Saturday, February 4, 2023

Crítica | ‘Elegbará’ é um espetáculo que bebe do imprevisível

“Quem traça o destino é Orumilá. Mas Elegbara, seu criado, também influi. Orumilá é o destino, Elegbara é o acidente. Um é a certeza; o outro é a surpresa, o imprevisto…”. Esse é um trecho do conto “Era um pássaro muito grande”, de Nei Lopes, presente no livro Contos de Axé. Acho uma boa forma de iniciar a crítica do espetáculo Elegbará.

Pude ver na estreia, dia 1º de dezembro de 2022, no Teatro João Caetano, esse show de dança afro-brasileira criado e dirigido por Nyandra Fernandes e sob a assistência de Elton Sacramento e a obra possui essa energia de imprevisibilidade, de Exu.

Possuidora do poder

A saber, Ẹlẹ́gbára é uma das denominações de Èsù (Exu), o qual é o Orixá do movimento e da comunicação. A grafia de Ẹlẹ́gbára significa: “aquele que é possuidor do poder (agbára)”. A força desse Orixá é a energia do princípio, da materialização e do crescimento de todas as matérias que existem e que existirão no àiyé (mundo). Ou seja, em verdade, nessa filosofia, sem Ẹlẹ́gbára, os humanos não conseguem contato com Olódùmaré (Deus todo poderoso) e com os outros Orixás.

Sabendo disso, o espetáculo Elegbará bebe na fonte desse Exu e traz uma dança densa, forte e caótica, onde cada um dos intérpretes criadores, Allison Trindade, Bellas, Kley Hudson, Juliana Sotero, Nyandra Fernandes, tem oportunidade de brilhar.

Às vezes o espetáculo soa repetitivo e parece mais longo do que é, contudo, a música ao vivo de Beà Ayolàá anima e provoca, numa percussão potente. Além disso, o momento do solo de guitarra evoca Jimi Hendrix e é eletrizante como a dança conversa com o instrumento.

O fim segue num crescente catártico, que poderia até ser mais curto, mas apresenta a força das oferendas e uma explosão de movimentos turbulentos.

Afinal, Nyandra Fernandes é jovem e ainda tem muito para acrescentar em seu repertório com a possibilidade de mesclar outras referências e equilibrar o trabalho para não ficar cansativo para o público. Entretanto, sua estreia é promissora e é uma representante da arte afro-brasileira que se apropria cada vez mais de seu espaço de direito.

SERVIÇO:

APRESENTAÇÃO MARECHAL HERMES

Data: 08 de Dezembro

Horário: 20h

Onde: TEATRO ARMANDO GONZAGA

Endereço: Av. Gen. Osvaldo Cordeiro de Farias, 511 – Marechal Hermes

Venda de Ingressos Online: https://funarj.eleventickets.com/#!/evento/c21414dc00e33cecc0ff231b410a9c216edbfbf3

Ingressos: R$ 10 (inteira) | R$ 5 (meia-entrada)

Bilheteria do Teatro: Quinta-feira à Domingo, de 14h às 18h. Em dia de espetáculo, aberta até às 20h30.

Duração: 45 minutos

Classificação Indicativa: Livre

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