Dirigido por Jon Avnet, O Último Rodeio entrega um filme de esporte que mesmo não sendo original, ainda encontra gás para emocionar toda a família.
Desde o início do cinema, o esporte sempre foi uma ferramenta narrativa poderosa. Já nas produções da era do cinema mudo, realizadores exploravam competições e rivalidades para despertar emoção no público. Os irmãos Lumière, por exemplo, já registraram uma luta de boxe que fazia a plateia a torcer por seu campeão preferido. Décadas depois, o gênero consolidou-se com Rocky, um Lutador (1977, John G. Avildsen), obra que se tornou a “bíblia” dos filmes de esporte, estabelecendo os traços narrativos que seriam seguidos por inúmeras produções posteriores, dos mais diversos gêneros.
A fórmula pode ir por dois caminhos, seja o jovem imaturo que amadurece por meio do esporte, enquanto tem mentoria de alguém que abandonou a profissão, ou o ex-campeão traumatizado que precisa retornar por um motivo maior, enfrentando os próprios fantasmas e reconectando-se com as pessoas que deixou para trás. De Happy Gilmore (1996, Dennis Dugan) à O Último Rodeio, muitos filmes repetem essa estrutura, mas ainda conseguem encontram frescor, neste caso, pelo uso do rodeio de touros como pano de fundo, um esporte visualmente interessante e ainda pouco explorado no cinema.

Neal McDonough em cena de O Último Rodeio- Divulgação Angel Studios
Neal McDonough considera O Último Rodeio seu projeto mais pessoal. Além de protagonizar, ele atua como co-roteirista e produtor, em uma história que reflete fortemente sua fé e seus valores familiares, além de ser a primeira vez que divide a tela com sua esposa, Ruve McDonough.
O Último Rodeio acompanha Joe Wainright, um ex-campeão de rodeios que abandonou o esporte após um grave acidente. Quando o neto precisa de uma cirurgia, Joe decide voltar às arenas para arrecadar o dinheiro necessário, mesmo contra a vontade da filha e o bom senso do melhor amigo, sua decisão o coloca novamente em contato com o passado, forçando-o a enfrentar traumas antigos e a redescobrir o propósito que havia perdido, além da própria fé que foi abandonada.
Os paralelos com produções anteriores são evidentes. E, por se tratar de um filme da Angel Studios, a mensagem de fé e religiosidade é constante, talvez até em excesso. Com quase duas horas de duração, a narrativa se apoia em clichês reconhecíveis e em efeitos visuais que, poderiam ter recebido um cuidado melhor. No entanto, o filme se destaca pela decupagem bem planejada e pela boa execução técnica nas cenas de montaria, o ponto alto da produção, ocorrendo uma união eficaz entre cinematografia e edição, transmitindo a adrenalina e o risco do rodeio.
Joe não é um protagonista antipático. Ele ama o neto, respeita a filha e vive assombrado pelas lembranças da esposa falecida, sendo facilmente amado pela audiência. Ver o neto enfrentando uma situação difícil é o suficiente para motivá-lo a retornar às arenas, e sua relação com o antigo amigo e mentor, interpretado por Mykelti Williamson, funciona muito bem, trazendo à mente o vínculo entre Apollo Creed e Rocky Balboa, um paralelo que evidencia o quanto o filme respeita a tradição do gênero, e escolhe honrá-lo talvez não de forma tão marcante, mas de forma eficiente.

Neal McDonough e Mykelti Williamson em cena de O Último Rodeio- Divulgação Angel Studios
O roteiro segue à risca todos os beats clássicos dos dramas esportivos, e ao final, O Último Rodeio tem o mérito de oferecer uma experiência reconfortante. É aquele tipo de filme que o espectador assiste sabendo que tudo terminará bem, e isso pode ser a sua maior virtude, não reinventando o gênero, mas sim abraçando-o e oferecendo uma história acessível para toda a família, equilibrando momentos de humor orgânico, tensão e preocupação com um arco claro, e a noção que tudo acabará bem ao final.
Com distribuição da Paris Filmes, O Último Rodeio estreia nos cinemas no dia 16 de outubro.
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