Thursday, October 6, 2022

Deus e o Diabo na Terra do Sol | Cópia restaurada em 4K ganha exibição no Festival de Cannes

Em 2019, após anos de um mergulho profundo na história do cinema brasileiro, o produtor Lino Meireles se uniu à diretora Paloma Rocha, filha de Glauber Rocha, para restaurar em versão 4K uma das principais obras do cinema brasileiro: “Deus e o Diabo na Terra do Sol”.

Entretanto, o projeto só terminou em 2022, mais de 40 anos depois da morte do realizador baiano. O longa-metragem foi selecionado para o 75º Festival de Cannes (17 a 28 de maio) e ganha exibição na seção Cannes Classics, dedicada a filmes clássicos e à preservação do patrimônio cinematográfico mundial.

Segundo longa-metragem de Glauber Rocha, considerado um marco do Cinema Novo, “Deus e o Diabo na Terra do Sol” estreou mundialmente na competição do mesmo festival, em 1964, sendo indicado à Palma de Ouro. Em seguida, o filme foi lançado nos cinemas do Brasil em julho do mesmo ano. O legado do diretor inclui longas-metragens como “Barravento” (1962), “Terra em Transe” (1967), “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro” (1969), “O Leão de Sete Cabeças” (1970), entre outros.

Importância histórica

“É um ciclo completo para a nossa restauração, onde o filme será reexibido pela primeira vez no mesmo local em que estreou. Que seja um novo chamado de resistência cultural”, afirma o produtor Lino Meireles, diretor do premiado longa-metragem “Candango: Memórias do Festival”. “Num país com a cultura tão depreciada, com a produção artística sofrendo ataques, fizemos um esforço de contracorrente. Isso só é possível porque o filme tem a força própria dele”, explica a diretora Paloma Rocha.

Além disso, a escolha pela obra foi feita não apenas por sua importância para a cultura nacional, mas pelo fato de sua última versão digitalizada ter sido feita em 2002, com qualidade inferior à atual.

Afinal, o novo restauro veio pela Cinecolor, empresa parceira da Cinemateca Brasileira, onde estava armazenada a cópia em película, ou seja, cinco latas de negativos 35mm em perfeitas condições. Apesar disso, parte da obra de Glauber foi perdida no incêndio que atingiu um dos galpões da Cinemateca, em São Paulo, em julho de 2021.

A saber, “Deus e o Diabo na Terra do Sol” mescla influências literárias de Graciliano Ramos, José Lins do Rego e “Os Sertões”, de Euclides da Cunha. Na sinopse do filme, o vaqueiro Manuel (Geraldo del Rey) e sua esposa Rosa (Yoná Magalhães) fogem para o sertão depois que ele mata um coronel que tenta enganá-lo. No ermo brasileiro, violento e assolado pela seca, eles encontram duas figuras icônicas: Sebastião, que se diz divino, e Corisco, que se descreve como demoníaco. Amarrar seus destinos com essas figuras é uma decisão trágica, no entanto, pois o mercenário Antonio das Mortes está em seu encalço.

Prêmios:

Participou de Cannes em 64. Indicado à Palma de Ouro.

Prêmio da Crítica Mexicana- Festival Internacional de Acapulco, México, 1964.

Grande Prêmio Festival de Cinema Livre, ltália, 1964.

Náiade de Ouro- Festival Internacional de Porreta Terme, Itália, 1964.

Troféu Saci/ Melhor Ator Coadjuvante: Maurício do Valle, 1965

Grande Prêmio Latino Americano -I Festival Internacional de Mar dei Placa, Argentina, 1966.

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