Crítica – Rocketman – Um musical para Elton

Rocketman. A história de Elton John. Multimilionário as 25 anos de idade. O terremoto Elton foi e é sucesso no mundo inteiro. Quem nunca ouviu uma canção deste grande músico?

Primeiramente, o filme mostra um pouco de sua infância, um menino tímido e carente: Reginald Dwight. Além disso, podemos ver seus traumas com relação à mãe (Bryce Dallas Howard, burocrática), dura e displicente, um pai (Steven Mackintosh, honesto) nada carinhoso e uma avó (Gemma Jones, fofa) que acredita no seu talento e tenta ajudar como pode. Uma biografia musical bem dirigida por Dexter Fletcher.

Nesse ínterim, o pequeno Reggie cresce tocando piano, seu dom, sua tábua de salvação, e acaba sendo músico da American Soul Tour em 1969. Vira Elton John e conhece seu maior parceiro e irmão, de vida e composições, o qual o acompanha até os dias de hoje: Bernie Taupin (Jamie Bell, muito bem). Aliás, a amizade dos dois é uma base para a película.

Ademais, sentimos o poder da música, o carisma de Elton vivido com muita fluidez e personalidade por Taron Egerton, em bela atuação. Que maravilha ver a explosão flutuante quando canta “Crocodile Rock” em sua grande estreia. Torna-se um beija-flor, parado no ar, elevando a tudo e a todos com seu talento. Ah, meus amigos, onde havia escuridão agora há Elton John.

A maior virtude de Rocketman, o charme principal, é sua linda ludicidade. Não é uma biografia comum toda certinha e azeitada quadradamente, mas sim um exercício do cinema com suas possibilidades imaginativas e licenças poéticas que casam com perfeição na história deste astro da música pop. É paetê com glitter temperado no óleo de coco com doses de arte.

Coisa boa, que momento tocante quando ouvimos “Your Song”. Bernie dá a letra, Elton senta no piano e a inspiração vem vindo, tocando e cantando. Em síntese, a emoção transborda para além das telas.

Ouvi algumas pessoas citarem que poderia parecer brega, talvez meio cafona. Não, não é, mas é diferente. Extravagantemente diferente, com estilo. A utilização do repertório do astro cai como uma luva e leva a exibição com maestria. Enquanto no filme Bohemian Rhapsody, a homossexualidade de Freddie Mercury é tratada de forma superficial e escondida, aqui, a vida sexual de Elton é explorada e desenvolvida em todas suas descobertas e decepções, às claras. Relações falsas, decisões impulsivas, traições.

Rocketman paramount
foto: divulgação/Paramount

Vemos o Elton humano, em busca de amor verdadeiro, passando a enfrentar a crueldade do show business e a solidão do sucesso e da fama. Adentra então um mundo perigoso e ilusório, se afundando nas malditas drogas. Álcool no café da manhã, e a danada da cocaína como companhia aqui e acolá vão destruindo sua vida e o fazendo afundar em um inferno pessoal.

O homem-foguete alça voo em busca da reabilitação, procurando seu final feliz. Em suma, o que ganhamos é um ótimo filme, divertido, emocionante, dançante, triste, alegre, real e surreal.

Palmas para ele e para Rocketman. I´m still standing, diria Elton. Que bom!

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