Ao usar este site, você concorda com a Política de Privacidade e termos de uso.
Aceito
Vivente AndanteVivente AndanteVivente Andante
  • Cinema e Streaming
  • Música
  • Literatura
  • Cultura
  • Turismo
Font ResizerAa
Vivente AndanteVivente Andante
Font ResizerAa
Buscar
  • Cinema e Streaming
  • Música
  • Literatura
  • Cultura
  • Turismo
Mark Wahlberg em cena de "No Limite da Justiça"- Divulgação Diamond Pictures Br
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘No Limite da Justiça’ entrega buddy movie em meio à violência e segregação

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 15 de setembro de 2026
8 Min Leitura
Share
Mark Wahlberg em cena de "No Limite da Justiça"- Divulgação Diamond Pictures Br
SHARE

Dirigido por Elegance Bratton, No Limite da Justiça explora os limites do buddy movie em um universo que nunca se mostra seguro e é constantemente obrigado a lembrar o espectador disso

Da mesma forma que fizemos com Pressão (2026, Anthony Maras), No Limite da Justiça nos coloca diante de um pedaço oculto da história que ganha uma representação audiovisual para o grande público. No caso específico da produção de Elegance Bratton, somos transportados para o sul dos Estados Unidos em 1966, dois anos antes da morte de Martin Luther King Jr. e em um dos períodos mais segregacionistas da história norte-americana.

A partir da união entre o leal e dedicado agente negro do FBI Wayne Strider e o misterioso e controverso Greg Scarpa, agente ligado à máfia que realiza o trabalho sujo que a Justiça oficial não consegue fazer, o filme apresenta uma América dominada pela Ku Klux Klan e por um sistema que, em vez de proteger aqueles que mais precisam, frequentemente trabalha contra eles.

Strider e Scarpa fazem o bem à sua própria maneira, mas seguem códigos de conduta e princípios morais completamente diferentes. É justamente nessa dualidade que está um dos maiores méritos do filme. De um lado, temos o agente do FBI que ainda acredita na possibilidade de transformar o sistema por dentro; do outro, o justiceiro carismático interpretado por Mark Wahlberg, disposto a ultrapassar qualquer limite para alcançar seus objetivos. A dinâmica entre ambos funciona tanto nas piadas rápidas quanto nas sequências mais longas de ação, especialmente à medida que Strider começa a perceber que, dentro daquele sistema, talvez seja necessário agir por conta própria.

A produção, entretanto, passa longe de ser uma espécie de A Hora do Rush (1998, Brett Ratner), quando o assunto é comédia. Seus respiros cômicos existem, mas No Limite da Justiça prefere manter os pés no chão. E, curiosamente, é justamente quando tenta tornar esse universo mais ameaçador que sua estética começa a chamar atenção demais para si mesma.

Yahya Abdul-Mateen II em cena de "No Limite da Justiça"- Divulgação Diamond Pictures Br

Yahya Abdul-Mateen II em cena de “No Limite da Justiça”- Divulgação Diamond Pictures Br

A reunião da Klan em uma sala escura, iluminada por uma luz alaranjada enquanto as sombras das persianas atravessam os rostos dos personagens, por exemplo, é uma escolha muito menos sutil do que aquela utilizada por Spike Lee em Infiltrado na Klan (2018). O problema não está necessariamente na imagem em si, mas na maneira como o filme insiste nesse tipo de composição, elevando sua estética a um ponto que, em determinados momentos, parece pertencer a outra produção.

Quando Vernon Dahmer protege sua casa e a câmera assume uma perspectiva em primeira pessoa, pela primeira e única vez durante o longa, o resultado também provoca estranhamento. O mesmo acontece com os cortes secos que quebram o ritmo e introduzem sequências que nem sempre conversam organicamente com o que veio antes. Somam-se a isso pequenos detalhes convenientes demais para um universo em que personagens podem assassinar, apontar armas e agir fora da lei sem que as consequências sejam proporcionais às suas ações. A verossimilhança, portanto, acaba se tornando um dos principais problemas de No Limite da Justiça.

Compreendemos que aquele universo existiu e que a violência retratada possui raízes históricas concretas. O problema é que o filme exagera seus acontecimentos até o último momento, transformando a narrativa em uma sucessão quase ininterrupta de ação, reação, preocupação e sofrimento para Strider. Tudo parece construído para reforçar uma mensagem que, no fundo, é muito mais simples do que a produção tenta fazer parecer: o sistema não funciona.

