Saturday, December 3, 2022

Crítica | Floresta Vermelho Escuro: Monjas Budistas no Tibet

Floresta Vermelho Escuro: Monjas Budistas no Tibet (Dark Red Forest) é uma oportunidade de aprender sobre budismo, mais especificamente o tibetano, e ver essa cultura tão diferente da ocidental. A princípio, belos planos abertos mostram a beleza inóspita daquela região tão isolada. Em seguida, acompanhamos o cotidiano das monjas do Monastério Yarchen. É quase assustador ver as cabanas individuais onde elas ficam, 100 dias por ano, sozinhas, num inverno rigoroso, em busca da iluminação e de compreender os ensinamentos de Buda Sakyamuni.

No Tibet, é nobre que alguém vire monge e o Monastério Yarchen é um dos maiores. Fica no alto das montanhas da província de Sichuan, com mais de 10.000 monges e monjas budistas. Eles seguem os ensinamentos do líder Asong Tulku, o qual aconselha meditação e expiação para seus discípulos e é reverenciado como um Buda vivo.

O mosteiro foi estabelecido em 1985 por Lama Achuk Rinpoche, no condado de Baiyu, na província autônoma tibetana de Garzê, no oeste de Sichuan. A quatro mil metros de altitude, o acesso é extremamente difícil.

É nesse local que ficam isoladas, milhares de mulheres, totalmente dedicadas à religiosidade budista e refletindo sobre sofrimento, meditação e questões existenciais.

Questionamentos

“Já encontrou a razão do sofrimento?”, pergunta o guru. O sofrimento vem dos desejos, das obsessões humanas, surge a resposta. Os planos fechados mostram os movimentos das mãos durante entoação de cânticos, uma coreografia espiritual, meditativa. Por outro lado, a beleza das montanhas nevadas contrasta com o vermelho escuros das túnicas.

Ainda é possível ver práticas medicinais, muitas com ferro quente, e que podem chocar alguns espectadores. Queimam pontos específicos para curar doenças. Medicina oriental ancestral tibetana no telão.

A morte é inevitável. Tenha compaixão por todos os seres. Rezem pelo perdão dos pecados.

(frases que saltam no filme)

Por fim, as cenas finais, lindas, falam sobre abraçar o imprevisível. A direção de Huaqing Jin merece palmas. O cineasta chinês nasceu em 1980 e começou sua carreira com curtas-metragens documentais. Seus filmes ganharam prêmios em mais de 40 países. Floresta Vermelho Escuro: Monjas Budistas no Tibet é seu primeiro longa, e que venham outros, principalmente esses que registram uma cultura tão resistente.

Além disso, o filme denuncia de forma sutil como a ditadura socialista chinesa ordenou que a maior parte das monjas deixassem o mosteiro. A saber, o filme percorre os anos de 2017 e 2018, porém, até o final de 2019, mais da metade das residências do local haviam sido demolidas pelas autoridades chinesas.

Serviço:

Sessões para Floresta Vermelho Escuro: Monjas Budistas no Tibet

Domingo, 09/10 – 18:45 Estação NET Rio 4
Domingo, 16/10 – 16:45 Estação NET Gávea 2

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