Dirigido por Vanessa Caswill, Uma Segunda Chance segue estrutura clássica que resulta em uma adaptação confortável, ainda que excessivamente tradicional.
Dentro do universo literário contemporâneo, Colleen Hoover é um dos nomes de maior reconhecimento. Agora em sua terceira adaptação para o cinema, seus romances costumam gerar discussões intensas e momentos dramáticos que, embora frequentemente exagerados, conquistam seu público fiel. Por bem ou por mal, Uma Segunda Chance é uma adaptação mais contida e fiel que suas antecessoras, inovando pouco na narrativa e apostando principalmente na química entre seus personagens. Nesse sentido, muito se deve à própria Hoover.
Após os conflitos de bastidores que surgiram após o lançamento de É Assim que Acaba (2024, Justin Baldoni), a decisão de Hoover de se manter mais presente na adaptação de Uma Segunda Chance garantiu à autora um controle criativo maior. Hoje, seu nome já possui peso comercial semelhante ao de autores consagrados como Stephen King: apenas sua assinatura é capaz de atrair uma base sólida de fãs para qualquer produção. Mas somente isso não basta.

Maika Monroe e Tyriq Withers em cena de “Uma Segunda Chance”- Divulgação Universal
O filme acompanha Kenna, uma jovem que, após cumprir sete anos de prisão por um acidente de carro que matou seu namorado, Scotty, tenta reconstruir sua vida. Ao retornar à sua cidade natal, inicia uma amizade com Ledger, o melhor amigo de Scotty, enquanto enfrenta dificuldades para se aproximar da própria filha.
Narrativamente, o filme é bastante simples. Uma Segunda Chance segue os passos tradicionais da jornada dramática, marcada por reviravoltas e situações por vezes exageradas, muitas delas resolvidas com certa facilidade. Ainda assim, a produção encontra força em sua fotografia elegante, que ganha destaque ao explorar os cenários naturais onde a história se desenrola: montanhas imponentes, lagos de águas cristalinas e subúrbios cuidadosamente organizados.
No arco de Kenna, o título original do livro, Reminders of Him, revela-se mais potente em termos temáticos. A protagonista atravessa dois conflitos simultâneos que impactam diretamente todos ao seu redor. O primeiro envolve aceitar a morte de seu grande amor e permitir-se encontrar felicidade novamente. O segundo consiste em provar a todos que mudou o suficiente para merecer a chance de conhecer a própria filha. Tudo isso enquanto desenvolve sentimentos pelo melhor amigo de seu falecido namorado e lida com a culpa que acompanha essa relação.

Maika Monroe e Tyriq Withers em cena de “Uma Segunda Chance”- Divulgação Universal
No campo do drama, Uma Segunda Chance eleva o sofrimento ao limite para que, quando Kenna finalmente encontra algum tipo de paz, o público possa se emocionar junto com ela e suspirar aliviado. Essa marca recorrente da literatura de Hoover faz com que o filme raramente surpreenda ou inove, especialmente quando comparado à abordagem mais singular presente na adaptação dirigida por Baldoni.
No elenco, Tyriq Withers entrega um personagem carismático e convincente, enquanto Maika Monroe parece perdida em alguns momentos. Com frequência presa à mesma expressão facial, suas melhores interações surgem ao lado de personagens secundários como Lady Diana e Diem, que trazem um humor bem-vindo por meio da franqueza de suas falas. Ao final, a produção proporciona quase duas horas centradas em romance, sofrimento e verborragia, sem oferecer novidades significativas ao espectador.
No fim das contas, a produção de Vanessa Caswill pode ser resumida por meio da análise de sua trilha sonora: repleta de músicas e covers que evocam um sentimento nostálgico, oscilando entre o belo e o melancólico, mas que não são marcantes. Elementos que apesar de criarem imagens reconfortantes e emotivas, acabam se tornando esquecíveis com o tempo, assim como o próprio filme que opta por jamais sair da zona de conforto.
Distribuído pela Universal Pictures, Uma Segunda Chance estreia nos cinemas no dia 19 de março.
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