Yahya Abdul-Mateen II em cena de "No Limite da Justiça"- Divulgação Diamond Pictures Br

Yahya Abdul-Mateen II em cena de “No Limite da Justiça”- Divulgação Diamond Pictures Br

Existe uma frase muito boa em Deadpool: “Um policial faz mais coisas se for demitido”. Ironicamente, é justamente quando Strider perde seu cargo que ele começa, de fato, a agir e a produzir a diferença que tanto desejava dentro da comunidade e do próprio FBI. Ele não adota exatamente o código de conduta de Scarpa, mas encontra uma espécie de meio-termo entre a burocracia institucional e a justiça pelas próprias mãos.

E aqui surge uma questão moral interessante: ambos deveriam ser responsabilizados pelos crimes e pelos métodos pouco ortodoxos utilizados para conseguir informações? Em um mundo verdadeiramente justo, sim. Mas não no mundo de No Limite da Justiça. Afinal, a lógica apresentada pelo filme é bastante simples: eles não estão ferindo inocentes; estão ferindo membros da Klan. A questão é que, ao abraçar essa lógica, a produção também corre o risco de simplificar justamente o debate moral que poderia torná-la mais complexa.

Com 107 minutos de duração, No Limite da Justiça poderia ter investido menos em um drama social constantemente intensificado e mais em uma interação natural e marcante entre Strider e Scarpa. Afinal, os dois personagens são brilhantemente defendidos por seus respectivos intérpretes e possuem uma química interessante o suficiente para que alguns dos momentos mais íntimos entre eles sejam também os melhores do filme.

A confissão de Strider sobre a vez em que queimou um carro da polícia é um bom exemplo: sem grandes explosões ou discursos, a cena permite que a relação entre os dois respire e revela muito mais sobre o personagem do que algumas das sequências de ação.

Ao final, a lição deixada No Limite da Justiça é amarga. O encerramento acompanhado por imagens de movimentos e manifestações contra o segregacionismo tampouco ajuda a resolver as questões levantadas ao longo da narrativa. Compreendemos que o sistema é falido e que a mensagem não pretende ser confortável, mas falta ao filme uma resolução verdadeiramente significativa para os conflitos apresentados.

No Limite da Justiça é, portanto, uma produção ágil, com boas sequências de ação, toques de humor e um interessante embate entre dois personagens que representam maneiras distintas de fazer justiça. O problema é que, ao tentar reforçar constantemente a opressão daquele universo, o filme acaba tornando sua própria mensagem excessivamente evidente. Há pouco espaço para sutileza, justamente em uma história que poderia encontrar sua maior força nas contradições de seus protagonistas.

É uma pena que o filme nem sempre perceba que, entre dois homens tentando encontrar justiça em um sistema injusto, havia uma história muito mais interessante do que aquela que decidiu contar.

Distribuído pela Diamond Films Brasil, No Limite da Justiça chega aos cinemas no dia 17 de setembro de 2026.

Siga-nos e confira outras notícias @viventeandante e no nosso canal de whatsapp!

Leia mais

  • Crítica: ‘Oasis: Don’t Look Back In Anger’ transforma o caos dos Gallagher em bíblica história de redenção
  • Crítica: ‘Espermagedom’, o absurdo nunca foi tão gozado
  • Crítica: ‘Morte e Vida Madalena’ celebra o caos e a resistência do cinema independente brasileiro
Tags:Cinemacinema 2026críticaDestaque no ViventeElegance Brattonfilmes de ação 2026filmes sobre segregação racialKu Klux KlanMark WahlbergNo Limite da JustiçaNo Limite da Justiça críticaNo Limite da Justiça filme
Compartilhe este artigo
Facebook Copie o Link Print
PorAndré Quental Sanchez
Me Siga!
André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.

Vem Conhecer o Vivente!

1.7KSeguidoresMe Siga!

Leia Também no Vivente

filme regra 34 de Julia Murat
CríticaCinema e StreamingNotícias

Crítica | ‘Regra 34’ traz reflexões impactantes sobre liberdade e moralidade

Redação
5 Min Leitura
Volta ao Mundo: Espanha Saura s
Cinema e StreamingCulturaEventos

Volta ao Mundo: Espanha | Petra Belas Artes À La Carte apresenta 12 filmes

Redação
9 Min Leitura
Cinema e Streaming

“São Paulo S/A”, de Luiz Sérgio Person, volta aos cinemas em 4K com debate especial no Rio

Redação
2 Min Leitura
logo
Todos os Direitos Reservados a Vivente Andante.
  • Política de Privacidade
Welcome Back!

Sign in to your account

Username or Email Address
Password

Lost your password?