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Lucas Leto e Nicollas Prates em foto de divulgação de 'O Advogado de Deus'- Divulgação Sony Pictures
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘O Advogado de Deus’ é bom? Filme de Wagner de Assis tem estrutura de novela

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 11 de abril de 2026
6 Min Leitura
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Lucas Leto e Nicollas Prates em foto de divulgação de 'O Advogado de Deus'- Divulgação Sony Pictures
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Dirigido por Wagner de Assis, O Advogado de Deus aborda discussão espírita

Em se tratando de filmes vinculados à doutrina espírita, Wagner de Assis é um dos nomes nacionais de maior reconhecimento e aclamação. Nosso Lar (2010) foi um grande sucesso, com mais de 4 milhões de espectadores. Desde então, seus filmes têm se provado acertos de bilheteria por conta de um público cativo, que aguarda ansiosamente por cada novo projeto. Entregando o esperado em suas produções: uma história básica com forte viés religioso e otimista para seus protagonistas, essa fórmula pode ter funcionado até aqui. Porém, em O Advogado de Deus, já apresenta sinais de desgaste.

Existem muitos problemas no filme. Considerando meu conhecimento limitado sobre a religião espírita, direciono esta crítica mais às questões técnicas e de coerência do que propriamente a uma análise sobre a representação do espiritismo e da mediunidade.

Elenco de 'O Advogado de Deus' em imagem de divulgação- Divulgação Sony Pictures

Elenco de ‘O Advogado de Deus’ em imagem de divulgação- Divulgação Sony Pictures

Começando pelas atuações: em diversos momentos, a produção se assemelha à novela mais brega e cafona possível. É o tipo de filme em que se pode ficar no celular sem perder nada, ainda que sua história seja confusa, envolvendo uma família com tantas ligações e traições que chega a lembrar Hamlet.

Diferente da peça magistral de Shakespeare, O Advogado de Deus não se sustenta como produção, apresentando diálogos vazios, interações artificiais e uma edição amadora que, em certos momentos, remete mais a um trabalho acadêmico do que a um filme de um diretor com 26 anos de carreira. A narração em off ao final, com o pôr do sol ao fundo, é puramente cafona, uma sensação que se repete ao longo da obra em diversos momentos, e nos fazem desejar estar assistindo qualquer outra coisa.

O amadorismo aparece em vários aspectos: na composição da mise-en-scène, na direção de atores, que não transmite emoção, e no desperdício de talentos como Augusto Madeira, reduzido a uma construção rasa. Isso leva a escolhas narrativas imaturas e soluções fáceis, como o uso de deus ex machina. A proposta de discutir justiça se perde em incoerências que comprometem a verossimilhança, culminando em um final bizarro que remete diretamente a Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (2004, Alfonso Cuarón), e não no bom sentido.

A busca por fé e a crença em algo maior são experiências individuais. No entanto, a tentativa de O Advogado de Deus de impor, a cada cena, a beleza e a potência da religião espírita, como algo a ser aceito de forma imediata, não funciona quando a audiência não está aberta a essa proposta desde o início. Caso contrário, o resultado é desgaste e uma insistência desnecessária sobre uma causa que, embora nobre, é profundamente pessoal.

Nicollas Prates em foto de divulgação de 'O Advogado de Deus'- Divulgação Sony Pictures

Nicollas Prates em foto de divulgação de ‘O Advogado de Deus’- Divulgação Sony Pictures

A narrativa se perde em múltiplos personagens e traições dentro de uma história superficial, com fotografia fraca e resoluções de roteiro que existem apenas para servir à conveniência da trama, sem consequências reais. Ainda assim, há momentos interessantes, especialmente nas cenas com Lucas Leto, mais confortável em seu papel do que Nicollas Prates, que entrega um protagonismo limitado.

O paralelo entre sonhos, vidas passadas e karma, elementos presentes na doutrina espírita, é tratado de forma superficial, quase como ficção descompromissada. Mesmo para alguém não religioso, soa excessivamente cruel a forma como o antagonista é conduzido dentro dessa “justiça divina”.

O Advogado de Deus almeja ser um grande épico, mas encontra apenas o desconforto e a vergonha alheia. Com ritmo arrastado e pouco envolvente, nem mesmo o casal principal, Daniel e Lídia, consegue sustentar a proposta. Baseado na obra de Zíbia Gasparetto, o filme tenta transmitir a mensagem do espiritismo, mas falha por não ser orgânico, tornando-se denso na exposição e excessivo na insistência.

Ao final, fica a sensação de vazio: um filme que tenta dizer tudo, mas falha em transmitir emoção. Busca cativar pela simplicidade, mas se perde em uma narrativa confusa, cheia demais e, por vezes, desnecessária.

Distribuído pela Sony Pictures Brasil, O Advogado de Deus estreia nos cinemas no dia 16 de abril.

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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.

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