O sétimo episódio de Lanternas funciona melhor quando deixa de lado a necessidade de transformar Hal Jordan e John Stewart em adversários e permite que os dois simplesmente sejam parceiros. A viagem ao planeta desconhecido amplia a escala da série, enquanto a relação entre os dois protagonistas finalmente ganha uma dinâmica mais natural. O problema é que, faltando apenas um episódio, a produção ainda precisa resolver muita coisa. A lentidão me causa certo desconforto às vezes, ao mesmo tempo que gosto, libera um receio…
A jornada pelo planeta é um dos pontos altos do capítulo. Depois de tantos episódios concentrados na investigação e nos conflitos pessoais, a mudança de ambiente ajuda a dar uma sensação maior de aventura ao universo dos Lanternas. A descoberta do que aconteceu com a população local também acrescenta uma camada de mistério que conversa diretamente com a mitologia dos quadrinhos.
O planeta foi destruído por um gás que provocou medo extremo entre seus habitantes, levando-os a atacar uns aos outros. A ideia é simples, mas funciona justamente porque não parece apenas um elemento aleatório de ficção científica. O medo passa a ter uma relação evidente com Sinestro e com aquilo que pode estar sendo preparado para o encerramento da temporada.
E aí Lanternas começa a brincar com uma possibilidade bastante interessante: a introdução do conceito dos Lanternas Amarelos.

Sinestro passou anos preso, mas Guy Gardner revelou no episódio anterior que ele foi libertado. Agora, descobrimos que o personagem está justamente nesse planeta. A coincidência parece grande demais para ser ignorada, especialmente porque a população morreu dominada pelo medo, justamente a emoção associada ao poder dos Lanternas Amarelos.
A série ainda não confirma o que pretende fazer com isso, e é melhor que não confirme. Existe uma diferença importante entre criar uma pista e entregar antecipadamente a resposta. Nesse aspecto, o episódio consegue construir expectativa para o capítulo final sem transformar tudo em uma exposição sobre a mitologia da DC.
O que funciona ainda melhor, porém, está entre Hal e John.
Depois de uma temporada em que a relação dos dois foi marcada por conflitos que, em determinados momentos, pareciam excessivamente forçados, o episódio finalmente encontra um caminho mais interessante. Há uma percepção mais clara da relação entre mestre e aprendiz, mas também existe espaço para amizade, respeito e identificação.
Hal aparece em uma versão mais jovem e vulnerável, e isso ajuda a entender melhor o homem que ele se tornou. A série consegue mostrar o peso da experiência que o personagem carrega sem transformar toda cena em uma explicação sobre seu passado. Kyle Chandler também encontra um equilíbrio interessante entre o Hal mais descontraído e o personagem marcado por dores que ele normalmente tenta esconder. A atuação dele segue como um dos maiores destaques da série e será uma pena se ele não voltar a ser utilizado no futuro.
John, por sua vez, começa a enxergar Hal de outra maneira. A dinâmica entre os dois continua tendo humor e provocações, mas existe algo mais verdadeiro por trás das conversas. É justamente esse tipo de interação que fazia falta.
Curiosamente, o episódio também reforça uma impressão que Lanternas vem construindo ao longo da temporada, a de que Hal e John funcionam melhor juntos do que em oposição permanente. A série não precisava transformar os dois em amigos desde o primeiro episódio, mas poderia ter encontrado antes esse equilíbrio entre conflito e admiração.
A segunda metade do episódio é especialmente eficiente nesse sentido. O suspense aumenta, as revelações começam a se encaixar e a história de Antaan ganha outro peso. O capítulo também trabalha melhor as fragilidades de John e deixa uma série de informações importantes sobre o passado de Hal.
O problema é justamente a quantidade de coisas que ficaram para o último episódio.
Ainda existe muito para resolver. A jornada de John para se tornar um Lanterna deveria estar mais avançada neste ponto da temporada. Sinestro foi utilizado com bastante parcimônia e, agora, aparece justamente quando a história precisa acelerar. Também faltam respostas sobre os outros Lanternas, os Guardiões e suas verdadeiras intenções.
Há ainda o arco da chantagem, que continua sendo uma das partes menos convincentes da temporada. As decisões tomadas por John nos últimos episódios ajudam a movimentar a trama, mas algumas situações parecem existir mais para criar conflito do que porque surgem naturalmente das características do personagem.
Isso acaba deixando uma sensação curiosa. O episódio 7 é legal justamente porque encontra a série que Lanternas poderia ter sido desde o começo, uma história de investigação e ficção científica que também entende seus personagens e permite que Hal e John construam uma relação convincente.
Ao mesmo tempo, é impossível não pensar que essa dinâmica poderia ter aparecido mais antes. A temporada teria ganhado muito se tivesse investido mais cedo na química entre os dois, em vez de prolongar uma hostilidade que nem sempre parecia orgânica.
Ainda assim, o episódio entrega emoção, humor, vulnerabilidade e suspense. A viagem ao planeta acrescenta escala à história, o passado de Hal ganha novas camadas e John finalmente começa a assumir um espaço maior dentro da narrativa.
E Sinestro está ali, escondido no lugar mais conveniente possível para uma história sobre medo.
Agora resta saber se Lanternas vai conseguir transformar todas essas peças em um encerramento satisfatório. O episódio 7 prepara um último capítulo potencialmente grande, mas também coloca sobre ele uma responsabilidade enorme: explicar o que aconteceu com Hal, concluir a investigação, desenvolver John como Lanterna, revelar o papel de Sinestro e, se a série realmente estiver preparando esse caminho, apresentar as primeiras bases dos Lanternas Amarelos.
É muita coisa para apenas um episódio. Mas a série tem feito bem isso, de ir respondendo questões aos poucos. Evoluindo os personagens sem pressa. Aliás, as cenas no barco são ótimas. Desde Hal abrindo o coração até John enfrentando seus medos.
Por enquanto, porém, Lanternas chega ao penúltimo capítulo em uma posição interessante. Não é um episódio perfeito, e a temporada ainda carrega problemas de ritmo e de roteiro, mas este capítulo finalmente encontra um dos elementos mais importantes da série: a relação entre Hal Jordan e John Stewart.
E, quando os dois estão funcionando juntos, Lanternas fica muito mais interessante.
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