Dirigido por Luc Besson, Drácula: Uma História de Amor Eterno, adapta livremente o livro de Bram Stoker para contar uma história de amor
Da tríade clássica de monstros, Frankenstein, Lobisomem e Drácula, o vampiro é aquele que mais teve adaptações reinvenções com o passar dos anos. Da comédia ao horror, do erotismo ao puritano, o personagem de Bram Stoker sobrevive como um símbolo maleável e culturalmente rico, descrito por Roberto Fernández Retamar como parte da “forragem cinematográfica hegemônica do mundo anglo-saxão”. Podendo ser reimaginado até o infinito.
Ao longo das décadas, Bela Lugosi e Christopher Lee personificaram Drácula com estilos próprios — entre o medo e o fascínio. E mesmo em adaptações não oficiais, como Nosferatu (1922, F. W. Murnau), seu “irmão alemão renegado”, cada nova leitura do conde revela novas nuances: ora mais político, ora mais romântico, ora mais bestial.
Em 1992, Francis Ford Coppola marcou uma geração com sua leitura barroca e sensual em Drácula de Bram Stoker (1992, Francis Ford Coppola), introduzindo três elementos que se tornaram quase obrigatórios desde então: a origem romena em Vlad II, o amor perdido reencarnado em Mina, e o forte sotaque estrangeiro. São esses pilares que Luc Besson assume em seu mais novo projeto.

Christoph Waltz em cena de Drácula: Uma História de Amor Eterno- Divulgação Oficial
Em Drácula: Uma História de Amor Eterno, Besson abandona a aura sombria e apocalíptica para construir um personagem apaixonado, sensível e esteticamente encantado. A narrativa atravessa 400 anos de história, da vida de Vlad II à morte do Conde pelas mãos de um padre — personagem vivido com firmeza por Christoph Waltz. O roteiro, assinado também por Besson, faz alterações ousadas: une os papéis de Renfield e Lucy na figura de Maria, transporta a história para a França e propõe um desfecho diferente da conhecida caçada ao castelo. Tudo isso a menos de um ano do lançamento do sombrio, fiel e bem-sucedido Nosferatu (2024), de Robert Eggers.
O tom é visualmente exuberante, com figurinos assinados por Corinne Bruand, em seu segundo trabalho com o diretor, após Dogman (2023, Luc Besson) e cenários que evocam uma ópera barroca, com ecos de Moulin Rouge (2001, Baz Luhrmann) e Maria Antonieta (2006, Sofia Coppola). A trilha de Danny Elfman ajuda a compor esse universo sensorial, destacando-se em cenas como o baile elíptico que atravessa diversas cortes europeias em cortes rápidos e estilizados.
Caleb Landry Jones entrega uma performance que funde o Drácula de Gary Oldman e o Werther de Goethe, Sofrimentos do Jovem Werther (1749, Johann Wolfgang von Goethe): trágico, melodramático, mas com humanidade. A figura aterrorizante que permeia as versões de Eggers ou Herzog aqui dá lugar ao encanto, e ao cansaço do amor eterno, mais semelhante à Entrevista com o Vampiro (1994, Neil Jordan). É um Drácula mais lírico que ameaçador.
Ainda assim, nem tudo funciona. Com pouco mais de duas horas de duração, o filme se alonga mais do que deveria, especialmente em seu terceiro ato. A sequência final, que lembra a invasão do castelo em A Bela e a Fera (1991), revela as limitações de Luc Besson em filmar cenas de ação. O que sustenta o clímax são os diálogos entre o padre e o conde, e as reflexões sobre amor, liberdade e morte, não as lutas.

Caleb Laundry Jones, Zoe Bleu e Matilda de Angelis em cena Drácula: Uma História de Amor Eterno- Divulgação Oficial
Drácula: Uma História de Amor Eterno não é uma adaptação fiel. É uma releitura romântica e exagerada, mas coerente com a trajetória estética de seu diretor, misturando o fantástico com o melodrama, o gótico com o kitsch. Aqueles que buscam fidelidade ao texto original sairão frustrados, mas os que se permitirem mergulhar na proposta autoral do cineasta francês encontrarão um filme melancólico, estranho e, por fim, apaixonante.
Distribuído pela Paris Filmes, Drácula: Uma História de Amor Eterno estreia nos cinemas no dia 07 de Agosto.
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