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Caio Manhente em cena de "O Velho Fusca"- Divulgação A2 Filmes
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘O Velho Fusca’aposta na nostalgia e na memória em história normal demais

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 12 de março de 2026
6 Min Leitura
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Caio Manhente em cena de "O Velho Fusca"- Divulgação A2 Filmes
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Protagonizado por Caio Manhente e Tonico Pereira, “O Velho Fusca” também reúne em seu elenco nomes como Cleo Pires, Danton Mello, Christian Malheiros, Giovanna Chaves e Isaías Silva

Logo no inicio de O Velho Fusca somos apresentados a uma sequência de animação em 2D, semelhante a um desenho infantil, acompanhada por uma música acústica original. O sentimento que se estabelece é justamente o que permeia toda a produção: uma aura nostálgica. A proposta, como o próprio Ruschel comentou em coletiva realizada no dia 9 de março, é construir uma narrativa atemporal e focada nas relações humanas e familiares de seus personagens.

A trama acompanha Junior, Caio Manhente, um jovem sensível que tenta encontrar seu lugar no mundo, e sua relação com o avô, Tonico Pereira, um homem amargurado, isolado e de convicções rígidas. Conforme a história avança, fica claro que a jornada dos dois vai muito além do velho fusca que, na cabeça de Junior, seria a solução para todos os seus problemas. Aos poucos, percebemos a diferença entre aquilo que o jovem deseja e o que ele realmente precisa.

Logo no início, uma narração em off apresenta a principal crença do protagonista: “o que você dirige define quem você é”. Na lógica de Junior, dirigir um carro admirado significaria ser admirado também, deixando de ser visto como um nerd, conquistando a garota dos seus sonhos e alcançando tudo o que deseja. No entanto, o que ele realmente precisa é enfrentar a própria vida e aceitar suas forças. O fusca se torna, então, mais do que um simples elemento de enredo: é uma alegoria da relação quebrada entre Junior e seu avô, um conflito que ecoa por toda a família.

Caio Manhente e Giovanna Chaves em cena de "O Velho Fusca"- Divulgação A2 Filmes

Caio Manhente e Giovanna Chaves em cena de “O Velho Fusca”- Divulgação A2 Filmes

Nesse retrato nostálgico, o filme aborda memória, arrependimento, renovação e as tensões entre gerações. Se utilizando de arquétipos tradicionais do cinema clássico, o nerd, o chefe babaca, a menina bonita que quer ser algo mais do que isso, o avô reclamão mas de bom coração, entre outros que se somam, mas, não trazendo nada de novo ao tema que poderia ter aproveitado melhor as exclusividades da produção, algo que nem mesmo a trilha sonora consegue destacar.

Buscando reforçar a ideia de união entre o velho e o novo, a trilha reúne vozes que vão de Péricles a Giovanna Chaves. No entanto, sua presença constante se torna um problema. Em momentos cômicos, ela está lá; em momentos dramáticos, também; e até quando o silêncio poderia ampliar a força emocional da cena, a música insiste em ocupar o espaço. O resultado é uma sensação de excesso que, por vezes, dispersa a atenção do espectador.

Após a sessão, comentando o filme com um colega, ficou evidente como pequenas escolhas poderiam ter tornado a narrativa mais orgânica e emocional: uma cena que se estende um pouco mais, um diálogo menos carregado de chavões ou uma pausa maior para que certos momentos respirem, fariam o filme ficar bem mais marcante.

Caio Manhente e Isaías Silva em cena de "O Velho Fusca"- Divulgação A2 Filmes

Caio Manhente e Isaías Silva em cena de “O Velho Fusca”- Divulgação A2 Filmes

Nem mesmo a presença de atores consagrados como Cleo Pires e Danton Mello conseguem tornar a produção mais do que ela já é. Ambos funcionam como bons pontos de apoio nesse percurso, ajudando a aproximar o público do amadurecimento de Junior. Entre piadas típicas de “tiozão”, o afeto protetor da mãe e o consolo do pai em momentos de crise, surgem alguns dos instantes mais calorosos do filme. Ainda assim, esses personagens recebem pouco desenvolvimento.

A narrativa não esconde que seu principal foco é na relação entre Junior e Tonico. Entretanto, em uma produção que discute laços familiares, explorar melhor esse processo geracional poderia ter enriquecido muito a história, especialmente porque o motivo do rompimento da família acaba soando frágil diante do potencial dramático apresentado.

O Velho Fusca prefere permanecer em sua zona de conforto. Não ofende, entrega uma cinematografia limpa, uma direção de arte que destaca o cenário e pequenos easter eggs para estruturar seus personagens, como quando vemos o quarto de Junior, mas ao final, se arrisca nas próprias questões que levanta, deixando a sensação de que havia ali um filme muito mais potente esperando para existir, e que com um pouco mais de coragem, este velho fusca finalmente poderia acelerar com bem mais potência.

Com distribuição da A2 Filmes e coprodução de Cleo Pires, Ayrosa Produções, UNO Filmes e La Duka Produções, O Velho Fusca estreia nos cinemas no dia 19 de março de 2026.

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Tags:A2FilmesCinemacinema brasileirocinema nacionalcleo pirescomediacríticacritica o velho fuscaDanton MelloVelho fusca
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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.
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