Assistir Kokuho – O Preço da Perfeição é entrar em uma experiência que se aproxima mais de acompanhar uma vida inteira do que simplesmente ver um filme.
A produção dirigida por Lee Sang-il não se comporta como um drama tradicional, mas como uma verdadeira saga — uma obra de quase três horas que, em vários momentos, dá a sensação de estar diante de uma série acompanhada em maratona.
A sessão especial no Rio de Janeiro, realizada no Cinemark Botafogo, evidenciou justamente isso: trata-se de um filme que exige tempo, mas recompensa cada minuto com construção dramática paciente e profundamente envolvente.
Baseado no romance de Shuichi Yoshida e com roteiro de Satoko Okudera, o longa acompanha Kikuo, jovem que testemunha o assassinato do pai ligado à yakuza e passa a ser criado pelo lendário ator de kabuki Hanai Hanjiro II.

Na adolescência, vivido por Soya Kurokawa, o personagem entra no universo da arte tradicional japonesa ao lado de Shunsuke, herdeiro da casa teatral. Já adulto, interpretado por Ryô Yoshizawa, sua trajetória torna-se uma busca intensa por reconhecimento, perfeição e identidade.
A narrativa de Kokuho acompanha décadas da vida do protagonista, explorando rivalidade, afeto, família e herança artística. O filme observa como a arte pode ser simultaneamente refúgio, prisão e propósito de existência.
A cinematografia de Sofian El Fani é um dos pontos mais impressionantes do longa. É de fazer chorar de tão linda. A fotografia transforma o kabuki em espetáculo cinematográfico, combinando iluminação teatral, cores vivas e enquadramentos contemplativos.
A direção de arte de Yohei Taneda é envolvente, transporta para aquele mundo, e o figurino de Kumiko Ogawa amplia a imersão, recriando épocas e palcos com detalhamento minucioso. Não surpreende que Kokuho esteja indicado ao Oscar de Maquiagem e Penteado — mas a sensação é de que a produção poderia disputar categorias muito maiores.

O preparo dos atores para representar a tradição kabuki é perceptível. Cada gesto corporal, postura e olhar carregam disciplina técnica rara no cinema contemporâneo.
Ryô Yoshizawa sustenta o filme com uma interpretação que cresce junto com o personagem. Ele não apenas atua — ele constrói um artista consumido pela própria vocação.
Ao seu redor, o elenco reforça o peso dramático: Ken Watanabe, Ryusei Yokohama, Shinobu Terajima e Min Tanaka ajudam a dar densidade à relação entre tradição e identidade.
O resultado são atuações emocionalmente fortes sem recorrer a exageros melodramáticos.
Kokuho é um épico que merecia mais atenção no Oscar
Indicado apenas a Maquiagem e Penteado, Kokuho chegou a disputar vaga entre os candidatos a Melhor Filme Internacional. Após assistir aos concorrentes, fica a sensação de que ele não ficaria atrás de nenhum deles — e poderia estar inclusive na categoria principal.
Kokuho – O Preço da Perfeição não é apenas um drama histórico. É um filme sobre o preço de dedicar a própria vida à arte, sobre a linha tênue entre talento e obsessão e sobre como tradição e identidade se confundem.
Mais do que um bom filme, é uma verdadeira experiência cinematográfica completa, longa, contemplativa e profundamente marcante.
O excelente filme, o melhor que vi em 2026 até agora, estreia em 05 de março nos cinemas brasileiros co-distribuído pela Sato Company e pela Imovision, em uma parceria inédita.
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