles que fazem força para não se identificarem, aqueles que a cidade não oprime.

Ou seja, mesmo eu, que não sou negra, consigo ver a forte mensagem que cada cena passa. Pois a opressão está o tempo todo rodeando a todos nós, negros, mulheres, gays, trans, uma mais que os outros, mas está. O final do filme acaba sendo forte e passando um sentimento bom.

Por fim, depois de ver ao longo de “Curtas Jornadas Noite Adentro” toda a opressão que se faz presente em suas diversas dinâmicas, no núcleo familiar, no trabalho, na igreja, com a polícia, além de muitas outras, o filme consegue fechar, ainda assim, com uma sensação de união. Como quem diz que, apesar de tudo isso, ainda podemos nos agarrar a esse pequeno sonho que nos faz ainda querer levantar da cama, seja ele qual for… E que, de algum jeito, ficando juntos, podemos conseguir, pelo menos, dias melhores.

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