O teatro se transforma em espaço de escuta e reflexão no espetáculo Elas ganham voz, solo autoral da atriz e performer Juliana Yurk que aborda temas como violência sexual, trauma e processos de reparação. A montagem faz temporada de estreia até o fim de março no Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF), no Rio de Janeiro.
Dirigido por Sol Faganello, o espetáculo reúne relatos autobiográficos e memórias de mulheres da família da artista para construir uma narrativa que discute silenciamento, memória e a necessidade de ampliar o debate público sobre a violência contra mulheres.
Elas ganham voz transforma experiências reais em cena
Em cena, Juliana Yurk combina performance, vídeo, corpo e palavra para construir um relato que mistura memória pessoal e reflexão coletiva. A proposta é transformar experiências de silêncio em narrativa pública.
“Em ‘Elas ganham voz’, eu transformo silêncio em palavra e corpo em memória. É um trabalho que nasce de vivências reais e da escuta das mulheres da minha família, para abrir uma conversa pública sobre violência sexual, trauma e reparação”, afirma a artista.
O espetáculo também propõe um espaço de escuta para o público, abordando o tema da violência sexual de forma direta, mas cuidadosa.

A peça é um desdobramento do curta experimental Elas, lançado em 2022 e dirigido pela própria Juliana Yurk em parceria com Barbara Roma. O filme foi exibido e premiado em festivais no Brasil e no exterior, incluindo o New York International Women Festival e o Festival Internacional de Cine Silente, no México.
A primeira versão cênica do trabalho foi apresentada como ensaio aberto em 2024 no Espaço de Provocação Cultural, em São Paulo, sob orientação de Maria Amélia Farah.
Agora, a montagem ganha temporada de estreia no Rio com direção de Sol Faganello.
Espetáculo propõe reflexão coletiva sobre violência contra mulheres
Para a diretora Sol Faganello, dirigir o espetáculo representou um convite para construir uma reflexão coletiva a partir da linguagem teatral.
“Foi mais do que uma parceria artística. Foi uma convocação para construirmos juntas uma ponte poderosa de reflexão por meio do teatro”, afirma.
Segundo ela, a obra nasce de uma trajetória de enfrentamento, mas também se projeta para o futuro.
“É por todas que precisamos desmascarar a cultura do estupro e continuar a lutar”, diz.
Com duração de 55 minutos e classificação indicativa de 18 anos, Elas ganham voz reúne uma equipe majoritariamente feminina. A trilha sonora original é assinada por Camila Couto e a iluminação por Jessica Catherine.
Serviço – Elas ganham voz
Local: Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF)
Endereço: Avenida Rio Branco, 241 – Centro – Rio de Janeiro
Temporada: 3 a 25 de março
Dias e horários: terças e quartas-feiras, às 19h
Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada)
Duração: 55 minutos
Classificação indicativa: 18 anos
Ingressos: Sympla.
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