Dirigido por Renny Harlin, Os Estranhos: Capítulo Final chega aos cinemas com a missão de encerrar uma trilogia que, desde o início, prometeu muito mais do que jamais conseguiu entregar.
Depois de três filmes, já não há mais espaço para dúvidas: o maior inimigo desta trilogia de Os Estranhos nunca foram os assassinos mascarados, mas sim o próprio roteiro que nos leva em decisões narrativas equivocadas e cansativas. Inflado, repetitivo e incapaz de evoluir suas próprias ideias, um conceito simples, e originalmente eficaz, se torna um exercício cansativo de decisões estúpidas e falsas tensões.
O mais frustrante de tudo isto é justamente que o potencial está lá. A ideia de uma cidade inteira envolvida em uma lógica distorcida de violência, onde estranhos são caçados sem qualquer consequência, continua sendo instigante. Mas o filme parece ter medo de explorar qualquer coisa minimamente interessante. Em vez disso, opta pelo caminho mais fácil, e mais batido, possível.

Cena de “Os Estranhos: Capítulo Final”- Divulgação Paris Filmes
Em plena era do chamado “pós-terror”, onde o público já aprendeu a reconhecer e questionar clichês, Os Estranhos: Capítulo Final age como se ainda estivéssemos nos anos 80. Personagens tomam decisões absurdas em sequência, ignoram soluções óbvias e parecem existir apenas para empurrar a trama para frente da maneira mais artificial possível. Não há tensão quando tudo depende da sorte e de decisões equivocadas do coletivo.
Madelaine Petsch retorna como Maya e, mais uma vez, não consegue sustentar a protagonista que o filme insiste em vender como marcante. Falta presença, falta intensidade e, principalmente, falta propósito. Sua jornada é guiada menos por suas próprias escolhas e mais pela conveniência do roteiro, assim, se tornando uma protagonista passiva em um filme que desesperadamente precisa que ela seja o oposto.
Quando o filme tenta aprofundar sua mitologia, ele tropeça ainda mais. A origem dos assassinos, mostrados como crianças escolhendo vítimas, é facilmente o elemento mais interessante da narrativa, e que, tristemente é explorado de forma superficial e apressada. Qualquer possibilidade de discussão mais rica é descartada em favor de sustos baratos e cenas visualmente “bonitas”, mas completamente vazias.
Tecnicamente, o filme também parece perdido. A estética limpa demais enfraquece o clima de ameaça, enquanto a trilha sonora, em alguns momentos quase romântica, parece pertencer a outro gênero. O tom oscila de forma desconexa, e o ritmo nunca se estabelece, alternando entre longos trechos arrastados e explosões de violência que não têm peso algum.
Quando finalmente chegamos ao desfecho em que Maya é capturada e forçada a participar do ciclo de violência, existiam muitas abordagens claras e inteligentes de como agir. Poderia ter sido construído algo realmente perturbador e memorável. Mas, a essa altura, o filme já drenou qualquer investimento emocional do espectador. Em vez de impacto, sobra apenas indiferença.

Cena de “Os Estranhos: Capítulo Final”- Divulgação Paris Filmes
Mesmo quando Maya fica ativa, com uma escopeta, saindo em uma matança geral, o sentimento é de vazio. As expressões de Petsch se mantém iguais ao longo de toda a produção, algo que é inacreditável e que não pode ser aceito em uma produção deste tamanho.
No fim das contas, Os Estranhos: Capítulo Final não falha por falta de ideias, mas por pura incapacidade de desenvolvê-las. É um filme que se leva a sério demais para ser divertido e é raso demais para ser relevante. Fica preso em um limbo desconfortável, e pior ainda, entediante.
A sensação final não é de medo, tensão ou sequer satisfação por um encerramento digno. É só cansaço.
Distribuído pela Paris Filmes, Os Estranhos: Capítulo Final estreia nos cinemas no dia 9 de abril.
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