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Cena de Terror em Shelby Oaks- Divulgação Neon
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Terror em Shelby Oaks’ se fortalece na iteração do gênero de horror

Por
André Quental Sanchez
Última Atualização 25 de outubro de 2025
5 Min Leitura
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Cena de Terror em Shelby Oaks- Divulgação Neon
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Dirigido por Chris Stuckmann, Terror em Shelby Oaks reúne elementos para ser um terror marcante, porém, por falta de originalidade, se torna apenas um entre tantos.

Um bom filme de terror nasce da construção de atmosfera. Pode ser o estranhamento e a dúvida, como em Rua Cloverfield, 10 (2016, Dan Trachtenberg), ou o uso de uma estética original, como no primeiro Atividade Paranormal (2009, Oren Peli), afinal, a força do gênero de horror se encontra na capacidade de explorar o desconhecido de formas ainda não vistas. Quando um cineasta opta por repetir fórmulas já consagradas, alterando apenas pequenos detalhes, o resultado tende a ser eficiente isoladamente, mas vazio diante do conjunto do cinema de horror, como é o caso de Terror em Shelby Oaks.

A trama começa de maneira promissora, no melhor estilo A Bruxa de Blair (1999, Eduardo Sánchez e Daniel Myrick), com a história sendo apresentada como um documentário que retrata o desaparecimento de um grupo de jovens que produzia vídeos sobre fenômenos paranormais. Entre eles está Riley, irmã da protagonista, Mia.

Cena de Terror em Shelby Oaks- Divulgação Neon

Camille Sullivan em cena de ‘Terror em Shelby Oaks’- Divulgação Neon

A estética de “falso documentário” combina vídeos amadores, reportagens e entrevistas com familiares e investigadores, criando um ambiente de mistério que prende o espectador, sendo o ponto alto da produção com um bom controle de ritmo e compreensão clara do potencial narrativo do formato, apresentando sem nenhum problema a relação de Mia com a perda da irmã, sua depressão e sua frustração por não conseguir engravidar.

No entanto, a partir do segundo ato, o filme abandona o formato documental e passa a seguir uma estrutura convencional de ficção. Mia decide investigar por conta própria o paradeiro da irmã, movida pela convicção de que ela ainda está viva. Essa mudança de abordagem enfraquece o impacto inicial da narrativa, que poderia ter sido muito mais interessante se mantivesse o olhar do documentário e explorasse a tensão entre o real e o sobrenatural.

A partir daí, Terror em Shelby Oaks adota uma fotografia escura e sufocante, com planos fechados e uma direção de arte que reforça a sensação de abandono. O design visual reflete bem o estado emocional de Mia: uma mulher devastada pela solidão e pela ausência. O problema é o modo como o terror é transmitido para o espectador, fazendo uso constante de jump scares e figuras sombrias, como o cachorro assustador e uma entidade demoníaca observando das sombras, que, embora eficientes no início, tornam-se repetitivos e previsíveis.

Quando Mia finalmente encontra sua irmã, o filme parece encaminhar-se para um clímax poderoso. No entanto, o desfecho surge apressado. A revelação de uma seita envolvida no desaparecimento de Riley e a sugestão de um bebê anticristo surgem sem o devido desenvolvimento, resultando em um terceiro ato atropelado, que sacrifica a tensão construída em prol de uma explicação excessivamente literal. O conflito central, a relação entre Mia, Riley e a maternidade, deveria ser o foco do filme, não somente os minutos finais, em meio ao caos de uma trama que tenta amarrar muitos conceitos sem aprofundar nenhum.

Cena de Terror em Shelby Oaks- Divulgação Neon

Cena de Terror em Shelby Oaks- Divulgação Neon

Como estreia na direção, o projeto revela as limitações de Chris Stuckmann. Conhecido como crítico e YouTuber com mais de dois milhões de seguidores, ele demonstra conhecimento sobre o gênero, mas carece de maturidade na execução. Falta-lhe a coesão e a ousadia necessárias para transformar referências em identidade própria, e mesmo com o filme tendo o apoio de Mike Flanagan, nome associado a produções de terror refinadas, Terror em Shelby Oaks opta sempre pelo caminho mais fácil.

Terror em Shelby Oaks nos entrega tudo que fez o gênero de horror ser tão querido: sustos, mistérios, tensão, um clima assustador, uma protagonista destemida, porém, ao estruturar sua narrativa somente em iterações mais frágeis de conceitos previamente introduzidos do gênero, a produção esquece o que a poderia fazer tão marcante, ao invés de um simples entretenimento.

Distribuído pela Diamond Films, Terror em Shelby Oaks estreia nos cinemas em 30 de outubro.

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Tags:Cammile SullivanChris StuckmannCinemacríticaCrítica Shelby OaksCrítica Terror em Shelby OaksDestaque no ViventeShelby OaksterrorTerror em Shelby Oaks
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