Diga Quem Sou – Crítica (Netflix)

“Diga Quem Sou”, documentário de Ed Perkins, conta a história de Alex, de 18 anos, que perdeu sua memória após um acidente. Seu irmão gêmeo, Marcus, com a ajuda de fotos antigas, começa a narrar a infância compartilhada por ambos. No entanto, Alex não sabe que Marcus está omitindo e alterando diversos detalhes de sua vida, na tentativa de esconder uma terrível infância.

Ao invés de uma abordagem isenta e afastada, Perkins coloca o público na mesma situação de desnorteamento do protagonista. É uma câmera sem foco, pontos de vista subjetivos trêmulos e muitos planos completamente escuros e vazios, como a memória de Alex. Tudo isso em prol de uma experiência sensorial da amnésia.

Por mais que a revelação só ocorra na metade do filme, é um clima de desconfiança estabelecido muito bem através da montagem. Em paralelo a trama, flashes (como lapsos de memória) da casa de sua família são mostrados.

Ainda que inicialmente pareçam injustificados, estes passeios livres da câmera pela casa contribuem para essa sensorialidade e reforçam que a memória de Alex insiste em retornar para aquele ambiente, ainda que seu subconsciente lute contra isso.

É como se uma força magnética invisível o arrastasse. Perkins reforça tanto esse vínculo entre casa e memória que recorre a metáforas visuais, como quando filma uma árvore de galhos retorcidos que se cruzam exatamente como sinapses nervosas.

Por isso, é muito significativo quando “Diga Quem Sou” se encerra com a câmera, como um fantasma, atravessando o portão do terreno para fora da casa. É Alex finalmente se livrando das correntes de seu passado.

@universocritico

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