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Cena de Zoopocalipse- Copyright 2024 STRANGE ANIMALS (COPPERHEART) PRODUCTIONS INC., CHARADES PRODUCTIONS SAS, UMEDIA PRODUCTION SA, MIPA (NOTZ) FILM INC., APOLLO FILMS DISTRIBUTION. ALL RIGHTS RESERVED
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Zoopocalipse’ aposta em humor e sustos para falar sobre união

Por
André Quental Sanchez
Última Atualização 22 de setembro de 2025
6 Min Leitura
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Cena de Zoopocalipse- Copyright 2024 STRANGE ANIMALS (COPPERHEART) PRODUCTIONS INC., CHARADES PRODUCTIONS SAS, UMEDIA PRODUCTION SA, MIPA (NOTZ) FILM INC., APOLLO FILMS DISTRIBUTION. ALL RIGHTS RESERVED
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Dirigido por Ricardo Curtis e Rodrigo Perez-Castro, Zoopocalipse diverte justamente por ter plena consciência de seu papel como entretenimento infantil

Enquanto no Brasil acontece o Ghibli Fest, trazendo ao público animações grandiosas, atemporais e repletas de mensagens profundas, nos cinemas somos apresentados a uma produção que segue outro caminho. Diferente do refinamento das obras orientais ou mesmo dos padrões da Disney e da DreamWorks, Zoopocalipse: Uma Aventura Animal aposta em uma proposta mais leve, lembrando o tom despretensioso de Madagascar (2005, Tom McGrath e Eric Darnell), ao mesmo tempo que aborda um clássico tema do cinema do horror: a invasão zumbi, servindo como uma introdução do tema para as crianças.

Nesse ponto, é inevitável lembrar da Laika Studios, estúdio que também produz animações com temas mais voltados ao horror, e responsável por animações como Paranorman (2012, Chris Butler e Sam Fell). Embora ambos tratem de zumbis, o filme da Laika se aprofunda em um núcleo dramático mais intenso, explorando o gênero de forma subversiva. Já Zoopocalipse se mantém dentro da fórmula tradicional dos filmes de mortos-vivos, ainda que recheado de referências diretas a clássicos como Alien, o 8.º Passageiro (1979, Ridley Scott) e O Enigma de Outro Mundo (1983, John Carpenter), fazendo com que a força da produção resida justamente no equilíbrio entre cenas leves e momentos de tensão, sustentado por uma estrutura narrativa bem conhecida do público.

Cena de Zoopocalipse- Copyright 2024 STRANGE ANIMALS (COPPERHEART) PRODUCTIONS INC., CHARADES PRODUCTIONS SAS, UMEDIA PRODUCTION SA, MIPA (NOTZ) FILM INC., APOLLO FILMS DISTRIBUTION. ALL RIGHTS RESERVED

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O uso de metalinguagem também se destaca, especialmente através do lêmure Xavier, dublado no Brasil por um irreconhecível Ed Gama, que utiliza um sotaque nordestino com naturalidade e graça, mesmo que algumas gírias locais possam soar incompreensíveis para parte do público. A dublagem brasileira ainda conta com a participação de Viih Tube como a protagonista Grace, uma loba cuja personalidade permitiu à atriz explorar suas características mais marcantes, como o ritmo acelerado e o tom de voz mais agudo, agregando um frescor ao filme.

Do ponto de vista narrativo, Zoopocalipse segue a clássica divisão em três atos, algo inclusive comentado pelo próprio Xavier ao longo da história. A mensagem central sobre união, família e confiança no próximo é estabelecida logo no início e reforçada por meio de paralelos entre personagens. Os zumbis de jujuba verdes, grudentos e fluorescentes, funcionam mais como um artifício dramático que força os animais a saírem de suas zonas de conforto e aprenderem a confiar uns nos outros.

A dualidade entre isolamento e cooperação é trabalhada principalmente na relação entre Grace e Dan, um leão-da-montanha solitário, e mais tarde entre Dan e o macaco Felix, na medida que ambos defendem a ideia de viver apenas para si, mas enquanto um é tratado como herói incompreendido, o outro se transforma em antagonista, revelando diferentes graus de amargura em suas trajetórias.

Visualmente, a animação 3D é competente e ousada, explorando com prazer recursos como uma iluminação não realista e bem chamativa, principalmente no contraste entre verde e roxo que é auxiliado por um forte uso de fumaça e uma ambientação sombria que remete diretamente à trilhas sonoras de produções de George Romero. Os zumbis de jujuba fluorescentes criam uma atmosfera que mistura o onírico e o tenebroso, com cores neon que permeiam grande parte da narrativa, levando a uma mudança estética perceptível quando a luz do dia retorna, trazendo realismo e clareza às cenas, reforçando a transformação interna dos personagens.

Apesar de não atingir a densidade dramática de grandes estúdios, Zoopocalipse entretém tanto crianças quanto adultos. É, no entanto, um título mais indicado para espectadores a partir de 10 anos, já que algumas passagens podem ser assustadoras para os mais novos.

Cena de Zoopocalipse- Copyright 2024 STRANGE ANIMALS (COPPERHEART) PRODUCTIONS INC., CHARADES PRODUCTIONS SAS, UMEDIA PRODUCTION SA, MIPA (NOTZ) FILM INC., APOLLO FILMS DISTRIBUTION. ALL RIGHTS RESERVED

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Com um arco dramático satisfatório, humor eficiente e um desfecho emocionante, Zoopocalipse – Uma Aventura Animal talvez não alcance o legado do Studio Ghibli ou da era de ouro da Disney, mas se estabelece como um entretenimento digno de atenção por conta de abraçar uma produção divertida, acessível e que merece o crédito por ousar apresentar o gênero de horror às crianças de maneira lúdica, envolvente e que instiga a curiosidade por conhecer outras produções do gênero.

Distribuído pela Diamond Pictures BR, Zoopocalipse: Uma Aventura Animal estreia nos cinemas no dia 25 de setembro.

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Tags:animaçãoCinemacríticaCrítica ZoopocalipseViih TubeZoopocalipsezumbi
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