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Sinopse: Um homem diante do filho recém-nascido. Em meio à iminência da perda, memórias e silêncios se cruzam. Manso mergulha na construção da paternidade como espaço de presença, afeto e reinvenção, refletindo sobre o que é — e o que pode ser — ser pai.
CríticaEspetáculos

Crítica: ‘Manso’ transforma a paternidade em matéria cênica íntima, mas esbarra na própria contenção

Por Alvaro Tallarico
Última Atualização 8 de junho de 2026
4 Min Leitura
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reprodução / instagram
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Em um momento em que os debates sobre masculinidade e paternidade ocupam cada vez mais espaço na sociedade e nas artes, Manso surge como uma proposta sensível e necessária. Escrito e interpretado por Felipe Haiut, com direção de André Paes Leme, o espetáculo investiga a experiência de um homem diante do nascimento do filho, transformando memórias, medos e ausências em matéria dramática.

A montagem aposta na simplicidade. Com pouco mais de uma hora de duração, evita excessos e constrói uma narrativa concentrada, quase confessional. Há algo de visceral na forma como o texto expõe fragilidades masculinas raramente colocadas em primeiro plano. A paternidade não aparece como idealização, mas como um território de dúvidas, heranças emocionais e reinvenções possíveis.

No início, senti uma nostalgia, lembrei de meu pai enquanto o protagonista contava sobre o seu. Uma aura de anos 80 e 90. Felipe Haiut sustenta sozinho o espetáculo com entrega e honestidade. Seu trabalho evita caricaturas e procura um registro íntimo, próximo da conversa. A direção de André Paes Leme acompanha essa escolha, privilegiando o silêncio, os vazios e as pausas como elementos fundamentais da narrativa. A iluminação de Rodrigo Miranda e a trilha sonora de Marcelo H colaboram para criar uma atmosfera delicada e bastante introspectiva.

No entanto, é justamente nessa aposta na contenção que Manso encontra sua principal limitação. Embora o espetáculo aborde temas capazes de provocar forte identificação emocional, a encenação parece permanecer sempre a um passo de uma explosão dramática que nunca chega completamente. Existe emoção, especialmente nos momentos finais, mas ela não alcança a intensidade que a obra parece perseguir ao longo de sua trajetória.

A sensação é de que falta algo para que o mergulho emocional se complete. Talvez maior conflito, talvez mais risco dramatúrgico, talvez uma camada adicional que amplie a experiência para além do relato pessoal. O texto toca em questões universais, mas nem sempre consegue transformá-las em imagens ou situações de igual potência cênica.

Ainda assim, o espetáculo encontra méritos importantes em sua delicadeza. Sua curta duração joga a favor da proposta, impedindo que a narrativa se torne repetitiva ou excessivamente contemplativa. Quando termina, deixa reflexões relevantes sobre herança afetiva, cuidado e a construção do papel paterno nos dias atuais.

Manso é uma peça sincera e bem-intencionada, que aborda um tema pouco explorado no teatro contemporâneo. Seu desfecho emociona e há verdade no que é colocado em cena. Mas permanece a impressão de que a montagem poderia ir além, alcançando uma força dramática que apenas insinua durante boa parte da apresentação.

Serviço – Manso

Espetáculo: Manso
Dramaturgia e atuação: Felipe Haiut
Direção: André Paes Leme

Local: Teatro 2 do Sesc Tijuca
Endereço: Rua Barão de Mesquita, 539 – Tijuca, Rio de Janeiro

Temporada: até 14 de junho de 2026

Horários:

  • Quintas, sextas e sábados, às 19h
  • Domingos, às 18h

Classificação indicativa: 14 anos

Duração: aproximadamente 60 minutos

Ingressos:

  • Gratuito (PCG)
  • R$ 21 (habilitado Sesc)
  • R$ 15 (meia-entrada)
  • R$ 27 (conveniado)
  • R$ 30 (inteira)

Acessibilidade: Estrutural. Sessões com intérprete de Libras nos dias 30 de maio e 13 de junho.

Ingressos: disponíveis pela plataforma Ingressos.com e na bilheteria do Sesc Tijuca.

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Jornalista especializado em Jornalismo Cultural pela UERJ.

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