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Cena de "Nosso Natal em Família"- Divulgação
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Nosso Natal em Família’ traz de forma melancólica as nuâncias da época natalina

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 29 de dezembro de 2025
6 Min Leitura
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Cena de "Nosso Natal em Família"- Divulgação
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Dirigido por Tyler Taormina, Nosso Natal em Família se apoia em uma atmosfera clássica dos anos 1960 para retratar sentimentos intensos e contraditórios que emergem com força no fim do ano.

A tradição natalina costuma se manter relativamente constante, independentemente do país: harmonia, união e fraternidade entre irmãos e familiares. Mesmo quando esses sentimentos não estão presentes ao longo do resto do ano, no Natal eles surgem, ainda que carregados de certa hipocrisia. É justamente nessa ambiguidade que reside o encanto do período: um momento mágico de encontros, reflexões, sentimentos dúbios e desabafos, que convivem lado a lado com Papai Noel, presentes e até passas no arroz. E é este sentimento de dualidade que dá a base para Nosso Natal em Família.

A produção de Taormina apresenta uma estética que remete diretamente ao cinema dos anos 60, desde a filmagem em película até a composição visual granulada, que mescla iluminação natural e artificial ao longo de toda a obra. Em diversos momentos, por conta do inovador e melancólico jogo de luzes naturalista e não naturalistas, o filme evoca O Fundo do Coração (1982), de Francis Ford Coppola, compartilhando com ele o caráter autoral, a autenticidade e a sensibilidade presentes em cada plano. Ainda que o ritmo seja deliberadamente lento e o arco dramático principal nem sempre seja claro, o longa se estabelece como uma experiência para ser apreciada com calma, mais sentida do que explicada.

Cena de "Nosso Natal em Família"- Divulgação

Cena de “Nosso Natal em Família”- Divulgação

O primeiro arco narrativo se concentra no reencontro familiar: tios distantes, tias efusivas que beijam as bochechas de um menino despreparado e o núcleo de sobrinhos, crianças e adolescentes que sonham com aventura e liberdade, em contraste com a rotina doméstica de jantares longos, vídeos caseiros ao som de Frank Sinatra e a avó cochilando na cadeira. Esse instinto de rebeldia juvenil prepara o terreno para que o segundo ato se desdobre em duas narrativas paralelas.

A partir da metade do filme, Nosso Natal em Família alterna entre os adultos, que discutem a possível venda da casa da matriarca, um conflito já explorado recentemente em outra produção de Natal: O Natal dos Silva (2025, Gabriel Martins), e o arco de uma jovem adolescente que vive a clássica montanha-russa emocional entre a vergonha e o amor pela própria família na medida que passa pelo primeiro amor e um sentimento de rebeldia que se mostra falho. O resultado é um desfecho simultaneamente melancólico e caloroso, evocando o sentimento agridoce dos filmes natalinos mais marcantes.

O roteiro se sustenta sobretudo em situações cotidianas e delicadas, dialogando com o espírito da Nova Hollywood ao retratar seus personagens de forma honesta, em uma linha próxima à de Loucuras de Verão (1973), de George Lucas. Ao mesmo tempo, o filme abre espaço para que mesmo os personagens coadjuvantes também brilhem, com destaque para Michael Cera e Gregg Turkington, que formam uma dupla de policiais tão estranha quanto profundamente humana, sendo fundamentais para evidenciar o sentimento de solidão e carência que permeia essa época do ano.

Nesse espetáculo lento e melancólico de luzes, reflexões, interações familiares e alívios cômicos, Nosso Natal em Família assume sem pudor seu caráter autoral e independente, abraçando o filme de nicho, voltado a espectadores sem pressa e que não buscam grandes catarses ou reviravoltas, somente uma experiência. Taormina apresenta uma consciência clara de que, assim como na vida, as jornadas pessoais não se resolvem em apenas duas horas, e tudo bem.

Cena de "Nosso Natal em Família"- Divulgação

Cena de “Nosso Natal em Família”- Divulgação

Apesar de deixar algumas pontas soltas e apresentar momentos que poderiam ser melhor lapidados na edição final, como longas sequências que são um luxo mas não acrescentam em nada a narrativa em si, Nosso Natal em Família captura com sutileza e sem exageros tanto o sentimento externo do Natal: as luzes, as festividades, a neve, quanto o interno: a dúvida, o desejo de fuga, as vergonhas vividas à mesa da família e, acima de tudo, o amor que existe entre todos nós, mesmo quando conseguimos enxergá-lo de primeira.

A partir de 25 de dezembro, Nosso Natal em Família pode ser visto com exclusividade no Filmelier+.

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Tags:25 de dezembroCinemacríticanatalNosso Natal em FamíliaTyler Taormina
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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.
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