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Laura Dern e Will Arnett em cena de "Isso Ainda Está de Pé?"- Divulgação Searchlight Pictures
CríticaCinema e Streaming

Crítica: ‘Isso Ainda Está de Pé?’ encontra forças na intimidade e no riso

Por
André Quental Sanchez
Última Atualização 12 de fevereiro de 2026
6 Min Leitura
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Laura Dern e Will Arnett em cena de "Isso Ainda Está de Pé?"- Divulgação Searchlight Pictures
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Dirigido por Bradley Cooper, Isso Ainda Está de Pé? demonstra os altos, baixos e complexidades dos relacionamentos humanos, e como, dentro deles, o riso pode se tornar tão essencial quanto o choro.

Após o surpreendente Nasce Uma Estrela (2018) e o megalomaníaco tour de force que foi Maestro (2023), observar Bradley Cooper conduzir uma produção tão íntima e despretensiosa quanto Isso Ainda Está de Pé? é, no mínimo, surpreendente. Aqui, não há uma ídola pop como Lady Gaga, músicas grandiosas ou sequências em preto e branco que exaurem o espectador. O que há é uma história sobre relacionamentos e sobre a dúvida que ecoa após o desgaste: apesar dos problemas e complicações, ainda existe força para tentar uma última dança com quem um dia foi tudo?

Baseado na vida de John Bishop, o filme traz um autodepreciativo e irônico Will Arnett, em um papel que dialoga com sua filmografia anterior, mas que, neste contexto, ganha novas camadas. Ao seu lado, Laura Dern entrega uma potência que muitas vezes supera a de Arnett. Juntos, constroem um casal em crise cuja interação oscila entre o afeto e o confronto, de momentos íntimos, como dividir um cookie no metrô, a discussões sobre feridas do passado. A química é palpável e capturada de modo próximo por Cooper, que além de dirigir e atuar, assume também a câmera em diversos momentos.

Os planos-sequência prolongados permitem que o público respire; a câmera na mão intensifica a intimidade; o design sonoro varia entra a paz e o caos; e a edição, ainda que estenda a duração um pouco além do necessário, mantém um ritmo coerente com a proposta. Não há aqui o cataclisma emocional de História de um Casamento (2019, Noah Baumbach), mas sim algo mais contido, fazendo com que Isso Ainda Está de Pé? se encaixe no subgênero de “comédia de recasamento”.

Will Arnett e Laura Dern em cena de "Isso Ainda Está de Pé?"- Divulgação Searchlight Pictures

Will Arnett e Laura Dern em cena de “Isso Ainda Está de Pé?”- Divulgação Searchlight Pictures

Esse subgênero floresceu durante a Era de Ouro de Hollywood, quando o Código Hays restringia representações de adultério e sexo ilícito. O casal começava junto, se separava, vivia jornadas individuais e, por fim, reencontrava-se, percebendo que o amor era mais forte do que imaginavam. Cooper atualiza essa tradição com naturalidade, incorporando um elemento central à narrativa: o stand-up.

Isso Ainda Está de Pé? já se inicia com Alex (Arnett) e Tess (Dern) aceitando a separação. Os momentos felizes surgem por meio de duas construções essenciais: a química entre os protagonistas e o uso orgânico do stand-up como ferramenta de exposição emocional. Longe de cansar, o recurso potencializa o arco do personagem e relembra trabalhos como BoJack Horseman (2014), onde Arnett demonstrou que sua veia cômica sempre esteve acompanhada de densidade dramática, em certos momentos, somente com uma câmera estática durante o seu número, o público apresenta toda uma gama de emoções.

Nas quase duas horas de Isso Ainda Está de Pé?, acompanhamos os altos e baixos de Alex e o potencial terapêutico que o palco lhe proporciona. É através da comédia que ele encontra forças para confrontar seus próprios fracassos e reconsiderar o casamento que julgava perdido. A produção evita falsos moralismos e deixa claro que a felicidade em uma relação não depende exclusivamente do outro, mas da forma como lidamos com nossas próprias frustrações. Não é por acaso que uma das frases mais potentes, em um filme conduzido exclusivamente por diálogos, seja o grito de Alex: “Eu estava infeliz no nosso casamento, não com o nosso casamento.”

Will Arnett e Bradley Cooper em cena de "Isso Ainda Está de Pé?"- Divulgação Searchlight Pictures

Will Arnett e Bradley Cooper em cena de “Isso Ainda Está de Pé?”- Divulgação Searchlight Pictures

Ao final, destaca-se ainda o uso de comediantes de stand-up como coadjuvantes, enriquecendo o universo apresentado. Já o personagem vivido por Cooper surge quase deslocado, como se pertencesse a outro filme, e é justamente essa dissonância que provoca a epifania final de Alex. A conclusão não se prende a idealizações românticas nem a certezas absolutas. Em vez disso, sugere algo mais maduro: amar, às vezes, exige reconhecer o que mudou, e decidir, com lucidez, se ainda vale permanecer de pé.

Distribuído pela Searchlight Pictures, Isso Ainda Está de Pé? estreia nos cinemas brasileiros no dia 19 de fevereiro.

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