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CríticaEspetáculos

Crítica: ‘Gostava Mais dos Pais’ mistura nostalgia, crítica social e humor inteligente


Espetáculo mistura nostalgia, humor contemporâneo e reflexões sobre legado, redes sociais e os limites da comédia.

Por Alvaro Tallarico
Última Atualização 15 de março de 2026
5 Min Leitura
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Carregar o legado de dois gigantes da comédia brasileira poderia ser um peso difícil de administrar, mas em Gostava Mais dos Pais essa herança se transforma em matéria-prima para um espetáculo inteligente, afetivo e bastante atual. Em cartaz no Teatro Riachuelo Rio, a peça protagonizada por Bruno Mazzeo e Lucio Mauro Filho consegue equilibrar memória, crítica social e humor contemporâneo com naturalidade.

A montagem parte justamente do ponto que poderia ser visto como um fardo: ser filho de dois ícones do humor brasileiro. No caso de Mazzeo, Chico Anysio; no de Lucio Mauro Filho, Lucio Mauro. Em vez de tratar essa herança com solenidade, o espetáculo prefere abordá-la com leveza e ironia, transformando comparações inevitáveis em material cômico.

Um dos pontos mais interessantes da peça está na forma como ela dialoga com a tradição do humor no Brasil. Ao longo do espetáculo, surgem referências, estilos e momentos que remetem a diferentes gerações de comediantes, criando uma espécie de tributo à história da comédia televisiva e teatral do país.

Outro mérito da montagem é a forma como utiliza a nostalgia. Em vez de transformar o espetáculo em um exercício constante de memória afetiva, os momentos nostálgicos surgem de forma pontual e estratégica.

Quando aparecem, funcionam como catarse.

Se o passado tem espaço na narrativa, o presente ocupa papel central. O texto explora com bom humor algumas das transformações mais marcantes da cultura contemporânea.

Entre os alvos da peça estão o universo dos influenciadores digitais, os podcasts e a lógica de exposição das redes sociais. Mazzeo e Lucio Mauro Filho observam essas mudanças com um olhar crítico, mas sem cair em um discurso amargo ou reacionário.

O humor surge justamente do contraste entre duas gerações de comediantes formados em um outro ambiente cultural e a pressão para se adaptarem a um mundo dominado por algoritmos, viralizações e métricas de engajamento.

A peça também comenta temas como a cultura do cancelamento, as fake news e a dificuldade de encontrar espaço para um humor que dialogue com o presente sem perder sua identidade.

Essas reflexões aparecem dentro de esquetes rápidas, muitas vezes construídas a partir de situações absurdas que revelam as contradições do ambiente digital. Há momentos geniais.

Ao abordar esses temas, o espetáculo consegue rir das mudanças contemporâneas sem ignorar que elas fazem parte da realidade atual.

Autoficção e múltiplos personagens em Gostava Mais dos Pais

A dramaturgia assinada por Aloísio de Abreu e Rosana Ferrão, com direção de Debora Lamm, aposta em uma mistura de autoficção e personagens variados.

Mazzeo e Lucio Mauro Filho interpretam diferentes figuras ao longo da apresentação, alternando rapidamente entre versões de si mesmos e personagens criados para as esquetes.

Esse formato permite que a peça explore diferentes temas sem perder a unidade narrativa centrada na amizade entre os dois atores.

Um espetáculo sobre amizade e legado

No centro da peça está também a relação entre os protagonistas. A amizade de longa data entre os dois funciona como eixo emocional da montagem.

Essa parceria, herdada em parte da relação entre seus pais, atravessa todo o espetáculo e confere ao humor uma dimensão afetiva que vai além da simples sucessão de piadas.

Em vários momentos, o espetáculo também toca em questões relacionadas à passagem do tempo, ao envelhecimento e à busca por relevância em uma indústria que muda rapidamente.

Apesar de manter o tom leve, a peça também levanta perguntas interessantes sobre o papel do humor na sociedade.

Até que ponto a comédia deve se adaptar às mudanças culturais? Existe espaço para estilos de humor mais tradicionais em um ambiente dominado pelas redes sociais? E como artistas formados em outra época encontram seu lugar nesse novo cenário?

Essas perguntas aparecem de forma implícita ao longo do espetáculo e ajudam a enriquecer a experiência do público.

No fim das contas, a peça funciona bem no geral. Diverte. Mas ao sair, foi impossível não pensar: Gostava Mais dos Pais.

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Miguel Falabella revisita décadas de dramaturgia em A partilha e outras peças teatrais

Serviço – Gostava Mais dos Pais

Data: 12 de março a 05 de abril

Horários: Quinta, sexta e sábado: 20h / domingo: 18h

Vendas: https://www.ingresso.com/evento/gostava-mais-dos-pais?partnership=adw-teatros-rj&gad_source=1&gad_campaignid=21978087326&gbraid=0AAAAAD6mqB_V6B5GlqJJnjCeuG4WjgQCX&gclid=CjwKCAiA3-3KBhBiEiwA2x7FdNIh3uv6rjigX7OR-OJY5yR-N1FXa84b6ma_nFYzK5G7VIN8GGjCPhoCWDAQAvD_BwE  

Classificação: 14 anos

Duração: 90 minutos

Tags:Bruno MazzeoChico Anysio legadocomédia brasileira contemporâneacrítica Gostava Mais dos Paisespetáculo Bruno Mazzeo teatroGostava Mais dos Paishumor brasileiro teatroLucio Mauro comedianteLucio Mauro Filhopeça sobre humor e redes sociaispeça Teatro Riachuelo Rioteatro comédia brasileira
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Jornalista especializado em Jornalismo Cultural pela UERJ.
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