O retorno de um dos atores mais respeitados do cinema mundial acontece em um drama marcado por culpa, fé e feridas que nunca cicatrizaram. Anêmona revela um reencontro familiar tenso, silencioso e emocionalmente explosivo, conduzido por personagens que carregam décadas de traumas não resolvidos.
A produção marca a volta de Daniel Day-Lewis às telas após um longo hiato e também a estreia de Ronan Day-Lewis, filho do ator, na direção de um longa-metragem. Pai e filho também assinam juntos o roteiro, reforçando o caráter íntimo e autoral do projeto. A história mergulha em temas como religiosidade extrema, isolamento e reconciliação forçada, em uma narrativa que se constrói a partir de silêncios, memórias dolorosas e confrontos inevitáveis.
No centro da trama estão os irmãos Ray e Jem Stoker, interpretados por Daniel Day-Lewis e Sean Bean. Separados há duas décadas por acontecimentos traumáticos, os dois seguiram caminhos opostos. Ray escolheu o isolamento, vivendo em reclusão em uma cabana remota nas florestas do norte da Inglaterra. Jem, por outro lado, encontrou abrigo em uma fé rigorosa e na vida familiar ao lado da parceira Nessa e do filho Brian.
Esse equilíbrio frágil se rompe quando uma crise familiar obriga Jem a procurar o irmão. O reencontro não surge como redenção imediata, mas como um processo doloroso de revisitar lembranças reprimidas, rancores acumulados e tragédias nunca totalmente reveladas. O trailer sugere um embate psicológico intenso, em que a paisagem fria e isolada reflete o estado emocional dos personagens.
Elenco reúne nomes de peso do drama internacional
Além de Daniel Day-Lewis e Sean Bean, o elenco traz Samantha Morton no papel de Nessa, figura central na sustentação emocional de Jem, e Samuel Bottomley como Brian, o filho do casal, que se vê no meio de uma herança emocional que não viveu, mas que passa a afetá-lo diretamente. Safia Oakley-Green também integra o time de atores.
A produção fica nas mãos de Dede Gardner e Jeremy Kleiner, dupla responsável por títulos de forte reconhecimento crítico, como Moonlight: Sob a Luz do Luar e 12 Anos de Escravidão. A escolha reforça a proposta de um filme voltado para profundidade dramática e impacto emocional, distante de fórmulas comerciais tradicionais.
O material de divulgação indica que Anêmona trabalha a religiosidade não como conforto, mas como estrutura de controle, culpa e repressão. Jem se agarra à fé como forma de dar sentido ao passado, enquanto Ray parece ter abandonado qualquer crença, optando pelo isolamento quase absoluto. O reencontro coloca frente a frente dois modos de lidar com o trauma: negação e devoção.
A ambientação tem papel fundamental na narrativa. A cabana isolada onde Ray vive funciona como um espaço simbólico de memória, prisão emocional e possível libertação. A natureza ao redor, bruta e silenciosa, reforça a sensação de distanciamento do mundo e intensifica o clima de tensão psicológica.
Daniel Day-Lewis – Retorno de um ator lendário
Vencedor de três Oscars por Sangue Negro, Lincoln e Meu Pé Esquerdo, Daniel Day-Lewis construiu uma carreira marcada por escolhas raras e papéis de grande complexidade. Seu afastamento do cinema havia sido tratado como aposentadoria, o que torna Anêmona um retorno cercado de expectativa.
Anêmona não aposta em grandiosidade visual ou ação, mas em conflitos internos e performances intensas, território em que o ator construiu sua reputação. A parceria criativa com o filho na construção da história adiciona uma camada extra de interesse em torno do projeto.
Distribuído pela Universal Pictures, Anêmona chega aos cinemas brasileiros em 19 de fevereiro, acompanhado de um lançamento que aposta no impacto do trailer e no peso artístico do elenco e da equipe criativa.
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