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Ayo Edebiri e Julia Roberts em cena de "Depois da Caçada"- Divulgação Imagine Entertainment
Cinema e StreamingCrítica

Crítica Festival Do Rio: ‘Depois da Caçada’ é um dos filmes mais divisivos e maçantes de Guadagnino

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 3 de outubro de 2025
5 Min Leitura
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Ayo Edebiri e Julia Roberts em cena de "Depois da Caçada"- Divulgação Imagine Entertainment
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Dirigido por Luca Guadagnino, Depois da Caçada se ancora no ambiente criado pelos movimentos #MeToo e #Time’s Up, optando explorar as zonas cinzentas que surgem deles.

Com a ascensão do movimento #MeToo, e #Time’s Up, as relações de trabalho entre homens e mulheres sofreram abalos profundos, revelando tanto avanços importantes no combate ao assédio quanto usos oportunistas, em que acusações viraram também moeda de poder, em uma espécie de caça as bruxas que se mostra tão eficiente, quanto ineficaz, dentro de uma sociedade cada vez mais complexa e dividida. Tendo isto como inspiração, Guadagnino mergulha neste terreno ambíguo: um espaço que deveria ser seguro e de aprendizado, mas que verdade e mentira são menos relevantes do que as narrativas em disputa, e onde ética e sobrevivência institucional se misturam.

Depois da Caçada acompanha Alma Olsson, Julia Roberts, professora veterana colocada no centro de uma crise quando sua aluna promissora, Maggie, Ayo Edebiri, acusa o carismático e controverso Hank, Andrew Garfield, de assédio. Ao contrário de uma narrativa clássica de vítima e vilão, Guadagnino opta por multiplicar perspectivas, colocando o espectador na mesma posição de incerteza de Alma, duvidando sobre quem realmente acreditar, e principalmente, qual lado tomar. O conflito não se limita a uma acusação, mas também no choque entre gerações, modos de pensar e formas de agir, lembrando que, mesmo em um terreno onde causas são justas, o processo raramente é simples.

Andrew Garfield e Julia Roberts em cena de "Depois da Caçada"- Divulgação Sony Pictures

Andrew Garfield e Julia Roberts em cena de “Depois da Caçada”- Divulgação Sony Pictures

A direção faz uso de recursos estilísticos que dividem opiniões. A fotografia insiste em personagens envoltos na escuridão, como se a verdade lhes fosse negada, já o desenho sonoro introduz cordas tensas e um recorrente tique-taque, metáfora do tempo que se esgota. Para alguns, essa escolha cria angústia eficaz, para outros, soa repetitiva e até distrativa. O mesmo vale para o roteiro de Nora Garrett: atual e empático, com termos que vemos diariamente na geração atual como “gatilho”, porém, a produção excessivamente carrega seus diálogos filosóficos, alongando uma narrativa de 139 minutos e produzindo um ritmo irregular, variando entre a tensão e a sensação de estar se arrastando.

Do mesmo modo que Machado de Assis estruturou Dom Casmurro para que a dúvida importasse mais do que a verdade, Guadagnino constrói Depois da Caçada como um jogo de percepções, povoado de arenques vermelhos. Mas enquanto no romance machadiano essa ambiguidade é o próprio cerne da obra, aqui parte da crítica se encontra na artificialidade, multiplicando reviravoltas e ocasionando reflexões e disputas internas no espectador.

Julia Roberts entrega uma das performances mais complexas de sua carreira, sustentando a narrativa com um equilíbrio entre fragilidade e firmeza moral. Maggie e Hank surgem como polos de tensão, principalmente Hank, encarnando uma figura que se aproxima do antagonista clássico, ciente inclusive do modo como a própria sociedade o enxergaria, e sempre no limiar entre “fez ou não fez?”.

Ayo Edebiri em cena de "Depois da Caçada"- Divulgação Imagine Entertainment

Ayo Edebiri em cena de “Depois da Caçada”- Divulgação Imagine Entertainment

Após tudo resolvido, Depois da Caçada apresenta um epílogo situado cinco anos após os acontecimentos do filme, e que se encontra desnecessário para a narrativa, para uns oferecendo o fechamento necessário, para outros, somente uma amarra didática para uma história que se sustentava justamente na ambiguidade.

Em última instância, Depois da Caçada não busca respostas simples. Com ecos de Rivais (2024), Guadagnino aposta em conflitos humanos difusos, sem antagonistas plenamente definidos, mas sim transportados para o coração de uma crise ética contemporânea, e que não existe certo ou errado dentro deste tumultuado novo mundo. O resultado é um filme provocador, desigual, por vezes cansativo, mas capaz de gerar discussões importantes sobre poder, gênero, gerações e os limites da verdade em tempos de caça às bruxas.

Com distribuição da Sony Pictures Brasil, Depois da Caçada foi o filme de abertura do 27º Festival do Rio e estreia nos cinemas de São Paulo e Rio de Janeiro no dia 09 de Outubro, estreando dia 16 em outras cidades.

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Tags:#MeToo#Time’s UpCinemacríticaCritica Depois da CaçadaDepois da Caçadafestival do rioLuca Guadagninorivais
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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.

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